5.3.10

Crise afetou mais os homens que as mulheres

05 de março de 2010

O Estado de S.Paulo (SP)

Mulheres ocuparam mais vagas criadas em 2009

Ana Conceição

Os efeitos da crise global afetaram mais os homens que as mulheres no mercado de trabalho brasileiro em 2009, mas as desigualdades de renda persistem. É o que mostra a pesquisa "Trabalho e Desigualdades de Gênero", divulgada ontem pela Fundação Sistema Estadual de Análise de Dados (Seade) e pelo Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos Socioeconômicos (Dieese).

No ano passado, as mulheres ocuparam mais postos de trabalho criados e, por causa disso, a taxa de desemprego feminina recuou. Mas a pesquisa também mostrou que continua grande a diferença entre salários de homens e mulheres. "2009 foi um ano bom, mas precisaríamos de muitos mais como esse para equiparar a condição da mulher no mercado de trabalho", disse a socióloga Márcia Guerra, do Seade.

Na região metropolitana de São Paulo, a taxa de desemprego feminino caiu pelo sexto ano consecutivo em 2009, para 16,2%, de 16,5% em 2008. Entre os homens, houve elevação de 10,7% para 11,6% no período.

Segundo o Seade/Dieese, a redução do desemprego feminino deve-se à criação de vagas de trabalho em setores com presença notadamente feminina, como os serviços (1,6% das vagas) e o serviço doméstico (5,6%). Na outra ponta, houve forte redução do emprego na indústria (menos 7,4% de vagas para os homens), o setor mais afetado pela crise e com presença notadamente masculina.

Na questão salarial, embora o rendimento médio real por hora das mulheres tenha crescido 3% em 2009, para R$ 6,17, esse valor equivale a 79,8% do que ganham os homens na Grande São Paulo, embora acima dos 76,5% de 2008. A remuneração masculina caiu 1,4% no ano passado. Mulheres com nível superior ainda ganham 30% menos que os homens.

A pesquisa do Seade/Dieese também mostrou que o trabalho doméstico continua a ser alternativa de trabalho para as mulheres da região metropolitana de São Paulo, embora o perfil dessa trabalhadora esteja passando por transformações. Depois do setor de serviços, o serviço doméstico é o maior empregador da região mais rica do País. As trabalhadoras domésticas passaram de 19,2% da mão de obra ocupada em 2000 para 17% em 2009, enquanto as que trabalham em serviços foram de 50% para 53,5% no período.

Enquanto na Grande São Paulo os serviços domésticos ainda representam o segundo maior mercado de trabalho para as mulheres, em outras regiões do País o comércio está tomando seu espaço. O setor já é o segundo maior empregador em Porto Alegre (17% das trabalhadoras), Salvador (17,1%), Fortaleza (19,7%) e Recife (19,8%). O setor de serviços é o maior empregador do País. Nas principais regiões metropolitanas, responde por 55% a 61% da oferta do emprego tanto para homens como para mulheres.

Poupança tem maior captação para meses de fevereiro desde 95

05 de março de 2010

O Estado de S.Paulo (SP)

Aplicações somaram R$ 80,61 bi, as retiradas, R$ 78,27 bi e o saldo foi de R$ 2,33 bilhões

Fabio Graner, BRASÍLIA

Os depósitos em caderneta de poupança superaram os saques em R$ 2,33 bilhões em fevereiro, de acordo com dados divulgados ontem pelo Banco Central. Apesar de ter ficado abaixo dos R$ 2,62 bilhões verificados em janeiro, a captação líquida da poupança no mês passado foi a maior para meses de fevereiro desde o início da série do BC em 1995.

As aplicações na caderneta em fevereiro somaram R$ 80,61 bilhões e as retiradas, R$ 78,27 bilhões. Com a captação líquida no mês passado e os rendimentos creditados no período, que somaram R$ 1,42 bilhão, o estoque depositado na aplicação financeira mais popular do País atingiu R$ 326,96 bilhões. Em janeiro, o saldo era de R$ 323,21 bilhões.

