Setor do trigo na Argentina trocará informações com o Brasil
O setor de trigo da Argentina, frustrado com a intervenção do governo no mercado de grãos, assinará um acordo na próxima semana para trocar informações com importadores do Brasil, maior mercado para o cereal argentino.
O objetivo será informar aos brasileiros qualquer mudança nas intervenções estatais nas exportações do cereal, que já não são tão grandes para o Brasil como foram no passado.
Além das travas governamentais, os produtores argentinos sofreram nos últimos anos com a seca afetando a produção e reduzindo a disponibilidade para o Brasil.
Produtores afirmam que há um descontentamento generalizado no mercado por conta de frequentes medidas de controle das exportações e dos preços tomadas pelo governo, que busca conter os custos de produtos básicos e garantir uma ampla oferta doméstica.
"É um absurdo. Nunca faltou trigo na Argentina", disse Alberto Frola, do grupo agrícola Carbap, acrescentando que o controle sobre as exportações tem punido produtores.
"Isso é também um problema para o Brasil, que se vê obrigado a comprar trigo de qualidade inferior com custos de frete maiores em outros mercados", disse Frola.
Alguns produtores também acusam a administração da presidente Cristina Fernández de ocultar deliberadamente dados da indústria e reduzir a transparência em acordos de grãos multibilionários.
O aumento do acesso às informações de oferta e demanda é o objetivo do acordo que o Carbap e outro grupo de produtores argentinos, Aaprotrigo, vão assinar com o Brasil na próxima semana durante um evento organizado pela Abitrigo, grupo que representa as indústrias brasileiras.
O acordo visa facilitar o mercado, detalhando a produção em ambos os países para permitir maior acesso a informações sobre a oferta da Argentina e a demanda do Brasil. Produtores também vão informar aos brasileiras sobre qualquer medida de possa afetar os embarques.
Em 2009, a Argentina vendeu 3,2 milhões de toneladas de trigo para o Brasil, de acordo com o Ministério da Agricultura. Esse volume representou 59% das importações brasileiras.
Entre janeiro e julho deste ano, a Argentina vendeu 2,7 milhões de toneladas de trigo para a maior economia da América Latina, o equivalente a 70% das importações totais.
As exportações canadenses, americanas e russas para o Brasil, insignificantes há uma década, hoje representam 8,5% das aquisições brasileiras.
O Uruguai e a Paraguai também ajudaram a preencher a brecha deixada pela Argentina. Os dois países exportaram mais de 800 mil toneladas para o Brasil no acumulado do ano.
A agência estatal argentina ONCCA, a qual controla o mercado agrícola, garantiu permissões para exportação de 3 milhões de toneladas da nova safra de trigo até o momento este ano.
Líderes da indústria de trigo disseram que outros 3 milhões podem ser aprovados para exportação, estimando uma colheita de cerca de 12 milhões de toneladas - o mesmo volume previsto pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos.
Nenhum comentário:
Postar um comentário