Defesa pode
atrapalhar metas regionais de crescimento, disse Hasan Tuluy.Desafio é aumentar
produtividade para que esta seja 'a década da região'.
O vice-presidente do Banco
Mundial para a América Latina, Hasan Tuluy, advertiu neste domingo (18) que o
protecionismo pode comprometer as metas regionais de crescimento, mas enfatizou
que o maior desafio é aumentar a produtividade para que esta seja "a década
da América Latina".
A aplicação de medidas que
restringem o comércio "afeta a todos, vemos isso também na Europa, na
América do Norte", disse. "No longo prazo, colocará em perigo a
habilidade de atingir alguns dos objetivos que a região tem", considerou.
Tuluy destacou que para manter
taxas de crescimento robustas é necessário um aumento dos investimentos e do
comércio, o que "em geral requer uma previsibilidade maior".
Nesse sentido, considerou que há muitas medidas que podem
ser aplicadas - como uma política fiscal saudável ou o controle seletivo dos
fluxos de capital que entram no país com taxas de juros baixas - antes de
implementar restrições ao comércio, já que estas "afetam os consumidores,
reduzem a previsibilidade dos produtores e investidores, e tendem a ser muito
mais difíceis de reverter".
No entanto, para Tuluy, este "é um tema de curto prazo.
O principal desafio é a cruzada ou a batalha da produtividade".
Tuluy, que previu um crescimento da região de 3,6% ou 3,7%
este ano e um aumento do PIB de entre 4% e 4,3% em 2013, elogiou o desempenho
da América Latina na última década, com um crescimento sólido e políticas
macroeconômicas saudáveis e destacou que 73 milhões de pessoas saíram da
pobreza.
Mas considerou que para que esta seja a "década da
América Latina", o desafio para a região é o aumento da produtividade e da
competitividade, sobretudo para enfrentar a concorrência do leste asiático.
Para Tuluy, os desafios são melhorar a infraestrutura e a
logística, aumentar a inovação, a pesquisa e a qualidade da educação, e começar
a pensar em uma segunda geração de reformas em previdência social.
"Se atacarmos esses temas, esta pode se tornar a década
da América Latina, e os países latino-americanos poderão desempenhar papéis
cada vez mais importantes na definição da agenda global", assegurou.
O alto funcionário destacou, por outro lado, a importância
das associações entre nações para alcançar esses objetivos e considerou que a
complementaridade entre os diferentes países da região "será uma vantagem,
mais do que uma desvantagem" na hora de avançar juntos para o
desenvolvimento.
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