1.12.11

Você está em Economia Bancos podem emprestar no exterior a empresas brasileiras


SÃO PAULO/BRASÍLIA - O Banco Central (BC) informou nesta quarta-feira que oConselho Monetário Nacional (CMN) aprovou medida que permite a bancos utilizar recursos captados no exterior para conceder crédito fora do Brasil para empresas brasileiras. A novidade vale também para o Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES).
A subsidiárias das companhias brasileiras e empresas estrangeiras cujo acionista com maior capital votante seja domiciliado no Brasil também estão inclusas. A ação foi tomada por conta do atual cenário internacional.
"Estamos dando condições para os bancos financiem as empresas brasileiras aproveitando o momento internacional. Tem mercado para isso, para as instituições financeiras autorizadas fazerem captação no exterior e faça os empréstimos", afirmou o chefe do departamento de Normas do BC, Sergio Odilon dos Anjos.
A medida traz que apenas os bancos autorizados a operar no mercado de câmbio e com patrimônio de referência mínimo de R$ 5 bilhões poderão fazer esses empréstimos. A resolução permite ainda às instituições adquirirem, no mercado primário, títulos de emissão ou de responsabilidade das empresas.
Em nota, o BC argumentou que "o objetivo da medida é usar o crédito externo para facilitar a internacionalização de nossas empresas em um momento onde, no exterior, as condições de crédito e de mercado são mais favoráveis, oferecendo melhores condições de competitividade para empresas brasileiras no mercado internacional."
O CMN também aprovou uma resolução que aperfeiçoa a forma de contabilização de renegociações de operações de crédito realizadas até agora. Na regra atual, isso é tratado como uma venda definitiva e, a partir de agora, não será mais contabilizado como vendas definitivas de crédito se houver retenção de riscos.
"Nesses casos, a contabilização dos ganhos não será mais imediata, passando a ser contabilizados ao longo do prazo da operação de crédito cedida", informou o BC por meio de nota.
O CMN aprovou ainda uma medida que aperfeiçoa a regulamentação sobre contratação de correspondentes no País, trazendo mudanças nas regras atuais "para coibir comportamentos que possam contribuir para exposição das instituições financeiras a risco acima dos níveis considerados prudentes". (Reportagem de Tiago Pariz)

