Decisão do Fed tem ‘resultado duvidoso’, diz Mantega
Para o ministro, a injeção de US$ 600 bi na economia dos EUA pode criar uma ‘bolha’ no mercado global
Fonte: estadao.com.brBRASÍLIA - O ministro da Fazenda, Guido Mantega, criticou nesta quinta-feira, 4, duramente a decisão do Fed - banco central dos Estados Unidos - de injetar US$ 600 bilhões na economia. O ministro alertou para o risco dessa decisão criar uma "bolha" no mercado internacional. Para Mantega, a medida pode agravar o desequilíbrio da economia global. Ao voltar da reunião ministerial, Mantega classificou a decisão dos Estados Unidos de "resultado duvidoso" e disse que vai criticar a medida americana na próxima reunião do G-20, em Seul, na Coreia do Sul.
Para o ministro, "não adianta os EUA jogarem dólares pelo helicóptero" porque não fará "brotar" o crescimento na sua economia. "Esse é um problema que pode se agravar, se os Estados Unidos persistirem nessa política. Isso vai ser um tema importante para discutir em Seul. Vamos insistir para que os EUA modifiquem essa política e tenham outras alternativas", disse Mantega.
Ele disse que esse excesso de crédito que os EUA estão colocando na economia desvaloriza o dólar e traz problema para os outros países. Ele disse que os EUA precisam estimular com medidas fiscais e consumo interno e o emprego.
'No Brasil não há perigo'
O ministro da Fazenda ainda afirmou que, no Brasil, não há "perigo" de bolha no mercado financeiro. Isso porque, segundo ele, o governo tomou as medidas que impedem o fluxo exagerado de recursos externos para o Brasil. "No Brasil, não tem perigo de bolha. Agora, se persistir nessa política (do FED dos Estados Unidos de injetar recursos no mercado), teremos excesso de crédito que não está sendo canalizado para a produção. Esse crédito acabará sendo canalizado para a especulação", alertou o ministro.
Quando questionado se novas medidas cambiais serão adotadas em resposta ao FED, o ministro respondeu: "não porque no Brasil felizmente nós estamos conseguindo controlar a valorização do câmbio. Não está havendo a valorização do real pelas medidas que nós tomamos. Mas esse é um problema que pode se agravar".
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