4.5.10

BC acena com nova elevação do compulsório

04 de maio de 2010

Valor Economico (SP)

Eduardo Campos

Já corre no mercado que o Banco Central prepara uma nova elevação nos depósitos compulsórios. O assunto circulava pelas mesas na segunda-feira e ganhou algum respaldo no breve comunicado apresentado junto com a decisão de abril do Comitê de Política Monetária (Copom) no qual o colegiado acenou que a alta de juros seria um movimento de continuidade no ajuste das condições monetárias.

Em fevereiro, o BC reverteu algumas medidas excepcionais de liquidez adotadas durante a crise. Depois de reduzir a alíquota cheia do compulsório sobre depósitos a prazo a 13,4%, a alíquota voltou a ser de 15% desde 9 de abril. Além disso, o recolhimento passou a ser feito em espécie e não em títulos públicos. Essa alteração, aliada a outras mudanças, devem tirar cerca de R$ 70 bilhões de circulação.

Mas até que ponto tal tipo de medida influencia no processo de alta de juros?

Segundo o vice-presidente de tesouraria do Banco West LB, Ures Folchini, esse tipo de medida faz sentido, pois seria complementar à elevação da Selic no atual momento de política monetária de viés restritivo, pois a quantidade de recursos disponíveis para empréstimos ficaria menor, tornando o crédito mais caro e seletivo. No entanto, vai contra um movimento estrutural de redução dos compulsórios. Folchini lembra que taxas tão elevadas são exclusividade do Brasil. Então, parece que continuaremos convivendo com a "jabuticaba monetária" de compulsório e juros altos para conter a economia.

Para o economista-chefe do Banco ABC Brasil, Luis Otavio de Souza Leal, um compulsório maior não deve ser utilizado como substituto ao aumento dos juros. Entre as ferramentas clássicas de política monetária, que também incluem o redesconto e as operações de mercado aberto, essa é a menos eficiente delas.

Outro ponto é que se tal aumento realmente vier a ser adotado temos de ver como ele será apresentado. Se seria apenas uma volta à normalidade, já que as reduções adotadas na crise ainda não foram inteiramente revertidas - ainda há R$ 20 bilhões a R$ 30 bilhões em circulação. Ou se seria algo "novo", com alíquotas ainda maiores.

Outra possibilidade também levantada pelo mercado como medida não usual de se fazer política monetária seria uma mudança nos critérios de Basileia, algo que impactaria diretamente na capacidade de alavancagem das instituições financeiras.

O ponto aqui é se o Banco Central compraria tal briga com o governo. Já que uma mudança nos índices de capital também bateria no Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), que está sendo utilizando pelo governo como "agente indutor" de crescimento. A União capitaliza o banco, que distribui crédito e financia a compra de empresas.

No câmbio, o mês já é outro, mas são os vendedores que continuam pautando os negócios. O dólar caiu para R$ 1,732 ontem, mesmo depois de duas atuações do Banco Central no mercado à vista. Falando nisso, os agentes esperaram os dados do fluxo cambial, que saem amanhã, para ver se confirmam os rumores de que entre quinta e sexta o BC tomou mais de US$ 2,2 bilhões.

Eduardo Campos é repórter

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