Valor Economico (SP)
Bancos: Brasileiros estão pouco abaixo da faixa "ideal", a partir de US$ 501 bilhões, aponta pesquisa da IBM
Aline Lima, de São Paulo
Para garantir um futuro saudável, a indústria bancária mundial precisa enfrentar, agora, o legado deixado pela crise financeira. Enquanto autoridades monetárias se debruçam sobre uma regulamentação mais rigorosa, novos parâmetros de gestão de negócios são colocados à mesa de instituições financeiras. Uma pesquisa realizada pelo IBM Institute for Business Value, fornece subsídios sobre caminhos a seguir em eficiência, relacionamento com o cliente e gestão de risco. O estudo foi feito a partir de consultas a 2,5 mil executivos de bancos e 7,3 mil consumidores de 13 países, incluindo o Brasil, no fim de 2009.
A pesquisa trouxe resultados que confirmam algumas percepções. Crescer demais, por exemplo, pode vir a ser um problema para os bancos. Em relação aos conglomerados com ativos superiores a US$ 1 trilhão, chegou-se à conclusão de que as economias de escala já não compensam os efeitos adversos de complexidade e ineficiência de gestão produzidos. O enxugamento de custos não seria suficiente para devolver os níveis de rentabilidade exibidos no início da década. Por isso, a saída sugerida é enfatizar fontes de renda convencionais, tais como juros de empréstimos e tarifas de contas correntes, e retirar os investimentos das unidades com fraco desempenho.
Os bancos de países emergentes figuram como exceções à regra. Além de usufruírem de vantagens de custo expressivas em comparação com as instituições de mercados maduros, eles ainda têm bastante espaço pela frente para expandir os lucros com aumento de escala. Bancos com ativos entre US$ 501 bilhões e US$ 1 trilhão têm tamanho considerado ideal. As instituições financeiras brasileiras de varejo estão situadas um pouco abaixo dessa faixa, mas devem entrar para o time em breve.
Superar os desafios impostos no pós-crise implicará ainda ajustes nos modelos de relacionamento com clientes. Especialmente no caso dos bancos que ocuparam o epicentro da crise financeira, o trabalho de restabelecimento de confiança será árduo. A tarefa começa com uma compreensão mais profunda do tipo de cliente que está sendo atendido (ou que se pretende atingir). A IBM sugere, nesse sentido, uma classificação dos consumidores em seis segmentos, de acordo com hábitos de comportamento - e não a tradicional divisão por renda em três níveis.
As entrevistas feitas no Brasil revelam que a maior categoria (33%) é composta por "solicitantes ativos", clientes que prezam relacionamento com o banco. Outros 27% preferem informações acessíveis e produtos fáceis de ser comparados, além de ser suscetíveis a preços.
No México, o perfil dos clientes bancários é um pouco distinto. A maior categoria (37%) é de pessoas que querem informação acessível e preço baixo. Nos países desenvolvidos a maior parte dos clientes busca conveniência e reputação, já que a ideia é ter o mínimo envolvimento com as finanças. O segundo maior grupo de consumidores de países desenvolvidos é formado por pessoas que desejam conveniência, sem se importar com os custos. Clientes com "necessidades especiais", à procura de produtos de alta qualidade e serviços exclusivos, e aqueles preocupados com ética respondem, tanto nas economias emergentes como nas desenvolvidas, pelos segmentos com menores percentuais (média de 9,2% e 7,9%, respectivamente).
Rafael Dan Schur, executivo de desenvolvimento de negócios para o setor financeiro da IBM, destaca que essa nova classificação não deve substituir a tradicional estratificação por renda. "Trata-se de uma metodologia auxiliar, que serve para alimentar o banco de dados das instituições", diz. "Assim, os bancos podem trabalhar melhor a oferta de produtos e o atendimento por determinados canais."
No que tange a gestão de riscos, a proposta da IBM passa pela integração das análises de crédito, mercado e operacional. "O principal problema na crise não foi a falta de monitoramento, mas a falta de conexão entre os modelos de gestão", afirma Schur. "Quem securitizava os ativos hipotecários não tinha uma ideia precisa do potencial de estrago dos créditos concedidos pela força de vendas", diz.
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