Clima volátil para as moedas


Os mercados de câmbio sofreram mudanças de tendências abruptas e volatilidade desde a deterioração do sentimento dos investidores em julho. Uma fuga para a segurança sustentou o dólar americano e forneceu ímpeto adicional para o iene japonês. O euro, que está no epicentro das preocupações do mercado, enfraqueceu, embora ainda não na medida em que se poderia esperar. A maioria das moedas dos mercados emergentes também caiu em graus variados e continua vulnerável a um recuo global muito mais acentuado do risco. Com o aumento das preocupações sobre a sobrevivência do euro, os mercados cambiais enfrentam novas turbulências nos próximos meses.
Enquanto a aversão ao risco se intensificou em reação às pressões financeiras soberanas e bancárias na Zona do Euro, e a preocupações sobre a desaceleração do crescimento global, os mercados de divisas geralmente seguiram um curso previsível. O dólar se recuperou de modo geral, sendo a única exceção contra o iene, e em uma média ponderada em meados de novembro estava cerca de 5% acima de seu patamar mínimo no final de julho.
Os fundamentos do dólar estão fracos: uma trinca de baixos rendimentos recordes, finanças públicas desordenadas e grandes necessidades de financiamento externo. Mas apesar desses negativos o dólar está se recuperando constantemente. Não obstante o recente fracasso de se aumentar o teto da dívida federal, os títulos do Tesouro americano não incluem um risco de crédito, ao contrário dos títulos soberanos dos países da Zona do Euro. E como o mais profundo e mais líquido mercado do mundo, os títulos do Tesouro continuam o lugar preferido para estacionar dinheiro em tempos de incerteza. Além disso, como o dólar tem sido a moeda de financiamento favorita para negócios de ativos arriscados, está sendo cotado mais alto conforme esses negócios se desenrolam.
Sem solução para crise na Zona do Euro à vista e com a provável persistência da incerteza sobre a previsão de crescimento global, a Economist Intelligence Unit espera que o dólar se valorize ainda mais nos próximos meses. Atualmente prevemos uma taxa de câmbio média de US$ 1,28 por euro em 2012, embora o dólar possa se valorizar muito mais se a crise na Zona do Euro não for contida (para não falar no risco de o euro deixar de existir totalmente).
Uma das poucas moedas que ainda não enfraqueceram contra o dólar desde julho é o iene. Sustentada pelo superávit de conta corrente do Japão e um forte balanço externo, o iene continuou se reforçando, enquanto a aversão ao risco levou os investidores japoneses a repatriar fundos investidos no exterior, ou pelo menos a conter novos investimentos externos. Os políticos japoneses intervieram nos mercados cambiais na tentativa de conter a força do iene, mais recentemente em outubro. Mas qualquer impacto sobre a taxa de câmbio durou pouco. A não ser que haja uma drástica reação política, como a decisão do Banco Nacional da Suíça no início de setembro de defender um teto para o franco suíço contra o euro, o iene provavelmente subirá ainda mais no clima atual.
Todos os olhos na Europa
O euro está no epicentro do atual mal-estar nos mercados financeiros globais. A moeda única se reforçou contra o dólar nos primeiros quatro meses do ano, atingindo o pico em US$ 1,48 no início de maio. Atualmente está sendo negociado a cerca de US$ 1,33, mais ou menos o mesmo nível em que começou o ano. No início de 2011 o euro ganhou apoio com a rígida posição anti-inflação do Banco Central Europeu (BCE), que levou a um aumento de 25 pontos básicos nas taxas de juros em abril e julho, levando a taxa básica a 1,5% (comparada com 0-0,25% nos EUA). O BCE reverteu um desses cortes no início de novembro e esperamos que o outro seja revertido em dezembro. Mas o impacto dos diferenciais de rendimento foi eclipsado desde a metade do ano pela escalada da crise da dívida. Enquanto a crise envolvia as grandes economias da Itália e Espanha (e hoje ameaça até a França e outros países centrais), a viabilidade da moeda única e sua própria sobrevivência estão sendo questionadas.
Diante disso, é surpreendente que o euro não tenha enfraquecido ainda mais, mesmo que — em contraste com os EUA — a Zona do Euro como um todo tenha uma conta corrente que está amplamente equilibrada. O declínio do euro contra o dólar foi muito mais acentuado nos primeiros cinco meses de 2010, quando as preocupações se concentravam quase unicamente na Grécia. Em meados de 2010 o euro caiu para um piso de US$ 1,19, antes que o primeiro socorro à Grécia revertesse a tendência de queda; o euro recuperou boa parte de suas perdas no restante do ano.
