FMI discutirá reformas históricas nesta sexta-feira
Fonte: veja.com.brO Fundo Monetário Internacional vai analisar nesta sexta-feira reformas consideradas históricas para a instituição. Os dirigentes de fundo discutirão a duplicação do capital do FMI, proposta pelo G20, e a distribuição do direito a voto pelos estados-membros.
"Haverá outras reformas. Mas, sem dúvida, hoje terminamos um debate que ocupou os titulares durante décadas", afirmou o diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, após o acordo alcançado em outubro por representantes do G20. A reforma obrigará os europeus a entregar duas vagas no conselho de direção e dará 6% a mais de poder de votação às nações emergentes.
O Conselho de Administração, formado por 24 dos países membros, denominou seu programa oficial desta sexta como "A reforma de cotas e a governança do FMI: elementos de um acordo". As cotas são as contribuições dos 187 estados membros para o capital do FMI. O capital deve ser duplicado a 750 bilhões de dólares, resolveu o G20.
E por trás da expressão "governança" se ocultam as mudanças na divisão do poder dentro do organismo multilateral, em particular seu conselho de administração.
Em sua chegada a Washington, em 2007, Strauss-Kahn teve como prioridade a conclusão do prolongado debate sobre a nova distribuição de cotas.
Quando foi adotada formalmente pelos estados membros em abril de 2008, o dirigente saudou esse passo como "o começo da nova legitimidade do Fundo".
No entanto, esta reforma ainda não foi implementada pela falta de ratificações suficientes dos membros. O FMI esteve sobrecarregado pelos países europeus, herança do final da II Guerra Mundial.
A reforma de 2010 está pensada para pôr um ponto final a isso. Um dos aspectos mais importantes é a substituição do "G5" do FMI por um "G10". O grupo de cinco países com um assento no conselho (Estados Unidos, Japão, Alemanha, França e Grã-Bretanha) deve incluir outros cinco: China, Itália, Brasil, Índia e Rússia.
Os outros 177 países deverão compartilhar outros 14 assentos. A China deve passar do sexto para o terceiro país com direito a voto. Os países ricos e emergentes do G20 aprovaram em outubro esses grandes pontos. O Conselho de Administração deve traduzi-los nesta sexta-feira em propostas concretas, que serão transmitidas à assembleia dos 187 estados membros, o conselho de diretores, que terá um mês para se pronunciar a respeito.
Depois, as propostas serão enviadas aos países: em função de sua Constituição, as ratificarão por seu parlamento ou seu executivo. O FMI necessita que 111 países - que reapresentam 60% dos direitos de voto - as ratifiquem, processo que levará vários anos, segundo os analistas.
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