1.2.10

Recuperação da economia causa 'efeito chicote' nos EUA

01 de fevereiro de 2010

Valor Economico (SP)

Timothy Aeppel, The Wall Street Journal, de Peoria, EUA

A Caterpillar Inc. anunciou recentemente a seus fornecedores de aço que vai mais que dobrar os pedidos neste ano - mesmo se as próprias vendas da empresa não subirem.

De fato, a fabricante de máquinas pesadas aumentou as encomendas de todo tipo de suprimento, de pneus especiais a tubos hidráulicos e vidros laminados.

Como isso é possível? O crédito vai para o "efeito chicote", que está reverberando na economia dos Estados Unidos.

O fenômeno ocorre quando as empresas cortam ou elevam significativamente os estoques. Os economistas o chamam de efeito chicote porque mesmo pequenos aumentos na demanda podem causar uma grande reação na demanda por peças e materiais na cadeia de suprimento.

O efeito ganha implicações amplas enquanto as empresas correm para atender aos pedidos e voltam a encher as prateleiras de seus armazéns. Ele tem impacto em todo mundo, dos varejistas às indústrias que fornecem a graxa, os parafusos e o carvão necessários para fabricar outros produtos.

O modo como empresas grandes e pequenas respondem à mudança no mercado determina quais vão emergir primeiro da crise e voltar a crescer.

O Departamento do Comércio dos EUA anunciou sexta-feira que a economia americana cresceu a um ritmo anualizado e corrigido para a inflação de 5,7% no quarto trimestre, o mais rápido desde 2003. A maior parte do crescimento não foi motivada por uma alta do consumo, mas pela redução dos estoques das empresas, que, por isso, tiveram de produzir mais.

"A queima de estoque terminou", diz o diretor-presidente da Caterpillar, Jim Owens, um PhD em economia que desde 2004 comanda a maior fabricante de máquinas de mineração e construção civil.

A Caterpillar, que tem sede nesta cidade de Illinois, comentou em seus resultados trimestrais que espera se beneficiar este ano da reposição de estoques.

A empresa anunciou uma queda de 65% no lucro do quarto trimestre ante igual período de 2008, para US$ 232 milhões, com queda de 39% no faturamento, para US$ 7,89 bilhões.

A grande pergunta daqui para a frente é se os fornecedores estão bem posicionados para aumentar a produção. Gargalos e outras dores de cabeça podem ocorrer quando a escassez no mercado à vista causar altas inesperadas nos preços e criar obstáculos à capacidade das empresas de atender à demanda.

Por isso que a Caterpillar tomou um passo incomum no fim do ano passado, visitando fornecedores importantes para garantir que tinham recursos para aumentar rapidamente a produção. Nos casos mais extremos, a fabricante de máquinas até ajuda os fornecedores a obter financiamento.

A Caterpillar afirma que mesmo que a demanda por seus equipamentos fique estagnada este ano - uma projeção pouco provável que chama de cenário "Grande Recessão" - ela ainda precisará aumentar a produção de suas fábricas em 10% a 15% só para manter os estoques das concessionárias e atender à demanda que já existe.

Enquanto isso, a produção dos fornecedores da Caterpillar teria de aumentar 30% a 40% nesse cenário, porque a Caterpillar também terá que recuperar seus próprios estoques. Mas os executivos da Caterpillar apostam mesmo é no crescimento.

Neste caso, a demanda por peças vai crescer ainda mais. Se a Caterpillar aumentar a produção 15%, diz Owens, "muitos de nossos fornecedores mais que dobrariam as vendas" para a empresa.

Um salto nos pedidos é certamente uma boa notícia para empresas famintas por negócios, especialmente num momento em que a volta do crescimento econômico ainda não se traduziu em mais empregos.

Durante a crise, as empresas cortaram em US$ 207 bilhões os estoques, o que as ajudou a economizar caixa para sobreviver à turbulência econômica.

A mudança de ares se tornou visível em outubro, quando os estoques das empresas americanas aumentaram US$ 4,1 bilhões - o primeiro mês de expansão desde agosto de 2008, pouco antes de o colapso do Lehman Brothers derrubar os mercados mundiais de crédito. No quarto trimestre todo, os estoques totais caíram a um ritmo anualizado de US$ 33,5 bilhões, em comparação com US$ 139,4 bilhões no trimestre anterior.