A despeito do forte desempenho da poupança em fevereiro e também nos últimos meses, os dados mostram que a tão temida migração em massa de recursos dos fundos de investimento para essa modalidade não ocorreu.

Em fevereiro, o conjunto dos fundos de investimento, segundo dados da Associação Brasileira das Entidades dos Mercados Financeiro e de Capitais (Ambima), captou liquidamente R$ 8,8 bilhões. Quase metade foi para fundos de Renda Fixa ou referenciados no Depósito Interfinanceiro (DI), juro que baliza os empréstimos entre os bancos e que é próximo da taxa Selic. Ou seja, a caderneta engordou, mas foi acompanhada do crescimento das aplicações alternativas do mercado financeiro, refletindo principalmente o crescimento da renda do brasileiro.

Nos últimos 12 meses encerrados em fevereiro, a poupança teve ingressos líquidos de R$ 35,09 bilhões. Enquanto isso, o conjunto dos fundos captou R$ 100,9 bilhões. Os fundos de Renda Fixa captaram R$ 21,34 bilhões, os DI tiveram resgate líquido de R$ 5,12 bilhões e os multimercados (que operam em renda fixa e variável), ingressos de R$ 36,9 bilhões nos últimos 12 meses.

Quando começou a baixar agressivamente a taxa básica de juros (Selic) no ano passado, o próprio BC alertou para o risco de desequilíbrios no sistema financeira diante de patamares inéditos da Selic. O medo era que os investidores sacassem recursos dos fundos e fossem para a caderneta - que não é tributada e tem taxa fixa de 0,5% ao mês mais a Taxa Referencial (TR) - o que colocaria em risco não só a indústria de fundos, mas também a rolagem da dívida pública.

O governo chegou até a preparar medidas para reduzir a rentabilidade líquida da poupança, mas diante da reação antecipada dos partidos da oposição, o cálculo político prevaleceu e o governo engavetou a proposta.

Segundo o diretor de Tesouraria e Gestão de Risco do banco BES Investimento, Paulo Saba, a perspectiva de elevação dos juros neste ano ajuda a mitigar esse risco de migração. Além disso, ele avaliou que fatores como "tradicionalismo" dos clientes e o temor de que o governo adotasse medidas para reduzir o rendimento líquido da caderneta também contribuíram para evitar que tal movimento ocorresse.

O analista explicou que o crescimento da caderneta simultaneamente ao dos fundos de investimento é um reflexo da melhora na situação da economia, que eleva a renda e o emprego das pessoas físicas e o lucro das empresas. "Esse desempenho reflete uma economia mais pujante. Se a recessão prevalecesse, não haveria dinheiro indo para aplicações financeiras", argumentou. Segundo ele, a maior taxa de poupança também reflete o "excesso de liquidez" no sistema financeiro.

Produção industrial mostrou acomodação, diz economista

05 de março de 2010

O Estado de S.Paulo (SP)

Para Silvio Campos Neto, dados do IBGE indicam que existe uma recuperação, mas em ritmo moderado

Nalu Fernandes e Ricardo Leopoldo, AGÊNCIA ESTADO

O economista-chefe do Banco Schahin, Silvio Campos Neto, fez uma avaliação do desempenho da indústria ontem, no programa AE Broadcast Ao Vivo. Os dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) mostram avanço da produção industrial na base mensal e anual e leve retração da produção de bens de capital na comparação mensal. "Há uma recuperação, mas os últimos três meses têm mostrado alguns números apontando para alguma acomodação do ritmo de crescimento da produção", afirmou.

Campos Neto pondera que essa tendência de estabilização também é ilustrada pela combinação dos dados de bens de capital divulgada ontem pela Confederação Nacional da Indústria (CNI) com o Nível de Utilização da Capacidade Instalada praticamente estável em janeiro. "Existe uma recuperação, mas em um ritmo moderado."

