4.5.10

Investidor mantém ceticismo sobre Grécia

04 de maio de 2010

Folha de S.Paulo (SP)

Apesar de pacote de 110 bilhões, permanecem dúvidas sobre capacidade de Atenas promover cortes no Orçamento

Títulos da Grécia têm recuperação apenas modesta, e euro recua; França e Alemanha pressionam Parlamentos a aprovar pacote

DA REDAÇÃO

Enquanto a chanceler alemã, Angela Merkel, fazia uma "blitz midiática" para tentar convencer os alemães de que a ajuda à Grécia era "a única forma de garantir a estabilidade do euro", investidores seguiram céticos em relação à eficácia do pacote de 110 bilhões.
A ajuda foi anunciada anteontem por FMI e União Europeia para salvar a economia grega de um colapso.
Há dúvidas também sobre a capacidade de Atenas de realizar os prometidos cortes no Orçamento, parte do acordo para receber o dinheiro. O plano de arrocho -que prevê reduções salariais e aumento de impostos- foi o estopim para manifestações e greves nos últimos dias, que devem continuar hoje (atingindo o setor aéreo e os hospitais públicos).
Para mostrar que o resgate recebe a celeridade devida, o gabinete de governo da Alemanha aprovou ontem a contribuição do país: 22,4 bilhões (R$ 51 bilhões) durante os próximos três anos.
A medida ainda precisa da aprovação do Parlamento. "A razão para essa lei é um último recurso, uma situação de emergência, na qual a Grécia não tem mais acesso aos mercados financeiros, e há um impacto na estabilidade do euro", afirmou Merkel.
A França planeja emprestar até 16,8 bilhões aos gregos ao longo dos próximos três anos. Em sessão para alterar o Orçamento francês -e permitir a liberação do aporte-, a ministra de Finanças da França, Christine Lagarde, afirmou que a Europa "não tem outra escolha". Dos 110 bilhões, 80 bilhões virão da UE; o resto, do FMI.
O diretor-gerente do Fundo, Dominique Strauss-Kahn, informou ontem que a instituição deve aprovar sua parcela até o fim de semana.
Em contraste com a euforia na recepção a pacotes anteriores do FMI, o rendimento dos títulos da Grécia caiu apenas ligeiramente com relação aos títulos alemães considerados como referência do mercado.
Eles recuaram aos níveis registrados dez dias atrás, antes do pânico quanto à possibilidade de calote grego (o que ampliaria o rombo nas contas dos bancos europeus e poderia infectar outros endividados, como Portugal e Espanha).
"Há pouca convicção de que essa seja uma solução rápida. A sustentabilidade de longo prazo desse nível de austeridade deve ser aberta a questionamento", disse Tony Morriss, estrategista sênior de câmbio do ANZ Bank em Sydney.

Convencimento
"Não parece que o mercado está convencido ainda. É isso o que o euro diz. O acordo ainda tem que passar pelos parlamentares e isso vai ser difícil", afirmou um operador europeu de câmbio. O euro caiu ontem a US$ 1,319 e acumula desvalorização de 12% desde dezembro.
Ontem, a Grécia também recebeu um empurrão do BCE (Banco Central Europeu), que comunicou que vai suspender o requisito de uma classificação mínima de qualidade de crédito para os ativos do governo grego usados em suas operações de sustentação de liquidez.
O apoio tem o objetivo de garantir que os esforços internacionais não sejam solapados por uma crise bancária ou novos rebaixamentos de classificação de crédito.


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