O terremoto e o tsunami no Japão atingiram também a Bolsa de Valores local. A Bolsa japonesa afundou 10,55% na terça-feira, sob ameaça de desastre nuclear (hoje, avançou 5,68%). Para o investidor estrangeiro tanto faz onde está o problema. O fato é que ele existe. Então, o aplicador internacional foge dali. Daí a queda.
E essa queda no valor das ações pode afetar o Brasil? Para quem acompanha o mercado financeiro, sim. “O Japão foi responsável por 11% das vendas da Vale do ano passado”, diz Pedro Galdi, estrategista-chefe da corretora SLW.
Por outro lado, a crise é sinal de oportunidade. “Os japoneses vão precisar de aço, minério de ferro, cimento, petróleo, gás, combustível. Empresas como Gerdau, Aço Minas, Brasil Foods, Duratex e a própria Vale podem exportar mais”, afirma Galdi.
Mas assim como as empresas brasileiras pensam desta maneira, o resto do mundo também está de olho no Japão. “Serão gastos cerca de US$ 183 bilhões na recuperação do país. Vai ter investimento para muita empresa”, diz Galdi.
Para ele, os “day traders”, ou seja, investidores que compram e vendem ações várias vezes por dia, devem ficar atentos, pois deve haver muita oscilação na Bolsa brasileira.
Quem pensa no longo prazo pode se beneficiar, porque, segundo Galdi, a China vai continuar crescendo e os Estados Unidos estão se reerguendo. “E em seis meses o Japão volta a ser o que era antes.”
Para o analista da corretora Socopa, Osmar Camilo, a catástrofe no Japão está afetando todos os mercados internacionais. “Ela trouxe desequilíbrio aos mercados de commodities (matérias-primas) e semicondutores, dos quais o país tem quase um terço da produção mundial”, afirma Camilo.
Segundo ele, a grande questão é a Vale, cujas exportações dependem dos japoneses. “No curto prazo, as vendas serão interrompidas, mas vão se normalizando no futuro”, diz Camilo.
Influência
Para o educador financeiro Mauro Calil, além de afetar a Bolsa brasileira, a crise japonesa também pode abalar a economia brasileira. “Mas os japoneses vão se reerguer rapidamente. E os investidores estrangeiros logo voltarão”, afirma Calil.
A sócia da Kodja Investimentos Claudia Kodja afirma que os investidores estrangeiros, aliás, foram bem rápidos. “Numa economia globalizada, o clima de incertezas é suficiente para espantar os investidores”, diz Kodja.
Fonte: http://economia.uol.com.br/financas/investimentos/ultimas-noticias/2011/03/15/especialistas-dizem-que-crise-no-japao-chega-ao-brasil.jhtm
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