Com base em comparações com dados anteriores, o analista observa que há ainda alguma ociosidade na indústria. No início de 2008, às vésperas do último ciclo de aperto monetário, a utilização da capacidade estava um pouco acima de 83%. "No dado de hoje (ontem), o número ficou em 81,4%, ou seja, vemos que existe uma pequena margem, pelo menos nessa comparação com o período passado."

Por um lado, argumenta Campos Neto, essa pequena margem talvez ajude a limitar as pressões inflacionárias no curto prazo. Mas os dados adicionais relativos ao mercado de trabalho já mostram um aperto, o que poderia deflagrar novos riscos, como de pressões de custos na cadeia produtiva.

"Neste momento, os dados ainda são um pouco controversos. Há recuperação da atividade, mas os números, em si, ainda não apontam a magnitude do risco inflacionário. É por isso que, por enquanto, defendemos que o ajuste do juro ocorra apenas a partir de abril."

O analista reconhece que, diante da alta das expectativas de inflação, o Banco Central talvez possa optar por um ajuste antecipado do juro, mas reforça que a projeção central é de início do aperto em abril, elevando a Selic em um total de 250 pontos base, para fechar 2010 em 11,25%. O analista prevê ainda que o IPCA deve fechar o ano em 4,8%, acima do centro da meta (4,5%).

Para Campos Neto, já na próxima reunião, este mês, o Comitê de Política Monetária (Copom) deve indicar que a taxa Selic vai começar a subir em abril. Segundo ele, o comunicado divulgado após a reunião já deverá trazer divisão de votos, com alguns membros do Copom votando pelo aumento e março. Um endurecimento também é esperado para o tom da ata.

Empresas saudáveis aproveitam Refis para renegociar dívidas

05 de março de 2010

O Estado de S.Paulo (SP)

Grandes grupos como CSN, Ultra, Braskem e Eletropaulo usaram recurso para reduzir provisionamento e lucrar mais

Paula Pacheco

O Programa de Parcelamento de Débitos da Procuradoria-Geral da Fazenda Nacional e da Receita Federal, apelidado de "Refis da Crise", foi generoso para grandes empresas, sem problemas de caixa, e, em tese, sem necessidade de adesão à renegociação oferecida pelo governo.

Graças ao pacote de ajuda federal, elas puderam reduzir o provisionamento no balanço e, com isso, aumentaram os ganhos. Foi o que aconteceu com a CSN, que teve um impacto positivo bem expressivo nos resultados do quarto trimestre de 2009, divulgados na semana passada. O grupo conseguiu abater no Refis R$ 507 milhões. A bolada turbinou o lucro, que chegou a R$ 745 milhões. Sem o programa, teria sido de R$ 238 milhões.

Na divulgação de resultado, a CSN confirmou a ajuda: "No 4T09, a adesão ao programa de recuperação fiscal (Refis) proporcionou um efeito positivo no resultado antes do IRPJ e CSLL de R$507 milhões".

Outras empresas seguiram a mesma trajetória. É o caso do Grupo Ultra, da AES Eletropaulo, da Braskem e da Klabin. O Ultra negociou no Refis R$ 134 milhões e também vitaminou o lucro. A companhia estimou o impacto sobre lucro líquido em R$ 17 milhões.

Cerca de 1,1 milhão de empresas aderiram ao Refis 4, mais que a soma de todas aquelas que integraram os três programas anteriores. Entre as de capital aberto, o Refis atraiu 11 empresas, como Hering, Portobello e Paranapanema.

Ao optarem pelo Refis, as empresas fizeram uma limpeza no balanço. Conseguiram um desconto que pode chegar a 50% nas dívidas tributárias no caso do pagamento à vista e transformam o valor provisionado em lucro. "Quem contava com dinheiro em caixa teve a facilidade de conseguir um desconto maior. Mas para o governo também é bom, porque as discussões poderiam se arrastar durante muito tempo na Justiça. E com o Refis o dinheiro entra no caixa do governo de imediato", diz Roberto Haddad, sócio da área de tributação da KPMG.