A recuperação dos estoques é mundial. Jay Feldman, economista sênior do Credit Suisse, diz que os EUA já compram boa parte de seus estoques no exterior, e "diante disso não é surpresa que tivemos essa mudança nos estoques na mesma hora em que tivemos uma mudança nas importações".

Mas o efeito chicote nos estoques pode se tornar um obstáculo, especialmente no cenário econômico atual. Isso porque a recessão criou problemas persistentes que podem atravancar a capacidade dos fornecedores de responder a uma alta repentina no número de pedidos.

Muitos deles são empresas pequenas prejudicadas pelo aperto de crédito e que continuam tendo dificuldade para obter empréstimos.

O fluxo de novos pedidos aos fornecedores pode incentivar os bancos a começar a emprestar mais a eles. Mas se isso não ocorrer rapidamente podem surgir gargalos e escassez se os fornecedores atrasarem as entregas ou negarem pedidos porque não têm como pagar os materiais ou contratar mais operários. Os preços subiriam.

Altas súbitas nos estoques também inspiram menos confiança que o crescimento da demanda real. Alguns empresários provavelmente temem que a recuperação vai se apagar quando os estoques forem preenchidos, então adiam as contratações ou outros investimentos até estarem certos de que a demanda real está crescendo. "Isso não vai seguir tranquilamente", prevê William Strauss, economista sênior do Federal Reserve Bank de Chicago. "Ficaria muito surpreso se todo mundo conseguir crescer no ritmo que deseja."

Um fator que pode complicar as coisas é a China. A Caterpillar, como muitas outras empresas, está contando com o crescimento do país para alimentar uma recuperação mundial. Mas alguns analistas alertam que a China pode desacelerar muito se Pequim tentar baixar a inflação.

As vendas da Caterpillar na China são relativamente pequenas - cerca de 5% das vendas totais de 2008 -, mas seu mercado está crescendo rapidamente. E a economia da China tem impulsionado as cotações mundiais de commodities, o que, por sua vez, afeta a demanda por máquinas da Caterpillar em superpotências dos recursos naturais como Austrália e Arábia Saudita.

Calote de empresa cresce 19% em 2009, diz Serasa

01 de fevereiro de 2010

Valor Economico (SP)

Karin Sato, de São Paulo

A inadimplência das pessoas jurídicas aumentou 18,8% no ano passado, na comparação com 2008, segundo pesquisa da Serasa Experian. Trata-se do crescimento mais significativo desde 2001. Os títulos protestados foram os que tiveram maior representatividade no calote das empresas, com 41,5% de participação no indicador, o que denota ligeira queda ante os 41,7% registrados em 2008.

Os cheques sem fundo aparecem em seguida, com 38,6%. Em 2008, esse percentual foi de 39,1%. Já as dívidas com bancos somaram 19,9%, uma alta perante os 19,2% verificados ao longo de 2008.

Se os débitos com bancos tiveram a menor participação no indicador de inadimplência, o mesmo não pode ser dito do valor médio desse tipo de dívida, que foi de R$ 4.569,30, o que resultou em uma alta de 3,9%. O valor médio dos cheques sem fundo, por sua vez, foi de R$ 1.736,13, o equivalente a um crescimento de 9,4% ante 2008. Por fim, o valor médio dos títulos protestados foi R$ 1.679,83, uma alta de 26,2% em relação ao calendário anterior.

Os economistas da Serasa creditam a expansão da inadimplência das empresas ao cenário de incertezas no ano passado, que gerou aversão ao risco e impôs menor liquidez aos negócios.

Segundo eles, faltaram opções de financiamento às empresas, embora o crédito ao consumidor tenha se recuperado no período. Com isso, foi necessário reduzir custos, o que levou a cortes no quadro de funcionários e ao adiamento de investimentos. As exportadoras foram as que mais sentiram as consequências da crise. "A recessão e o baixo crescimento das principais economias globais, juntamente com a valorização do real, afetaram diretamente seus negócios", explicou a Serasa em nota.

A expectativa para 2010 é de crescimento do crédito às empresas em ritmo mais acentuado do que o do financiamento ao consumidor, o que deve resultar em queda na inadimplência das pessoas jurídicas ao longo do primeiro semestre deste ano.

