5.11.10

Santander elimina marca Real e anuncia etapa final da integração

Presidente do grupo veio ao país para anunciar a unificação das marcas

Fonte: veja.com.br
Fabio Barbosa e Emilio Botín comandam a troca de marcas na manhã desta quinta-feira, na sede do Santander em São Paulo

Fabio Barbosa e Emilio Botín comandam a troca de marcas na manhã desta quinta-feira, na sede do Santander em São Paulo (Divulgação)

Três anos depois da aquisição global do banco ABN pelo grupo espanhol Santander, as instituições enfim entraram em sua última etapa de integração. A marca do banco holandês – representada no Brasil pelo Real – foi oficialmente eliminada na manhã desta quinta-feira, em todo o Brasil. A integração encerra-se em março de 2011, quando todas as contas serão migradas para uma nova plataforma. A união das operações - que foi feita de maneira bem mais lenta se comparada à do Itaú e Unibanco - ainda não permite, por exemplo, que clientes do Santander façam empréstimos em agências do Real, ou vice versa.

O anúncio de unificação das marcas trouxe mais uma vez o presidente do grupo, Emilio Botín, ao Brasil. Não por coincidência, o espanhol agendou o evento (que ocorreu com transmissão simultânea para seis capitais brasileiras) justamente na mesma semana em que ocorre o Grande Prêmio Brasil de Fórmula 1. Louco por corridas, Botín patrocina, por meio de seu banco, a escuderia Ferrari – liderada pelo espanhol Fernando Alonso, que pode ser campeão mundial na corrida em Interlagos, no domingo.

Hegemonia brasileira - A visita de Botin ao país ocorre uma semana após a divulgação dos resultados globais do banco, em que o Brasil teve papel primordial. As operações brasileiras do Santander foram responsáveis por 25% do lucro trimestral global – algo em torno de 785 milhões de euros. Trata-se da maior contribuição individual de um país para os resultados do banco no terceiro trimestre, superando mercados como a própria Espanha, Portugal, Reino Unido, ou até mesmo o lucro total da América Latina inteira (excluindo-se o Brasil).

O Santander tem dado inúmeros sinais ao mercado de que não pretende amargar o terceiro lugar entre os bancos privados brasileiros - hoje, está atrás de Itaú-Unibanco e Bradesco. Seu principal foco de atuação tem sido o crédito imobiliário – cuja carteira de financiamentos atingiu 159 bilhões de reais no terceiro trimestre. “Queremos ser o banco mais eficiente e mais rentável do Brasil”, afirmou Botín. No último mês, o banco captou 2,8 bilhões de dólares com a Qatar Holding (matriz do fundo soberano do Catar) para engordar o caixa do Santander Brasil.

O fundo passou a ser dono de 5% das operações brasileiras do Santander. “Esse negócio foi feito em 15 dias apenas. E tanta rapidez se deve à boa imagem do banco e do Brasil perante o mundo”, explicou o espanhol. No entanto, usar o caixa – agora robusto – para fazer novas aquisições não é uma estratégia oficial no país. “Estamos crescendo organicamente e abriremos 84 novas agencias em 2011”, disse o presidente brasileiro, Fábio Barbosa. Para 2013, a previsão é de que 600 novas agências sejam abertas. O banco pretende crescer, sobretudo, nas operações de crédito imobiliário.

Governo Dilma - Questionado sobre suas expectativas para o cenário econômico brasileiro após a eleição de Dilma Rousseff, Botín afirmou estar tranqüilo quanto à manutenção da estabilidade e do crescimento. “Temos planos importantes para o Brasil e estamos seguros de que a estabilidade continuará. No Santander, nada mudou”, disse o espanhol.

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