7.12.10

Governo

Mantega anuncia corte de subsídios e recursos no BNDES

Objetivo é abrir mais espaço para o setor privado no financiamento dos investimentos

07/12/10
Fonte: veja.abril.com.br

Ministro Guido Mantega

Segundo Mantega, cortes virão mas não devem atingir Bolsa Família (Nilton Fukuda/AE)

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse hoje que, após cumprir um papel anticíclico para impulsionar a economia brasileira no pós-crise, o governo pretende reduzir os subsídios e os recursos para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES), abrindo mais espaço para o setor privado no financiamento dos investimentos. "A partir de 2011, vamos reduzir gastos de custeio e subsídios, vamos reduzir recursos para o BNDES para o setor privado entrar", disse o ministro, durante seminário no Rio.

Segundo Mantega, nas próximas semanas o governo deverá anunciar medidas para ampliar o crédito do setor privado a longo prazo, dividindo esse papel com o BNDES. O ministro também disse, no seminário, que o governo vai "diminuir a política fiscal e abrir espaço para a política monetária, reduzindo a dívida publica e abrindo espaço para a queda dos juros".

Inflação -
Mantega voltou a dizer que a inflação brasileira está em trajetória tranquila quando excluídos alimentos e demais commodities. "Já falei para a FGV (Fundação Getúlio Vargas) que o problema dos IGPs (Índices Gerais de Preços) é que (eles) medem o preço do produto na produção", disse o ministro.

Dívida - Mantega também afirmou que a meta é que o País chegue ao fim do governo Dilma Rousseff com uma dívida pública de 30% do Produto Interno Bruto (PIB), ante os 41% projetados para 2010. Em 2011, segundo mostrou em uma tabela apresentada no seminário, a relação entre a dívida pública e o PIB será de 36,8%.

Corte de gastos -
Mantega está elaborando com o Tesouro um corte de gastos de custeio do governo a partir de 2011, que deverá afetar todos os ministérios. Ficarão de fora apenas os projetos prioritários, como o Bolsa Família. Segundo Mantega, os cortes ocorrerão sobre iniciativas em andamento e também sobre novos projetos que significariam aumentos de despesas. Ele citou como exemplo a Proposta de Emenda à Constituição (PEC) 300, que eleva os gastos da União e dos Estados, e o aumento do salário mínimo, cujo patamar no próximo ano não ultrapassará R$ 540.

"Essa redução (de gastos) abre espaço razoável para a redução dos juros. O Brasil está muito defasado em juros no cenário internacional", disse. Mantega explicou que os cortes de gastos não serão feitos de forma linear, mas serão feitos de maneira a não comprometer os principais projetos de cada ministério. Segundo ele, o Programa de Aceleração do Crescimento (PAC) também poderá ser afetado, mas "em uma questão de ritmo".

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