Estudo do governo destacou desonerações tributárias, redução na conta de luz e queda nos preços ao produtor como fatores que possibilitarão a desaceleração da alta dos preços
Guido Mantega prevê uma renúncia fiscal de 70 bilhões de reais em 2013
(Renato Araújo/Agência Brasil)
O Ministério da Fazenda publicou nesta quarta-feira o boletim "Economia Brasileira em Perspectiva",
que reúne dados da economia brasileira no primeiro trimestre deste ano.
Segundo o documento, a inflação de alimentos desacelerará ao longo do
ano e direcionará o Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA) para
baixo, garante o Ministério. "A inflação de alimentos encontra-se no
pico e registrará desaceleração nos próximos meses, o que redirecionará o
IPCA", afirma o texto.
A Fazenda baseou sua afirmação na percepção de que a oscilação dos
preços ao consumidor tem respondido, de maneira defasada, às variações
nos preços dos alimentos ao produtor, medidos pelo índice IPA-DI
agrícola. Os economistas do governo acreditam que a atual desaceleração
do índice agrícola terá reflexos no IPCA. O IPA-DI mostra forte
desaceleração desde julho de 2012. Em março deste ano, teve queda de
2,31%.
O governo manteve o tom otimista em relação ao crescimento econômico em 2013, apesar de os últimos dados mostrarem fraca recuperação.
Segundo o documento, "o Brasil começou 2013 com ritmo de crescimento
mais intenso", dando prosseguimento à trajetória de aceleração
verificada a partir do segundo semestre de 2012. Na avaliação do órgão,
os fundamentos macroeconômicos do país têm permitido enfrentar a crise
global sem maiores sobressaltos.
A Fazenda destaca também algumas desonerações tributárias que têm sido promovidas para estimular a economia, como as mudanças nas folhas de pagamento das empresas,
que englobam mais de 40 setores da economia. O boletim reitera as
projeções feitas pelo ministro da Fazenda, Guido Mantega, afirmando que a
renúncia fiscal em 2013 superará os 70 bilhões de reais, quase 2% do
Produto Interno Bruto (PIB). No ano passado, tal valor foi de 40 bilhões
de reais.
A redução na tarifa de energia elétrica
também foi destacada no relatório, que relata que a conta mais baixa
"já está gerando aumento da competitividade das empresas e ampliando a
renda disponível das famílias". A desoneração da cesta básica também foi lembrada no texto.
Infraestrutura - Segundo o boletim, o programa de concessões de
aeroportos, rodovias, ferrovias e portos também será fundamental para a
superação de gargalos na infraestrutura dos transportes, com aumento da
qualidade dos serviços e redução de custos de produção e distribuição. O
governo também considera o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC)
um instrumento essencial para garantir que o investimento se mantenha
como uma das principais forças impulsionadoras do desenvolvimento.
O boletim destaca que caberá aos investimentos em infraestrutura o
papel central na agenda das políticas públicas. "Isso levará crescimento
mais intenso no aumento da produção de bens de capital do país, o que
trará uma maior participação no PIB nos próximos anos", prevê o estudo.
(com Estadão Conteúdo)
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