Por que o declínio do euro nos últimos meses foi menos agudo, já que as pressões financeiras sobre fundos soberanos e bancos são muito mais intensas? Talvez o fator mais importante tenha sido a repatriação de fundos por bancos da Zona do Euro, que têm vendido ativos estrangeiros para reforçar suas posições de capital e gerar caixa. Alguns estimam que a desalavancagem pelos bancos da Zona do Euro levará a uma redução de seus investimentos em ativos estrangeiros de até 2 trilhões de euros (US$ 2,7 trilhões). Além de apresentar o risco de um esmagamento do crédito global, este processo poderá criar volatilidade em algumas moedas de mercados emergentes de cotação frágil. O impacto sobre o euro dependerá da extensão em que os influxos na moeda única são compensados por vendas de ativos denominados em euro por estrangeiros ou, é claro, por residentes da Zona do Euro (isto é, fuga de capitais).
Diante das consequências calamitosas de uma ruptura da moeda única, nosso cenário central é que em última instância os políticos tomarão medidas para atenuar a falta de liquidez dos governos, mesmo que eles evitem as medidas estruturais para garantir a sobrevivência do euro em longo prazo. O caminho da menor resistência seria que o BCE usasse seu balanço para adquirir grandes quantidades de títulos italianos e espanhóis para estabilizar esses mercados, enquanto seus novos governos respectivos tomam medidas para convencer os investidores de sua solvência. Normalmente, seria de esperar que essa monetização da dívida do governo fosse negativa para a moeda, mas o resultado nas atuais circunstâncias seria incerto. Esse é o tipo de medida que os mercados estão forçando os políticos a adotar. O euro poderia muito bem subir com tal desenvolvimento político, apesar de preocupações sobre a degradação da moeda.
 Temores dos mercados emergentes
As moedas flutuantes dos mercados emergentes foram atingidas de modo geral pela ressurgência da aversão ao risco em setembro. Os declínios foram muito acentuados, com muitas moedas perdendo mais de 10% de seu valor em relação ao dólar em poucas semanas. Alguns bancos centrais de mercados emergentes, incluindo os do Brasil e da Coreia do Sul, intervieram para atenuar a volatilidade. No entanto, de modo geral eles aprovaram uma desvalorização de suas moedas, diante de preocupações sobre excesso de valorização e perda de competitividade.
As moedas dos mercados emergentes recuperaram parte de seus prejuízos em outubro, mas caíram novamente em novembro enquanto a crise da Zona do Euro escalava. Algumas moedas foram atingidas pela desalavancagem dos bancos europeus ocidentais, que são a principal fonte de crédito interfronteiras para os mercados emergentes. Até que a aversão ao risco se acalme, esperamos que as moedas de mercados emergentes continuem sob pressão. Isto criará problemas em países com grandes necessidades de financiamento externo ou que têm grande quantidade de exposição desprotegida a moedas estrangeiras. A Hungria, que tem um grande estoque de hipotecas em francos suíços, já se candidatou à ajuda financeira precautória do FMI. A Turquia também poderá precisar pedir novamente ajuda ao FMI. A Turquia administra um grande déficit de conta corrente, e o setor corporativo tem exposição desprotegida a moedas estrangeiras.
Para muitos mercados emergentes, a situação é controlável por enquanto. O acesso ao financiamento estrangeiro se tornou mais caro e restrito, mas os mercados de capital permaneceram abertos para emprestadores dos mercados emergentes dignos de crédito. O governo brasileiro emitiu US$ 1 bilhão em títulos para 30 anos com rendimento de 4,7% no início de novembro, e o Banco do Brasil captou US$ 500 milhões em papéis de cinco anos a 4%. Isto em um momento em que — apesar do apoio do BCE através de seu programa de compra de títulos — os rendimentos de títulos do governo italiano para dez anos estão a cerca de 7% e os bancos periféricos da Zona do Euro dependem do BCE para liquidez. No entanto, as condições de mercado provavelmente se deteriorarão ainda mais nas próximas semanas, o que poderá deixar até os mutuários mais dignos de crédito dos mercados emergentes sem acesso aos mercados de capital. Isto criaria um risco de dificuldades de pagamento, assim como grandes e potencialmente perturbadoras desvalorizações.
O México e a Polônia se protegeram contra um arrocho prolongado dos mercados de capital fazendo arranjos de linhas de crédito flexíveis com o FMI. Outros países estão procurando se proteger com acordos de swap entre bancos centrais: em outubro a Coreia do Sul e a China duplicaram para o equivalente a US$ 57 bilhões seu atual acordo de swap cambial. Outros países podem ter de utilizar suas reservas. Os ativos em moeda estrangeira dos mercados emergentes estão em níveis recordes, e permitirão que os países reforcem suas moedas e adiem problemas de pagamento por algum tempo.
Mas no caso de um colapso do euro podem-se prever extremos deslocamentos de mercado, e as moedas dos mercados emergentes poderiam entrar em queda livre contra o dólar. Nesse caso, se apresentariam oportunidades de compra, assim como em médio e longo prazo é provável que se confirme a tendência dos mercados emergentes a experimentar valorização das moedas, diante da previsão de crescimento mais forte, sistemas financeiros mais sólidos e menores níveis de endividamento.