Grandes riscos vêm da Grécia e demais PIGS

01 de fevereiro de 2010

Valor Economico (SP)

De Paris


O aumento no déficit público de países como Portugal, Irlanda, Grécia e Espanha (os chamados PIGS) é um dos principais riscos para a economia internacional e para as companhias neste momento, na visão de Yves Zlotowski, economista-chefe da Coface. Esses países terão de passar por restrições de orçamento público que reduzem o crescimento econômico em um ano no qual o seu Produto Interno Bruto deverá ainda se retrair, 0,6% em Portugal, 0,8% na Irlanda, 0,4% na Espanha e 0,7% na Grécia, segundo estima ele.

"A crise de dívida de um país da zona do euro como a Grécia é uma situação muito nova, que traz muitas incertezas", comentou ele, durante almoço. "Não sabemos como os outros países da União Européia vão se comportar, como o Fundo Monetário Internacional vai atuar", afirma. Para complicar, há instabilidade política forte e oposição aos planos de aperto fiscal do governo, o que reduz sua capacidade de fazer o que precisa ser feito para pagamento dos credores, comenta Zlotowski.

Não é à toa que a Grécia foi um dos cinco países do mundo com os quais a Coface atua que teve sua classificação de risco de crédito piorada pela seguradora no início deste ano. De uma escala de "A1" a "D", a Grécia teve a sua nota "A3" colocada em perspectiva negativa. A nota de crédito da Coface dada para um país mede o risco médio de não-pagamento de companhias nesse país. Leva em consideração perspectivas para o crescimento econômico e político do país, o clima para negócios e experiências passadas de pagamento das empresas.

A nota do Brasil é "A4" pela Coface e não foi alterada durante toda crise de crédito, apesar do aumento da inadimplência de empresas no país. Segundo Zlotowski, a nota "A4" já prevê instabilidade de pagamentos. "O país sofreu, mas se saiu bem, no contexto, graças à atuação dos bancos públicos que ampliaram sua atuação no crédito para as companhias", disse. A nota da China e da Índia é "A3" e também não mudou na crise, enquanto países como os Estados Unidos, França, Japão e Alemanha, que eram "A1" antes da turbulência financeira, passaram para "A2". "Os emergentes, sem dúvida, foram os ganhadores na crise", diz.

Para Zlotowski, o mundo ainda apresenta uma recuperação frágil, com capacidade ociosa da indústria em níveis recordes, e há risco de bolhas de investimento na China. Para o Brasil, além da instabilidade vinda de fora, um dos grandes perigos, segundo ele, é a perda de competitividade no comércio internacional por causa da moeda forte em relação a países como por exemplo a China.

O mercado financeiro já vê risco maior de moratória dos governos da Grécia, de Portugal e da Irlanda do que do Brasil. O prêmio de risco do swap de crédito (Credit Default Swap - CDS) de cinco anos do Brasil era de 144,1 pontos básicos na sexta-feira, contra 399,2 da Grécia, 151,6 da Irlanda e 161,7 de Portugal.

A repórter Cristiane Perini Lucchesi viajou a convite da Coface

Meirelles e Mantega falam em deixar câmbio valorizar

01 de fevereiro de 2010

Valor Economico (SP)

De Davos

O governo está decidido a deixar a taxa de câmbio se desvalorizar para ajustá-la ao aumento do déficit das contas externas. E considera ter reservas em moeda internacional suficientes para atuar ou evitar movimentações bruscas no mercado de câmbio, segundo demonstraram o ministro da Fazenda, Guido Mantega e o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, durante o Fórum Econômico Mundial.

Nos últimos dias, têm chegado a Brasília notícias preocupantes sobre a volta de operações de hedge (seguro contra variação de câmbio) feitas por empresas brasileiras, apostando na manutenção da taxa em níveis inferiores a R$ 2 por dólar. O governo tem desencorajado essas operações, que, no auge da crise, levaram empresas como a Sadia e a Aracruz Celulose a sérios problemas financeiros.

No campo das contas internas, no esforço para tentar aprovar ainda no início do ano a criação de um teto legal de reajuste para os salários do funcionalismo público, o ministro da Fazenda, Guido Mantega, irá à abertura dos trabalhos da Câmara dos Deputados pedir pressa na votação do projeto que fixa o aumento salarial do setor público em, no máximo, 2,5% acima da taxa de inflação.

"Já aprovamos no Senado, estou confiante de que será aprovado também na Câmara, trabalharei para isso", disse o ministro ao Valor, pouco antes de deixar Davos. "Se tivermos crescimento de 5% do PIB, o gasto vai crescer metade disso", disse. "Para funcionar tem de ter crescimento da economia; os próximos governos estarão condenados a fazer a economia crescer."

