31/05/2010 12h14 - Atualizado em 31/05/2010 12h38
'Choques globais não estão sob controle d Brasil', ressaltou economista.
Entretanto, ele avalia que país tem boas bases para driblar problemas.
O economista Nouriel Roubini, que ficou conhecido por ter previsto a crise financeira em 2008, disse nesta segunda-feira (31), durante evento em São Paulo, que os problemas enfrentados pela Grécia são a "ponta do iceberg". Ele se referia ao fato de outros países como Portugal, Reino Unido e Japão apresentarem elevados déficits públicos. “A boa noticia é que a maioria dos países emergentes, como o Brasil, não tem esse problema”, disse.
Roubini, que fez uma palestra e concedeu uma coletiva no fórum organizado pela revista Exame na capital paulista, previu que o crescimento econômico mundial será lento e afirmou que as economias da periferia da zona euro são as que correm o maior risco na crise instalada na região.
Segundo ele, além do déficit público, uma ameaça para esses países é a perda de competitividade. Ele afirmou que uma das lições da crise atual é que, para fazer parte de um bloco como a União Europeia, é preciso cobrar as devidas qualificações dos candidatos a membros. Para ele, a Grécia foi aceita muito cedo na zona do euro. Ele lembrou que os gregos estão comprometidos com a austeridade fiscal, mas que uma possibilidade caso o quadro de recuperação econômica não seja favorável é planejar uma reordenação da dívida pública.
ReformasO economista fez elogios aos países emergentes, especialmente ao Brasil, e pregou reformas estruturais para a maioria das nações. Em relação ao Brasil, ele alertou para a evidência de superaquecimento da economia e para o aumento do crédito. Ele defendeu que haja uma regulação e prudência na oferta de crédito para evitar bolhas na economia.
O economista também chamou a atenção para o déficit na conta corrente e para a entrada de capital no país, que pode valorizar excessivamente o real. Eficiência do gasto público, melhora na qualidade da educação, melhor distribuição de renda e parcerias público-privadas formam a receita indicada por Roubini para que o Brasil tenha um crescimento econômico sustentável, de 6 a 7% ao ano.
Entre as vantagens comparativas do Brasil citadas por ele estão as recentes descobertas de petróleo na camada pré-sal, a diversificação da indústria e o consumo interno. Ele citou essas características da economia, além de políticas fiscais e instituições financeiras sólidas, como fatores que podem minimizar o impacto de um eventual choque na economia chinesa e norte-americana. “Choques globais não estão sob controle do Brasil”, ressaltou.
Nenhum comentário:
Postar um comentário