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Bolha imobiliária na China é mais grave que a dos EUA, diz autoridade

01 de junho de 2010

Valor Economico (SP)

Geoff Dyer, Financial Times, de Pequim

Os problemas no mercado imobiliário da China são mais graves do que os dos EUA antes da crise financeira, porque combinam uma bolha potencial com o risco de descontentamento social, de acordo com um membro influente do banco central chinês.

Li Daokui, professor da Universidade Tsinghua e membro do comitê de política monetária do Banco do Povo da China, o BC do país, afirmou que as recentes medidas do governo para esfriar o mercado de propriedades precisam ser parte de uma investida de longo prazo para controlar os altos preços das propriedades.

Ainda há sinais de que a economia está superaquecida, segundo o professor, que recomenda aumentos modestos nas taxas de juros e no patamar da moeda.

"O problema no mercado residencial na China é, na verdade, muito, muito mais fundamental, muito maior do que o problema do mercado residencial nos EUA e no Reino Unido antes de sua crise financeira", afirmou, em entrevista. "É mais que [apenas] um problema de bolha."

As declarações ocorreram um dia antes do anúncio do Conselho de Estado de que havia aprovado um plano para reformar os impostos imobiliários, o sinal mais claro até agora de que o governo imporá, pela primeira vez, um imposto anual sobre algumas propriedades residenciais para domar a alta nos preços. A notícia provocou queda de 2,4% nas ações chinesas.

Os comentários de Li, extraordinariamente diretos, contrastam com a crescente visão entre economistas de que a crise na Europa levará a China a evitar mais medidas de endurecimento da política, como uma valorização cambial.

O primeiro-ministro da China, Wen Jiabao, reforçou essa impressão ontem, ao dizer que era cedo demais para as grandes economias retirarem suas medidas de estímulo econômico.

"Essa crise de dívida em alguns países europeus pode impedir a recuperação econômica da Europa", afirmou, em Tóquio. "A China se certificará de continuar tendo consciência da crise."

Para o professor Li, o alto custo residencial poderia desacelerar a urbanização e dessa forma afetar o crescimento futuro. A alta dos preços também é um ponto potencial de desgaste político, especialmente entre os jovens que se sentem excluídos do mercado imobiliário.

"Quando os preços sobem, muitas pessoas, especialmente, os jovens, tornam-se muito ansiosos", afirmou. "É um problema social."

Apesar da forte desaceleração nas vendas de propriedades e dos problemas na Europa, o professor chinês acredita que a atividade econômica ainda está forte demais. "A China corre o risco de estar à beira de um superaquecimento", disse.

O dirigente do BC acrescentou, contudo, que "a situação não está fora de controle".

Além de defender altas modestas nas taxas de depósito, que em termos reais estão negativas, Li afirmou que a valorização gradual da moeda ajudaria as empresas a preparar-se para quando o yuan esteja consideravelmente mais forte.

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