EURO: DANÇANDO, COMO SE NÃO HOUVESSE AMANHÃ


Pela 2ª vez em menos de uma semana, a Europa é sacudida por tremores que abrem fendas e trincas cada vez mais fundas no edifício financeiro do euro. Os estalos desta 4ª feira exigiram uma ação coordenada dos maiores bancos centrais do mundo que implantaram uma ponte de safena global para injetar liquidez direto na veia do sistema bancário europeu. Arqueados sob bilionárias carteiras de títulos públicos insolventes, os bancos tornaram-se enormes entrepostos de contágio falimentar nos quais ninguém quer deixar o dinheiro. Enfrentam assim um acelerado processo de desidratação de ativos,    sobretudo dólares, com a fuga em massa de fundos norte-americanos. Emergências bancárias desse tipo desdobram-se em rápida retração do crédito, o que do ponto de vista do capitalismo equivale a uma trombose, a partir da qual todo o sistema entra em coma, por falta de irrigação financeira. As bolsas, como se não houvesse amanhã, não economizaram rojões na chegada da extrema-unção ao leito morimbundo do euro. Não deixa de ser pedagógico. Um dos radares mais festejados  da dita 'eficiência dos mercados', a a festa das ações revela a mais absoluta ignorância em relação ao colapso sistêmico que esfarela o seu chão. A ponto de confundir uma operação de socorro explosiva e datada com as trombetas da redenção. Um dado ilustra a gravidade dos dias que correm: investidores em massa buscam títulos alemães -- ainda sinônimo de segurança-- em troca de rentabilidade negativa. Ou seja, ao final da aplicação, receberão de volta uma quantia inferior à investida. O ganho é a redução da incerteza: terão perdas conhecidas numa catarse volátil. A intervenção dos BCs, embora encorajadora no curto prazo, está longe de resolver os alicerces do impasse. Todas as opções ortodoxas para salvar o euro  fracassaram,inclusive o festejado fundo de estabilização. A crise exige recursos e decisões que a ortodoxia que tomou de assalto o projeto da UE não previu e rejeita: sobretudo, soberania estatal à moeda única, com um BCE que domine a manada especulativa, colocando dívidas públicas sob sua fiança.
(Carta Maior; 5ª feira; 01/12/ 2011)

Greve de servidores públicos é a maior dos últimos 30 anos


Paralisação contra proposta de elevação da idade para aposentadoria e contribuições maiores levaram dois milhões de trabalhadores do setor a cruzarem os braços. Foto: Andrew Yates/AFP
O Reino Unido enfrentou na quarta-feira 30 a sua maior greve em três décadas, com a adesão de mais de dois milhões de trabalhadores do setor público. A paralisação foi convocada pelos sindicatos em protesto a propostas de reforma do sistema de aposentadorias do setor pelo governo.
Caso aprovada, a proposta obrigará os britânicos a trabalhar até os 66 anos para se aposentar, contra os 60 atuais, além de impor contribuições mais altas e diminuir o valor da pensão, que seria calculada em função da média de todos os anos trabalhados, e não do último salário.
Pelo menos 75% das escolas públicas da região foram afetadas pela greve, 87% delas na Inglaterra. A paralisação também atingiu hospitais, além de outras instituições públicas, e provocou o cancelamento de seis mil cirurgias não urgentes. O serviço de ambulância em Londres sofreu com a falta de pessoal e dava preferência a casos de risco de vida.
Os grandes transtornos previstos nos principais aeroportos, e principalmente em Heathrow, o maior do mundo em tráfego internacional, não se concretizaram. “Estamos operando atualmente um serviço normal sem atrasos”, anunciou durante a manhã de quarta-feira a administração do aeroporto via Twitter. A informação foi confirmada também por um jornalista da agência de notícias AFP, presente no local.
Segundo um porta-voz da BAA, a gestora do aeroporto, dois terços dos funcionários da agência fronteiriça compareceram esta manhã aos seus postos.
A situação era igualmente normal na estação internacional de St Pancras, de onde partem os trens de alta velocidade da Eurostar, que ligam Londres a Paris e Bruxelas pelo túnel construído sob o canal da Mancha, e na cidade de Dover (sul), de onde saem os trens com destino ao continente.

'Ação conjunta de BCs não evitará pressão sobre bancos'


Analistas internacionais dizem que a decisão dos Bancos Centrais não resolve o problema central da crise da zona do euro, o que pode afetar os bancos


o Alves, da 
Ralph Orlowski/Getty Images
Sede do Banco Central Europeu (BCE)
A medida anunciada ontem envolve o Federal Reserve dos Estados Unidos, além dos bancos centrais do Canadá, da Inglaterra, da Suíça, do Japão e o Banco Central Europeu
São Paulo - A ação coordenada dos principais bancos centrais mundiais anunciada ontem vai dar um alívio apenas temporário para os bancos europeus, dizem analistas internacionais. Para eles, a decisão dos BCs em dar uma injeção de liquidez ao cortar o custo das linhas de swap para financiamento de emergência não resolve o problema central da crise da zona do euro, que está na dificuldade de países periféricos em rolar suas dívidas soberanas.