Raimundo Batista, sócio da Deloitte, avalia: "As grandes empresas se beneficiaram bastante". E explica: as companhias que questionam há anos as dívidas tributárias na Justiça sabem que a chance de ganhar a ação hoje não é a mesma do começo. Em alguns casos, decisões do Supremo Tribunal Federal já acabaram com as esperanças de vitória. "Então é melhor fazer um acordo e, se tiver dinheiro em caixa, pagar com abatimento a dívida que uma hora deverá ser quitada."

Além do desconto de 50% para o pagamento à vista, o Refis 4 deixou de cobrar Imposto de Renda sobre o valor que mais tarde vai virar lucro no balanço da empresa. Para Cláudio Yano, diretor da Ernst Young, o programa trouxe ainda outra vantagem em relação aos anos anteriores: no caso de um questionamento judicial, a empresa não precisa desistir de tudo que está sendo reivindicado para fazer parte do Refis. Ela pode abrir mão de apenas parte do que está sendo questionado. "Antes só aderia quem confessasse todas as suas dívidas", completa.

Para Yano, casos de grandes empresas que optaram pelo programa deixam a dúvida: "Muitos se perguntam se o Refis era realmente necessário". Sócio da BDO Consultoria, Lúcio Abrahão pondera que, se no Brasil não houve tanta insegurança jurídica, não haveria um volume tão grande de ações entre empresas e governo. "Aí programas de anistia como este não seriam necessários", argumenta.


O QUE ATRAIU AS EMPRESAS

O que foi o "Refis da crise"
Programa de parcelamento de dívidas com a União.

Quais eram as vantagens
Redução de multas, juros e encargos legais. O desconto era maior para pagamentos à vista e vai sendo reduzido quanto maior o número de parcelas.

Quem podia aderir
Todo contribuinte - pessoa física ou jurídica - com débitos tributários ou não com a Receita Federal ou a Procuradoria Geral da Fazenda Nacional.

O QUE PODIA SER PARCELADO

Débitos nunca parcelados, vencidos ate 30/11/2008, inscritos em dívida ativa ou não, ou já negociados no âmbito de outros programas como Refis, Paes e Paex.

Débitos decorrentes do aproveitamento indevido da aquisição de matérias primas e produtos intermediários com alíquota zero de IPI.

Débitos de Cofins das sociedades civis de prestação de serviços de profissionais liberais (como escritórios de advocacia).

PARCELAS MÍNIMAS:

R$ 50,00 para pessoa física.

R$ 100,00 para pessoa jurídica.

R$ 2 mil para empresas com aproveitamento de crédito indevido relativo ao IPI-zero.
85% do valor da média das prestações entre dezembro de 2007 e novembro de 2008 para inscritos no Refis.

85% do valor da prestação devida em novembro de 2008 para os inscritos no Paes e Paex.

Somatório das prestações mínimas de cada parcelamento para o contribuinte que estiver
inscrito em mais de um.

Emigrante volta, e remessa cai 34%

05 de março de 2010

Folha de S.Paulo (SP)

Retorno de brasileiros em razão da melhora da economia local e da crise em países ricos reduz envio de recursos

Na América Latina, queda das remessas foi de 15%, diz BID; México, que depende muito da economia dos EUA, tem recuo de 16%

