4.5.10

Salários fracos e dívida bruta

VINICIUS TORRES FREIRE


Em São Paulo, crescimento da massa salarial é um quarto da média nacional; dívida bruta do país começa a cair rápido
O EMPREGO e o salário não se recuperam tão bem em São Paulo como noutras partes do país. O mercado de trabalho paulista parece mais fraco que o da média nacional, ao menos segundo as estatísticas disponíveis. Na média nacional, a massa dos rendimentos cresceu 5,2% em março, segundo dados do IBGE divulgados na quinta-feira. Isto é, a soma dos rendimentos do trabalho de março foi esse tanto maior que faz 12 meses. Na região metropolitana de São Paulo, o crescimento da massa salarial foi um quarto disso: 1,3%. O avanço da massa salarial em São Paulo perde para os de Recife (15,7%), Salvador (4,3%), Belo Horizonte (12,4%), Rio de Janeiro (7,5%) e Porto Alegre (7%). São Paulo puxou a média nacional para baixo. Faz um ano, as coisas não eram assim. Em março de 2009, o avanço da massa salarial em 12 meses havia sido de 5,8% na média nacional. Em São Paulo, de 6,2%. Em março de 2008, a expansão da massa salarial havia sido outra vez de 5,8%. Em São Paulo, de 5,9%, praticamente a mesma coisa. Ainda segundo a pesquisa de emprego do IBGE, o salário médio caiu nos últimos três meses, sempre na comparação com o mesmo mês do ano anterior. Caiu 1% em janeiro, 2,6% em fevereiro, 4,5% em março. Na média nacional, a média dos salários caiu 0,4% em janeiro, mas subiu 0,9% em fevereiro e aumentou ainda 1,5% em março. Sim, parece que São Paulo está criando empregos, mas com salários menores. Nos dados do Ministério do Trabalho, isso fica aparente. Trata-se dos números do Caged, a respeito do saldo de empregos formais (contratações menos demissões). O Caged não é uma pesquisa, mas um registro do emprego com carteira assinada. Nos últimos 12 meses, o número de empregos formais cresceu 5,16% no Estado de São Paulo, ante 5,35% da média nacional. No primeiro trimestre deste ano, o crescimento do emprego com carteira assinada na região metropolitana de São Paulo também acompanhou o das demais metrópoles.

Dívida do governo
Muito se falou, após a crise, que a dívida bruta do setor público no Brasil havia crescido muito. Em geral, no Brasil se acompanha a dívida líquida (a dívida bruta menos os haveres dos governos). Em março, a dívida líquida era equivalente a 42,4% do PIB. No mesmo mês, a dívida bruta era de 60,4%. A dívida bruta subiu porque o governo tomou empréstimos no mercado para injetar dinheiro em bancos públicos, o grosso no BNDES, de modo a sustentar a continuidade do investimento e evitar recessão mais feia. Esses empréstimos aparecem apenas na dívida bruta. Mas o pessoal do mercado começou a dizer que esse aumento era preocupante, embora a dívida líquida permanecesse comportada. Mas essa dívida que o governo fez tem muita chance de ser paga. São empréstimos do BNDES, de baixíssima inadimplência. E a dívida bruta já tombou: de 63,1% para 60,4% do PIB, de fevereiro para março, segundo lembram os economistas do Bradesco. Começa a voltar para um nível anterior ao da crise (em dezembro de 2008, era de 56,3% do PIB). O mercado exagerou. vinit uol.com.br

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