O
Brasil é o país que acumula maior redução da taxa de desemprego desde
2008, segundo dados do Fundo Monetário Internacional (FMI) que abrangem
os 42 países que já divulgaram os números de 2012 sobre o mercado de
trabalho.
No ano em que estourou a crise financeira internacional,
7,9% da população ativa brasileira estava sem emprego; em 2012, essa
proporção passou para 5,5%, o que representa uma queda de 30% na taxa.
Os
números do FMI se referem à média de cada ano e vão só até 2012. No
entanto, dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE)
confirmam que a tendência de queda do desemprego se manteve no início
de 2013, apontando a menor taxa para meses de março desde 2002.
Mundo
A
Alemanha, no ranking do FMI, aparece em segundo lugar, com uma
diminuição muito próxima da brasileira, de 7,6% para 5,5%. O terceiro
país da lista é a Bolívia, onde o indicador foi de 6,9% para 5,5%.
A
taxa só caiu em 15 dos 42 países analisados. Em Portugal, na Bulgária e
na Espanha, o indicador de desemprego mais do que dobrou no período. Na
Grécia, mais que triplicou (veja tabela abaixo).
Os Estados
Unidos e a Índia são os dois únicos países, entre as maiores economias,
que não estão na lista do FMI, por não terem o dado fechado do
desemprego médio em 2012.
Mas para os EUA, o FMI tem uma projeção,
de que a taxa atingiu 8,1% no ano passado, contra 5,8% em 2012. Já a
Índia não conta com os dados oficiais nem com previsões.
Esta é a terceira postagem da série “Brasil no mundo”, em que o blog Achados Econômicos analisa a recém atualizada base de dados do FMI.
Nas duas primeiras, o blog mostrou que o país caiu 25 posições no ranking mundial do crescimento econômico e que voltou a ter uma taxa de investimento menor que a das nações ricas.
Essas
três comparações confirmam que o atual momento econômico brasileiro –
de um país emergente que combina mercado de trabalho aquecido e, ao
mesmo tempo, crescimento e investimento baixos – é um caso particular no
mundo.
A questão agora é saber por quanto tempo esse cenário vai
se sustentar e o que deve ocorrer depois, se uma recuperação nos demais
indicadores ou uma redução no nível de emprego.
Desemprego em países selecionados
| País | Taxa em 2008 (%)* | Taxa em 2012 (%)* | Variação (%)** |
| Brasil | 7,9 | 5,5 | -30,4 |
| Alemanha | 7,6 | 5,5 | -28,2 |
| Argentina | 7,9 | 7,2 | -8,6 |
| Rússia | 6,4 | 6,0 | -6,3 |
| China | 4,2 | 4,1 | -2,4 |
| Japão | 4,0 | 4,4 | 9,2 |
| México | 4,0 | 4,8 | 20,8 |
| França | 7,8 | 10,2 | 31,5 |
| Reino Unido | 5,6 | 8,0 | 44,3 |
| Itália | 6,8 | 10,6 | 56,8 |
| Portugal | 7,6 | 15,7 | 106,2 |
| Espanha | 11,3 | 25,0 | 121,2 |
| Grécia | 7,7 | 24,2 | 215,8 |
- * Porcentagem da população economicamente ativa
- ** Variação porcentual de 2008 a 2012
- Fonte: FMI
Metodologia
A
medição da taxa de desemprego varia muito de um país para outro. Por
isso, não é possível fazer um ranking indicando onde o desemprego é
menor e onde é maior.
Porém, é possível comparar cada país consigo
próprio. Se a taxa passou de 7,9% para 5,5% no Brasil, e de 7,6% para
15,7% em Portugal, é possível dizer com segurança que ela caiu aqui e
subiu lá.
Outro exemplo de comparação de pesquisas com diferentes
metodologias: o Dieese (Departamento Intersindical de Estatística e
Estudos Socioeconômicos) e o IBGE. Apesar de as duas instituições
apresentarem dados bem diferentes todos os meses, quando se observam as
tendências de longo prazo, os resultados são muito parecidos. Enquanto
na do IBGE, feita em seis regiões metropolitanas, a taxa caiu 30% desde
2008, na do Dieese, em São Paulo, a queda foi de 26%.
Há décadas
o IBGE adota um padrão menos rigoroso que o Dieese para definir o que é
estar desempregado. A atual série do instituto do governo, iniciada em
2002, e não mudou esse conceito.
Vale acrescentar, ainda, que os
números se referem à proporção de desempregados em relação à população
ativa. Uma queda nessa taxa não significa que menos pessoas estejam sem
emprego, e sim que esse contingente passou a representar uma parcela
menor do total de pessoas que fazem parte do mercado de trabalho.
Também
se deve notar que, em alguns países, a taxa cai menos porque já é muito
baixa. Na China, por exemplo, a redução foi de 4,2% para 4,1%.
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