"Com a retração dos fundos de 'money market' americanos, que deixaram de comprar papéis de curtíssimo prazo de bancos europeus, como os 'commercial papers', devido ao agravamento da crise do euro, é muito importante a decisão de reduzir o custo dessas linhas de swap", avaliou Mark Cliffe, diretor global de pesquisa de mercados financeiros do banco ING em Londres. "A ação coordenada ajuda, mas não resolve a questão central do problema, que é a dificuldade dos governos da zona do euro em assegurar financiamento às suas dívidas", completou. Para Cliffe, a decisão pegou o mercado de surpresa e reflete o esforço das autoridades monetárias mundiais de tentar estabilizar os mercados.
A medida anunciada ontem envolve o Federal Reserve (Fed) dos Estados Unidos, além dos bancos centrais do Canadá, da Inglaterra, da Suíça, do Japão e o Banco Central Europeu (BCE). Esses bancos decidiram baixar o custo dos acordos temporários de swap de liquidez em dólar existentes em 0,50 ponto porcentual, trazendo esse custo para o equivalente à taxa overnight índex swap, ou OIS, mais 0,50 ponto porcentual. Além disso, essas linhas de swap tiveram seu prazo de validade estendido para 1º de fevereiro de 2013.
Os bancos europeus ficaram sob maior pressão na segunda-feira, quando a agência de classificação de risco Moody's anunciou que está revisando dívidas subordinadas, subordinadas júnior e tier-3 de 87 instituições da região para possível rebaixamento. A agência justificou a decisão afirmando que, com a crise na zona do euro, os governos da região estão tendo dificuldades para dar suporte aos bancos em questão.
Para Marc Chandler, diretor global de pesquisa da corretora Brown Brothers Harriman em Nova York, a ação coordenada para reduzir o custo das linhas de swap contribui para minimizar algumas pressões de 'funding' (financiamento) dos bancos, mas os recentes rebaixamentos de ratings, redução de linhas de crédito e as vendas de ativos ainda colocam fortes pressões sobre os bancos europeus. Segundo ele, as instituições europeias precisam refinanciar cerca de 800 bilhões de euros em 2012. "Mais valioso do que o corte no custo das linhas de swap seria a concretização da promessa pela União Europeia de implementar um esquema de fornecer garantias aos bancos, semelhante ao que foi feito durante a crise de 2008 e 2009", explicou Chandler.
Na opinião da diretora de câmbio da GFT Forex em Nova York, Kathy Lien, a injeção de liquidez anunciada pelos BCs mundiais é uma distração bem-vinda para os investidores em meio à turbulência e ao nervosismo provenientes da crise do euro. "Essa medida não elimina a necessidade de reformas estruturais e maior comprometimento dos líderes das nações europeias, mas dá um alívio nas condições dos mercados financeiros e mostra que os bancos centrais estão dispostos em evitar uma nova catástrofe", explicou Lien. "Seguida da decisão do banco central da China em cortar o depósito compulsório, essa ação coordenada traz, de fato, mais alívio aos investidores".

Juros caem 0,5 ponto e vão a 11%, a menor taxa do governo Dilma


O Comitê de Política Monetária (Copom), do Banco Central, decidiu nesta quarta-feira (30) cortar a taxa básica de juros (a Selic) em 0,5 ponto percentual, indo de 11,5% para 11% ao ano. É a menor taxa do governo Dilma. O menor valor até então era o de janeiro deste ano, com 11,25%. A decisão do Copom, que é formado por um colegiado de diretores do BC, foi unânime.
Esta é a terceira vez seguida no governo Dilma, iniciado em janeiro deste ano, em que a taxa é reduzida.
A Selic é usada pelo BC para tentar controlar o consumo e a inflação ou estimular a economia. Quando a taxa cai, estimula o consumo. Quando sobe, reduz a atividade econômica porque os empréstimos e as prestações ficam mais caros.
Analistas já esperavam uma nova queda de 0,5 ponto percentual.
Em comunicado, o Copom informou que o ajuste é necessário diante da situação da economia mundial: "Dando seguimento ao processo de ajuste das condições monetárias, o Copom decidiu, por unanimidade, reduzir a taxa Selic para 11% ao ano, sem viés. O Copom entende que, ao tempestivamente mitigar os efeitos vindos de um ambiente global mais restritivo, um ajuste moderado no nível da taxa básica é consistente com o cenário de convergência da inflação para a meta em 2012."
Esta foi a oitava reunião do Copom sob o mandato da presidente Dilma Rousseff e com o BC sob o comando de Alexandre Tombini. Foi também o último encontro do ano.
Nas primeiras cinco reuniões, o comitê decidiu elevar a taxa. Nas duas primeiras, a alta foi de 0,5 ponto percentual. Em outras três posteriores, o aumento foi de 0,25 ponto percentual. Já na sexta reunião o BC surpreendeu o mercado ao anunciar um corte de 0,5 ponto percentual. No sétimo encontro, houve outro corte de 0,5 ponto.
No início do governo Dilma, a Selic estava em 10,75%.