Mantega minimizou o efeito do crescimento econômico sobre as contas externas, que devem ter um déficit em contas correntes de pelo menos US$ 45 bilhões neste ano, a ser coberto principalmente com investimentos diretos. "O aumento do déficit era quase inevitável, estava previsto, reflete a crise", argumentou. "Tende a ser revertido a partir de 2011 ou 2012, quando teremos um real menos valorizado e o próprio deficit cumprirá seu papel de mudar o patamar de importações e exportações", previu.

O presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, no mesmo tom, também vinculou a administração do déficit em conta corrente ao controle fiscal e da inflação. "Em razão da estabilidade econômica alcançada nos últimos anos, o Brasil reúne as condições necessárias para receber investimentos estrangeiros diretos em volume suficiente para financiar seu déficit em conta corrente nos níveis previstos atualmente", declarou ele ao Valor.

Meirelles deixou claro que, em caso da aumento do déficit em contas correntes, o governo não hesitará em usar reservas em moeda estrangeira para evitar estrangulamento de liquidez (falta de dólares) enquanto a cotação do dólar se elevar para ajustar a economia à nova situação.

"Caso o aumento do déficit venha a ocorrer, diferentemente do passado, haverá um ajuste natural, e não uma crise, visto que, nesse quadro, a combinação de câmbio flutuante e reservas elevadas garantirão o tempo e a serenidade para que o mercado reveja gradualmente suas apostas e para que o processo de ajuste das taxas de câmbio ocorra de forma saudável para a economia", ditou o presidente do BC, com a cautela de quem redige uma nota oficial. "Como temos repetido, não temos meta de taxa de câmbio, trabalhamos com meta de inflação."

Preocupado em demonstrar o compromisso com o controle fiscal no ano de eleição presidencial, Mantega informou que o governo quer lançar também no início do ano um novo sistema de comparação de gastos nas diversas unidades de governo, para verificar aumentos indevidos de despesas ou desperdício orçamentário.

"Vamos estabelecer uma espécie de central de custos no governo para acompanhar os gastos das principais unidades de despesa da federação", disse o ministro. "Vamos aprimorar o que já existe e lançar acompanhamento dos principais gastos da União."

Mantega não descarta novas medidas de alívio aos exportadores. A falta de avanços nesse tema se deveu à "falta de espaço fiscal para novas bondades", reconhece ele. "Não havia espaço para maior devolução de créditos (sobre impostos recolhidos indevidamente)", disse o ministro, acenando com uma ligeira possibilidade de mudança de política neste ano. "Temos de ver a arrecadação; se sobrar espaço, faremos (novas medidas de alívio fiscal aos exportadores)."

O que já está definido é a ampliação das linhas do BNDES para financiamento à exportação. Segundo Mantega, está confirmada a expectativa de se iniciar a operação ainda no começo do ano, de novas facilidades do banco para venda de máquinas e produtos brasileiros a clientes nos mercados em desenvolvimento e países de menor renda, na América Latina e África. Com o BNDES Exim automático, o banco pretende credenciar redes de bancos nos países dessas regiões para operarem como agentes financeiros, em sistema similar ao que é feito hoje dentro do Brasil.

"Estamos trabalhando em regras de modo a fazer grande escala no financiamento de produtos como máquinas agrícolas", disse Mantega. "Queremos financiar importação de produtos brasileiros na Argentina, Peru, Colômbia etc."

Mantega teve uma breve participação no Fórum Econômico Mundial, em uma mesa redonda sobre Brasil e uma entrevista coletiva. Um dia antes, declarou, ainda em Zurique, onde se hospedou ao chegar à Suíça, que o governo começaria a retirar os estímulos criados no auge da crise financeira, em 2008, a começar pelas isenções de impostos para produtos como eletrodomésticos da linha branca e automóveis. Por trás da decisão há a preocupação do ministro em evitar que o Banco Central eleve os juros para desaquecer a economia brasileira e evitar excesso de consumo e inflação. (SL)

Temor de crise com desequilíbrio de EUA e China

01 de fevereiro de 2010

O Globo (RJ)

Presidente do BC brasileiro acredita em melhora no sistema financeiro, mas não descarta nova turbulência global


ENTREVISTA Henrique Meirelles

DAVOS. Para o presidente do Banco Central, Henrique Meirelles, uma nova regulamentação dos bancos e instituições financeiras vai melhor o quadro global. Mas ele alerta: há o temor de que apenas arrumar o sistema financeiro não impeça outra crise. É preciso, segundo Meirelles, resolver um desequilíbrio central: o fato de os Estados Unidos continuarem consumindo muito, e a China, muito pouco.


