Em palestra para especialistas em macroeconomia estrangeiros e
brasileiros na FGV, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda
alertou que a variação da moeda da Austrália – o dólar australiano –
frente ao dólar dos Estados Unidos segue mês a mês a mesma curva de
apreciação e depreciação do real, apesar de conviver com uma taxa de
juro oficial equivalente a menos da metade da cobrada no Brasil. Nelson
Barbosa defende que a selic continue baixando, mas propõe outras medidas
para conter o câmbio.
Mesmo com uma taxa de juro oficial que equivale a menos da metade da
cobrada no Brasil, desde 2006 a variação da moeda da Austrália – o dólar
australiano – frente ao dólar dos Estados Unidos segue mês a mês a
mesma curva de apreciação e depreciação do real.
Esse é apenas um
dos sinais em que se baseia o governo brasileiro para concluir que
apenas a queda da selic, hoje em 9,75%, não evitará a valorização do
real, fonte de prejuízos à indústria do país.
O exemplo
australiano foi apresentado na última sexta-feira (23) pelo
secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, em
palestra para economistas especializados em macroeconomia na Fundação
Getúlio Vargas, em São Paulo.
Segundo Barbosa, analistas que
atuam no mercado financeiro estimam que a sobrevalorização do real
chegue hoje a 20%. Isso significa que se o preço do papel representasse o
valor real de produtos e serviços “made in Brazil”, ele atingiria em
torno de R$ 2,15 por dólar, e não os R$ 1,80 registrados atualmente.
Não
que os altos juros brasileiros deixem de influenciar o câmbio. O
secretário-executivo da Fazenda avalia que “desde o início da política
de câmbio flutuante, o real tende a se apreciar quando não há choques
domésticos ou internacionais”.
Mas estudos econométricos e o
próprio exemplo australiano indicam que atacar o juro alto não basta.
Barbosa levanta três hipóteses para o atual ciclo de apreciação cambial,
que, segundo ele, iniciou-se em 2006.
- Redução do “risco
Brasil” atrai dólares de investidores estrangeiros. As reservas
internacionais, que podem ser usadas em eventual turbulência, não
alcançavam US$ 50 bilhões em 2001, e hoje passam de US$ 350 bilhões.
-
Valorização dos preços das commodities exportadas pelo Brasil não só
ajuda a atrair mais dólares de investidores estrangeiros, como sinaliza
que o país pode “sustentar uma moeda mais valorizada”.
- A
elevação da renda per capita dos brasileiros eleva os preços dos
produtos no país, sobretudo no setor de serviços, o que influencia
preços relativos e gera apreciação cambial.
Diante dessas
hipóteses, Barbosa afirma que os contextos econômicos externo e interno
pressionam pela valorização do real no curto prazo, gerando volatilidade
no médio prazo.
Qual a solução?
Além de continuar a
reduzir a taxa selic, Barbosa defende a manutenção da flutuação cambial –
“facilita o ajuste da economia quando há choques estrangeiros e
domésticos” –, intervenções pontuais no câmbio, com compra de dólares
pelo BC e “regulação do fluxo do capital”, além de incentivos fiscais e
financeiros ao setor industrial.
“Mesmo que a apreciação cambial
seja temporária, ela pode durar tempo suficiente para causar efeitos
permanentes no desenvolvimento da economia”, alerta o
secretário-executivo do ministério. “E o crescimento do setor industrial
é crucial para o país”.
Fonte: www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19848
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