29.9.11

Corretor imobiliário fala sobre o mercado conquistense


Vitória da Conquista tem se destacado no cenário nacional como uma das cidade que mais cresce. São cerca de 320 mil habitantes, além de estar entre os três maiores municípios da Bahia. Diariamente, cerca de 50 mil pessoas de outros municípios circulam pela cidade.
Aliado a isso, o mercado de construção civil tem crescido a olhos vistos, em grande empreendimentos espalhados por toda cidade. A grande oferta de novos imóveis e as possibilidades para aquisição da casa própria, com facilidades proporcionadas pelo governo e instituições financeiras, têm uma influência direta no mercado imobiliário da cidade.
Para conversar um pouco mais sobre o setor imobiliário de Vitória da Conquista, o seu comportamento e expectativas, o Site da Cidade conversou com o corretor imobiliário e sócio de uma imobiliária da cidade, Leonardo Carqueija.
Leonardo Carqueija. Foto: Zé Silva

Site VC: Vitória da Conquista é uma das cidade que mais cresce no setor de construção civil no Brasil, de que forma isso influencia no mercado imobiliário?
Leonardo Carqueija: O setor imobiliário, como outros setores, responde a estímulos que são dados. A abertura da BR 116 na década de 1940, que foi um marco na relação de Conquista com as outras regiões, a implantação da cultura do café que veio a ser base para tudo isso, a chegada da Uesb  - que se tornou um celeiro de mão de obra na cidade, o aumento das instituições federais, como Polícia Federal, Justiça Federal, Ministério Público, e tantos outros, o amadurecimento das organizaçõe sociais, e a grande oferta de serviços em diversas áreas em Vitória da Conquista, fizeram com que ela se tornasse uma capital regional, atendendo cerca de 70 municípios baianos e 16 de Minas Gerais. O setor imobiliário se empenha para prestar serviços e ofertar produtos condizentes às necessidades de todo o sudoeste baiano e norte de Minas Gerais.
Site VC: Qual o perfil das pessoas que buscam a imobiliária?
Leonardo Carqueija: Todo nível de público, hoje, procura uma imobiliária. Antes era diferente, o público que procurava a imobiliária era um público de poder aquisitivo maior, mas hoje, é muito variado. Com a presença dos projetos do PAC, do governo federal, propicia que as camadas com uma renda mais baixa recorram às empresas de prestação de serviço para conseguir ter acesso a empreendimentos das construtoras. Além disso, começamos também a ter imobiliárias de bairro, propondo para o  mercado uma relação mais segura nas transações comerciais para as camadas de poder aquisitivo mais baixo. E hoje todo mundo procura qualidade, se você tem uma imobiliária de bairro que proporciona toda a segurança e estrutura para o cliente, com certeza ele vai procurá-la.
Foto: Zé Silva.

Site VC: Uma das grandes queixas é que o preço do aluguel de Vitória da Conquista é muito alto. O que define o preço cobrado pelo aluguel de um imóvel?
Leonardo Carqueija: Todos os preços, não só do mercado imobiliário, estão sujeitos à lei de demanda, da oferta e da procura. Além disso têm os custos de produção dos imóveis. Algumas pessoas reclamam que o preço está caro, mas se você for em Itapetinga, por exemplo, você vai ver o que o preço está muito próximo de Conquista e, às vezes, o aluguel lá hoje está mais alto que aqui levando em consideração o valor vendal do imóvel. Hoje em Conquista a oferta de imóveis está bem equilbrada com a procura, a cidade está num momento maduro para este mercado.
Foto: Zé Silva.

Site VC: Em relação à oferta e procura, nossa cidade está tendo um número elevado de construções, e isso aumenta ainda mais a oferta de novos imóveis. Essa situação não poderia levar a um colapso do mercado imobiliário em Conquista?
Leonardo Carqueija: Em 2008 eu estive num fórum de habitação popular em Belo Horizonte, e os números que foram apresentados lá revelavam que o número de unidades habitacionais que estão sendo construídas, não vai se aproximar de sanar o déficit habitacional do país, que é enorme. E esse déficit tem um número muito grande na zona rural, que ainda não está sendo olhado. Então, no Brasil você tem um déficit habitacional muito grande, com um número de pessoas que pagam aluguel, com pessoas que compartilham unidades (filhos que moram com os pais depois do casamento, ou até duas família compartilhando unidades), então a previsão de um boom é muito pequena. Porque há uma necessidade de moradia muito grande no Brasil.
Site VC: O que você acha do surgimento de diversos novos condomínios construídos cada vez mais afastados do centro da cidade?
Leonardo Carqueija: O governo, com o projeto Minha Casa Minha Vida, deixou por conta das construtoras encontrar as áreas urbanizadas para construir os seus projetos. Só que o país todo tem um déficit de área urbanizada, e como isso é algo que influencia diretamente no custo do empreendimento e a margem de retorno das construtoras é pequena, elas foram em busca de áreas mais baratas. São áreas mais distantes do centro da cidade e por consequência, desprovidas das estruturas governamentais, são pontos espalhados que não vão ter escola, posto de saúde, policiamento. O governo poderia ter feito algo parecido com um centro industrial, onde ele iria desapropriar uma área enorme, criando uma área central de governo e dividir em áreas que seriam vendidas com valor de mercado para as construtoras. Assim você não ia ter por exemplo mil habitações no anel viário.

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