Deborah Berlinck Enviada especial

O GLOBO: Constatou-se que não há solução rápida para a confusão deixada pela crise: endividamento dos governos e desemprego. O FMI queixa-se de falta de coordenação e lentidão na reforma do sistema financeiro.

Qual sua avaliação?

HENRIQUE MEIRELLES: Dis cutiramse aqui dois temas interrelacionados.

O primeiro é o desequilíbrio macroeconômico global. Durante a última década, temos visto os Estados Unidos consumindo muito, com baixo nível de poupança, alta alavancagem, déficits em conta corrente e público. Já a China tem baixo nível de consumo doméstico, alto nível de exportação e poupança. A China usa a poupança para financiar o déficit
americano. Dentro desse processo, tivemos os problemas regulatórios dos mercados financeiros americano e europeu.

E agora?

MEIRELLES: Agora o foco da discussão é a nova regulamentação que está sendo estudada, por decisão do G-20, pelo Conselho de Estabilidade Financeira, que está emitindo diretrizes que serão reguladas pelo Comitê da Basileia. Espera-se que estas sejam totalmente implementadas até o início de 2012. Espera-se que todos os países sistemicamente importantes adotem esse padrão. Paralelamente, alguns países, como EUA e França, podem tomar decisões individuais.

O que já estão fazendo…

MEIRELLES: Sim. O que se discute é que essas decisões (individuais) deveriam ser consistentes com as diretrizes do Conselho de Estabilidade Financeira.

O tom do diretor-gerente do FMI, Dominique Strauss-Kahn, foi de queixa: o processo de regulamentação está lento e tem que ser mais bem coordenado.

MEIRELLES: Não ouvi e não vou comentar. Acho que os trabalhos do Conselho de Estabilidade Financeira e do Comitê da Basileia estão num ritmo adequado.

A questão é saber até que ponto os países vão, de fato, adotar essas regulamentações. A questão prudencial do sistema financeiro é uma parte importante da crise. Mas como resolver o desequilíbrio entre EUA e China? O receio que temos é sair da crise com o mercado financeiro mais bem regulado, mas continuar com esse desequilíbrio.

Se ele persistir, o que ocorre?

MEIRELLES: O que se teme é que isso possa gerar uma nova crise. Mas alguns acham esse processo não chegará ao extremo porque não haverá o sistema financeiro para alavancá-lo. A China argumenta que uma solução é os EUA adotarem uma política monetária mais realista, subir a taxa de juros e dar menos liquidez ao dólar — este se valorizaria mais, puxando a moeda chinesa. Os americanos acham que não. E dizem que a China deveria valorizar sua moeda por conta própria, na medida em que não há necessidade de ela estar atrelada ao dólar.

O senhor vê uma solução?

MEIRELLES: Acho que a solução vai se dar de duas formas e será gradual. De um lado, a regulamentação mais rígida nos EUA diminui a alavancagem da sociedade americana, o que vai diminuir o consumo e aumentar a poupança. E o aumento do poder de
compra dos chineses é real hoje. Ou seja, o desequilíbrio vai ser gradualmente reduzido, mas não na velocidade que muitos esperavam que fosse, como resultado da crise.

Há outra preocupação?

MEIRELLES: O endividamento dos países que sofreram com a crise.

Até que ponto todos esses desequilíbrios podem afetar emergentes, como o Brasil?

MEIRELLES: Desequilíbrios geram crises, que são sempre negativas. Mas o Brasil está particularmente bem preparado hoje, melhor que outros países, para enfrentar crises. Agora, evidentemente, desequilíbrio e crise não são bons para ninguém.

E o que precisamos fazer para estar mais bem preparados?

MEIRELLES: Manter a atual política macroeconômica.

Depois dos bancos, tudo pelo emprego

01 de fevereiro de 2010

Jornal do Brasil (RJ)

Primeiro Caderno

NÃO DEIXA DE SER CURIOSO QUE enquanto o Brasil, na última quinta-feira, comemorava a taxa de desemprego de 6,8%, registrada em dezembro, a mais baixa desde 2002, quando o IBGE iniciou a série estatística, o governante do país mais rico do mundo acabava de anunciar, na véspera, que a maior prioridade de sua administração em 2010 será a geração de postos de trabalho.