DA REDAÇÃO

Com os brasileiros retornando para o país devido à melhora da economia, as remessas de trabalhadores do país que vivem no exterior foram as que mais caíram no ano passado na América Latina.
Segundo o BID (Banco Interamericano de Desenvolvimento), os brasileiros mandaram 34% menos dinheiro que em 2008, ou US$ 4,7 bilhões -o segundo maior montante na região, só atrás do México.
A explicação, segundo o organismo, é que os brasileiros, ainda antes da crise global, começaram a retornar para o país, "encorajados" pela melhora da economia. Outro motivo é que dois dos principais destinos dos brasileiros, os EUA e o Japão, enfrentam uma das piores crises econômicas da história. No Japão, o governo ofereceu incentivos para que os migrantes retornassem aos seus países.
O Banco Central, que também calcula a entrada de dinheiro de remessas, mas apenas pelos canais formais (o BID também projeta o ingresso informal, como por doleiros), disse que as remessas de brasileiros ficaram em US$ 2,2 bilhões no ano passado, ou 24% menos que em 2008.
O Brasil, além de receber menos dinheiro do exterior, está se tornando um polo de atração para os trabalhadores estrangeiros. No ano passado, os imigrantes (bolivianos, paraguaios, chineses, entre outros) enviaram US$ 669 milhões para seus países de origem, o maior montante histórico e 7% mais que em 2008.
Esse movimento de envio de dinheiro pelos estrangeiros tem início em 2004 e especialistas dizem acreditar que em dez anos o montante possa chegar a US$ 10 bilhões.
Além do Brasil, o México, extremamente dependente do mercado norte-americano, sofreu queda aguda. No ano passado, as remessas que entram na segunda maior economia latino-americana encolheram 16%, para US$ 21 bilhões.
No total, as remessas para os países latino-americanos recuaram 15% no ano passado, a primeira queda em um longo período -mesmo em 2008, quando a crise já atingia fortemente os EUA, o setor ainda conseguiu crescer. Elas somaram US$ 59 bilhões e estão em um nível inferior ao de 2006.
Em países como Haiti e Honduras, esse dinheiro é muito importante, ao representar cerca de 20% do PIB.

Grécia tem êxito em emissão de títulos

05 de março de 2010

Folha de S.Paulo (SP)

Anúncio de novo pacote fiscal reanima investidores, e país consegue captar 5 bi no exterior com taxas de juros mais baixas

Apesar da procura três vezes maior pelos papéis gregos, país ainda paga o dobro dos juros dos títulos da Alemanha e mais que Portugal e Brasil

LUCIANA COELHO
DE GENEBRA

Se o teste para a Grécia era o mercado, o país à beira do colapso parece ter passado, pelo menos num primeiro momento. No vácuo do aparente otimismo com seu novo pacote fiscal, Atenas vendeu ontem 5 bilhões (R$ 12,1 bilhões) em bônus de dez anos -e a demanda foi três vezes maior.
O ágio sobre os papéis recuou discretamente, mas continua alto: 6,25%, ou dois pontos a mais do que os de Portugal, outro país na linha de tiro dos investidores. A taxa é o dobro do que paga, por exemplo, a Alemanha, a maior economia do continente, mas cujo deficit orçamentário, ainda que metade do grego, estoura o teto imposto pela União Europeia.
A Grécia também paga mais que o Brasil para captar recursos. Na mais recente emissão de títulos brasileiros no exterior, os juros pagos foram de 4,75% ao ano, a taxa mais baixa da história para uma dívida com prazo de dez anos.
O êxito da Grécia ontem foi lido por analistas e pelo governo grego como um aval ao novo pacote de medidas fiscais, anunciado na quarta, que prevê reduzir em 30% o 13º e o 14º salários dos servidores, subir impostos sobre mercadorias e congelar pensões, entre outros.
Com o novo ajuste, Atenas espera economizar 4,8 bilhões -ou 2% de seu PIB- e satisfazer a Comissão Europeia, que havia considerado seu plano anterior bom, mas insuficiente para a meta de cortar 75% de seu deficit orçamentário de 12,7% do PIB até 2013, quatro pontos só neste ano.
A União Europeia elogiou, e, consequentemente, os mercados mostraram confiança. "Nossa crença é que essas medidas, e o apoio da UE a elas, asseguram que a Grécia conseguirá se financiar em condições aceitáveis por ora, mesmo que não haja um apoio europeu mais explícito", diz o banco americano JPMorgan em relatório a investidores. "Apoio explícito" é alusão a um anúncio efetivo de resgate, com data e valores, algo que a UE protela.
A Grécia tem mais 50 bilhões em dívida para rolar neste ano, e 23 bilhões vencem até o meio de maio.
Hoje, o premiê grego, George Papandreou, reúne-se em Berlim com a chanceler alemã, Angela Merkel. A Alemanha, e a França em menor escala, é vista como o provável fiador da dívida grega em um pacote que deve combinar ajuda direta dos governos à compra de títulos gregos por bancos privados.
Atenas já ameaçou ir ao FMI -o que soaria como um atestado de inépcia da UE- se não receber ajuda na vizinhança.
Mas a população alemã, bem como a maior parte dos políticos do país, é contra o resgate -84%, segundo pesquisa da BBC. Ontem, a capa do tabloide alemão "Bild" aconselhava os gregos a venderem suas ilhas para evitar a moratória.

