26.11.10

Cartão de loja tem juros de mais de 500% no rotativo

Juros em cartões de lojas e mercados aparecem quando cliente só paga a parcela mínima

26/11/10
Fonte: noticia.r7.com.br


Os cartões são a forma mais rápida e sem burocracia para conseguir crédito, mas nem sempre são a melhor. Isso porque o preço que as empresas cobram por essa facilidade pode ficar caro. Os juros de cartões de lojas e supermercados, por exemplo, podem passar dos 500% ao ano, segundo pesquisa da ProTeste (Fundação de Defesa do Consumidor) que identificou que os juros aparecem quando o cliente usa o rotativo do cartão.

Ao pagar a parcela mínima, a diferença entre o que o cliente deveria ter quitado no mês e o que ele pagou efetivamente, passa para a fatura seguinte, e a administradora acaba cobrando como se tivesse concedido um novo crédito.

Maria Inês Dolci, presidente da ProTeste, diz que os cartões exclusivos de lojas e mercados cobram juros embutidos e não anunciam de forma transparente esses dados. Para ela, o consumidor tem que ficar de olho para evitar os gastos desnecessários.

- O cartão de loja, de supermercado, de postos de combustíveis não é vantajoso porque se o consumidor entra no rotativo, ele pode pagar 500% a mais de juros e correção e encargos ao ano. Sem contar que ele só pode usá-lo naquela rede específica.

Ela diz que o consumidor vem se endividando cada vez mais no cartão porque essa é uma forma de crédito fácil e sem burocracia.

Só neste ano, mais de 628 milhões cartões entraram em uso no país, dos quais 153 milhões eram de crédito (11% a mais que no ano passado) e 225 milhões, de lojas, segundo a Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços). O setor movimentou R$ 534 bilhões entre janeiro e abril (aumento de 20% em um ano).

Custo do dinheiro

No caso dos cartões de crédito oferecidos pelos bancos e instituições financeiras, os juros cobrados são os mais altos se comparados com o custo dos empréstimos e outras modalidades de conseguir dinheiro. É o que mostram os dados mais recentes da Anefac (Associação Nacional dos Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade).

Em maio, os cartões mantiveram a dianteira no custo do crédito, com juros de 10,7% ao mês, em média (238% nos últimos 12 meses). Os empréstimos pessoais junto a financeiras, que há menos de um ano tinham taxas superiores a 11% ao mês, agora estão em 9,9%. O cheque especial ficou em 7,4%.

Miguel Ribeiro, conselheiro da Anefac, defende que a compra com o plástico é boa como um meio de pagamento, mas é a linha de crédito menos vantajosa, atualmente.

- Os números mostram que essa é a linha de crédito mais cara do país. Por isso recomendamos que a pessoa, ao usar o cartão, já pague a fatura inteira. Vemos casos de gente que já faz a compra pensando em usar e pagar o mínimo. O pagamento no mínimo, em seis meses, dobra de tamanho.

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