Em seu aguardado primeiro discurso sobre o Estado da União, o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, lembrava que o pior da tempestade – a grave crise econômica que o país enfrentou e levou de roldão o resto do mundo – já passou. Mas ainda resta o cenário de devastação. O principal a reconstruir, afirmou Obama, é a retomada do patamar de emprego. Hoje, um em cada 10 americanos está à procura de trabalho.

Essa é uma das principais razões para a queda de popularidade do presidente americano. Depois de aparecer como um fenômeno eleitoral, Obama tem, segundo as pesquisas, apenas 50% de aprovação, o que faz dele o segundo mais mal avaliado presidente dos Estados Unidos ao fim do primeiro ano de governo. Para quem chegou carregando tantas esperanças, é uma perda vertiginosa de prestígio. Vale lembrar, contudo, que apesar de todo o alvoroço e a impressão de uma eleição arrasadora, a vitória sobre o republicano John McCain foi bem menos folgada do que se esperava.

Parte da culpa desta atual impopularidade é do próprio Obama. Outra parte não, já que ele herdou da administração desastrosa de George W. Bush um país mobilizado em duas frentes de batalha desgastantes, no Iraque e no Afeganistão, e a crise financeira, a maior desde o crack da Bolsa de Nova York, em 1929, que fez americanos perderem não só seus empregos, como suas residências. Em seu discurso, repleto de referências a histórias e conversas que travou pessoalmente com cidadãos comuns em vários estados do país, Obama citou a pergunta de uma criança, como a expressão da angústia de uma nação: “Por que eu tenho que sair da minha própria casa?”.

Mas a herança maldita do governo Bush não incluiu só os efeitos imediatos da crise que caiu no colo do sucessor, mas também todo um arcabouço viciado de instituições e regras do sistema financeiro. É esse mercado desregulado, em que grandes bancos pegam o dinheiro do cidadão e do poupador comum para jogá-lo num arriscado cassino, que Obama tem – mais corajosamente do que demagogicamente – tentado coibir. Por causa disso, dessa disposição de enfrentar interesses poderosos, incrustrados no establishment de Washington e seus lobistas, o presidente enfrenta resistências cujas fontes primárias estão nos setores mais conservadores da sociedade americana. São as mesmas forças que impedem a aprovação de sua ousada reforma do sistema de saúde, algo inspirado e que aproximaria os Estados Unidos de um modelo de Estado de bem-estar social, tipicamente europeu e de influência socialista.

Em virtude destes movimentos de oposição e de uma desconexão com os eleitores, admitida como falha pelo próprio presidente, Obama perdeu as rédeas curtas que tinha da situação.

No primeiro ano, sua obrigação foi salvar os bancos da quebradeira. Neste segundo, o desafio será devolver à população os 7 milhões de empregos perdidos na crise.

18.12.09

Seis dicas para cumprir metas no próximo ano

Siga as dicas e cumpra todas as suas metas em 2010

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Acontece a mesma coisa em todo fim de dezembro: as pessoas fazem muitas promessas para o ano que se aproxima. No entanto, a ideia de colocá-las em prática acaba ficando de lado com o passar dos meses.

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Para evitar essa frustração e realmente conquistar algumas metas, o especialista em gestão do tempo e produtividade Christian Barbosa dá seis dicas simples. Confira-as abaixo e "que tudo se realize no ano que vai nascer"!

1)Revise o que é importante, se questionando em que atividades pode focar e quais deve descartar. Faça duas listas com as respostas (focar e descartar) por ordem de importância.
Reflita sobre os cinco primeiros itens e detalhe um plano de ação em sua agenda.

2) Organize uma agenda, onde possa centralizar todos os seus planos. Assim, não tem como se esquecer do que pretende conquistar em 2010.

3) Não tenha muitas metas. É melhor focar em poucos objetivos, sempre relevantes e viáveis.

4) Crie pontos de controle da seguinte maneira: a cada bimestre, agende uma reunião de uma hora com você mesmo com o intuito de revisar suas metas e o que deve descartar.
Isso diminui o risco de que as promessas sejam deixadas de lado.

5) Compartilhe seus objetivos com alguém de confiança, que o ajude a manter a motivação. Questione a pessoa escolhida sobre seus planos.

6) Dedique tempo a você em 2010, o que colabora na tarefa de ter energias para executar suas metas. Portanto, inclua atividades de lazer em sua rotina com uma periodicidade ao menos quinzenal.

Redação Terra