Mais da metade das indústrias ainda sente efeitos da crise
Sondagem da CNI mostra que dificuldade de acesso ao crédito e redução das exportações são as principais reclamações
Do total de empresas ouvidas pela pesquisa, 72% responderam que foram afetadas pela crise
Os efeitos negativos da crise econômica mundial, que atingiu o Brasil entre outubro de 2008 e o final do ano passado, ainda afetam 59% das indústrias do país, revela uma pesquisa da Confederação Nacional da Indústria (CNI), divulgada nesta quinta-feira. De acordo com a sondagem, realizada entre junho e julho com 1353 empresas, a redução das exportações e a dificuldade de acesso ao crédito são as principais reclamações do empresariado industrial.
A sondagem revela que, entre as indústrias que não retomaram os investimentos e que buscaram crédito, 59% consideram que o acesso a empréstimos está mais difícil que antes da crise. Já entre as empresas que retomaram os investimentos, apenas 27% afirmaram que a obtenção de financiamento está mais complicada.
Pela ótica das indústrias afetadas negativamente pela crise, 35% responderam que o acesso ao crédito continua mais difícil do que antes da crise. No entanto, para 51% delas, a facilidade de obtenção de recursos hoje é igual à observada anteriormente à crise.
Em relação às vendas externas, 51% das empresas exportadoras afirmaram que a demanda dos outros países por seus produtos é menor do que antes da crise. Para pelo menos 70% das indústrias dos setores de couros, madeira e máquinas e materiais elétricos que exportam, as vendas ao mercado estrangeiro diminuíram em relação ao período pré-crise.
A situação financeira é semelhante ou melhor hoje para 63% das empresas afetadas pela crise. Para 37% delas, a situação é pior. A inadimplência no mercado se mantém igual ao período pré-crise para 64% das indústrias e cresceu para 24%. Nos setores farmacêutico, edição e impressão e borracha, a inadimplência aumentou para, pelo menos, 40% das empresas.
Para 68% das empresas que sentiram os efeitos negativos da crise, a demanda interna é maior hoje ou permanece inalterada em relação à fase pré-crise, enquanto que para 32% o mercado doméstico se reduziu. A produção aumentou ou permanece a mesma para 63% das empresas e diminuiu para 36% delas. Em relação ao número de empregados, 69% responderam que houve crescimento ou se manteve estável, enquanto que para 27% houve redução.
Do total de empresas ouvidas pela pesquisa, 72% responderam que foram afetadas pela crise. Dessas, 90% afirmaram que o impacto foi negativo. Para 20 dos 27 setores da indústria de transformação analisados, os impactos da crise ainda não foram totalmente superados. Os setores que se declararam mais afetados foram calçados, couros, madeira e móveis.
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