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Colaborou a Sucursal de Brasília

Indústria cresce 1% e reverte as perdas do final de 2009

05 de março de 2010

Folha de S.Paulo (SP)

Bens intermediários se destacaram mais em janeiro, com a 13º alta consecutiva

Com a recuperação, produção se aproxima dos níveis verificados em setembro de 2008, antes de a crise afetar o setor, aponta IBGE

DENISE MENCHEN
DA SUCURSAL DO RIO

CIRILO JUNIOR
DA FOLHA ONLINE

A indústria brasileira cresceu 1,1% em janeiro em relação a dezembro, revertendo as perdas verificadas nos dois últimos meses de 2009. Em relação a janeiro do ano passado, a alta chegou a 16%. O crescimento, segundo o IBGE (Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística), teve "perfil generalizado".
Com a recuperação, caiu para -4,9% a diferença em relação à produção recorde verificada em setembro de 2008, quando os efeitos da crise econômica mundial ainda não tinham afetado o setor. Em dezembro, essa diferença chegava a -5,9%.
De acordo com o economista André Macedo, da coordenação de indústria do IBGE, o resultado de janeiro decorreu principalmente do bom desempenho nas fábricas de bens de consumo duráveis e de bens intermediários -esse setor possui peso de 55% no total da indústria.
No caso dos bens de consumo duráveis, a alta em relação a dezembro chegou a 8,6%, mas a taxa não foi suficiente para zerar as perdas registradas em novembro e dezembro. No último bimestre de 2009, a produção diminuiu devido à perspectiva do fim da redução do IPI e à concessão de férias aos trabalhadores de alguns segmentos, como o de celulares.
Para o economista do IBGE, o destaque da pesquisa foi a indústria de bens intermediários, que fornece produtos para a fabricação de outros bens, e teve alta de 2% ante dezembro, a 13ª seguida. Nesse período, a expansão no setor foi de 22,5%.
"Esse bom desempenho pode estar relacionado não só à normalização dos estoques na produção de bens finais mas também a uma recuperação do setor externo", afirma Macedo. Já a produção de bens de capital, principal indicador de novos investimentos na indústria, apresentou leve queda de -0,1% ante dezembro. O segmento de máquinas e equipamentos é o único cujo nível de atividade ainda está bem aquém do verificado no período pré-crise: a diferença chega a -11,6% em relação a setembro de 2008.
"A produção de bens de capital foi bastante atingida pelas expectativas no fim de 2008 em razão da crise, mas vem se recuperando numa velocidade importante", diz Macedo.

Metalurgia
A extração de minério de ferro e a produção de peças para veículos foram as atividades que mais cresceram.
O resultado de janeiro aponta que o segmento de produtos de metal teve alta de 12% ante dezembro.
Em relação a setembro de 2008, por exemplo, o desempenho de produtos de metal, excluindo máquinas e equipamentos, apresentou um incremento total de 14,4%.
Pelos resultados de janeiro, a metalurgia básica avançou 2,5% na comparação com o mês imediatamente anterior.
A produção de bebidas, em parte ligada ao setor de bens intermediários, também exerceu influência significativa na indústria nacional no mês de janeiro. Com alta de 8,1%, a produção de bebidas teve a terceira maior contribuição no resultado geral da indústria.