Entenda a relação entre juros e inflação

Os juros são empregados, em outras razões, para tentar controlar a inflação. Quando o Banco Central considera que há risco de inflação, ele eleva os juros. Assim, as prestações e os empréstimos ficam mais caros e as pessoas consomem menos. Isso ajuda a reduzir a inflação.
Quando a economia fica mais fraca e as pessoas gastam menos, o BC faz contrário, reduzindo os juros e o custo dos empréstimos, para estimular as compras.
A alta de preços ocorre quando há muita procura por produtos e menos quantidade para atender a essa necessidade.
A inflação oficial é medida pelo índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA). O centro da meta do BC para a inflação neste ano é de 4,5%.
A meta pode ter variação de dois pontos percentuais para cima ou para baixo, ou seja, a inflação poderia ir de 2,5% a 6,5%.
Nos últimos 12 meses, até setembro, a inflação acumula alta de 6,97%. O índice já esteve mais alto neste ano, mas ainda continua acima do limite máximo da meta do governo (os 6,5%).
Em meados do ano, o governo adotou medidas para desestimular o consumo: aumentou o valor do pagamento mínimo da fatura do cartão de crédito; elevou o IOF (Imposto sobre Operações Financeiras) sobre gastos no cartão de crédito fora do país e sobre captações de recursos no exterior; tornou obrigatório uma entrada de pelo menos 20% nos financiamentos entre 24 e 36 meses para carros novos ou usados.
Agora a preocupação é de que o consumo se mantenha, para o país não enfrentar problemas, em razão da crise global.

Juros altos são bons para algumas aplicações

Os juros no Brasil ainda são considerados muito altos. Um aspecto positivo dos juros altos é que eles remuneram melhor as aplicações financeiras. Isso é bom para os investidores brasileiros e também para os estrangeiros que procuram o país.
Quando alguém investe em fundos ou títulos públicos, por exemplo, recebe um rendimento mensal maior se os juros estiverem mais altos.
Por outro lado, os juros altos prejudicam as empresas, que ficam mais receosas de tomar empréstimos para investir em expansão.
Por isso os empresários reclamam dos juros altos. Nesse cenário, também se torna mais difícil a criação de empregos.
O Copom foi instituído em junho de 1996 para estabelecer as diretrizes da política monetária e definir a taxa de juros.
O colegiado é composto pelo presidente do Banco Central e os diretores de Política Monetária, Política Econômica, Estudos Especiais, Assuntos Internacionais, Normas e Organização do Sistema Financeiro, Fiscalização, Liquidações e Desestatização, e Administração.

Você está em Economia Governo anuncia nesta 5ª feira pacote para facilitar o crédito e estimular economia

Ministério da Fazenda vai reduzir à metade o IOF sobre operações de crédito de pessoas físicas e dará incentivos fiscais a alguns setores



BRASÍLIA - O governo anuncia nesta quinta,feira mais uma pacote de medidas para estimular a economia. O Ministério da Fazenda vai reduzir à metade o imposto sobre as operações de crédito feitas por pessoas físicas e dará incentivos para alguns setores, como o de eletroeletrônicos.
Em abril deste ano, a Fazenda dobrou a alíquota do Imposto sobre Operações Financeiras (IOF), de 1,5% para 3%, como parte do esforço para moderar o consumo. Agora, preocupado com a perda de dinamismo da economia e com a perspectiva cada vez maior de um desfecho lento para a crise europeia, o governo resolveu reverter a medida.
O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, deixou claro nesta quarta-feira que o foco dessa nova rodada de estímulos seria o crédito. "Vamos levantar um pouco as restrições que tinham sido feitas no início do ano, as tais medidas macroprudenciais", disse o ministro.
Pimentel afirmou ainda que há várias ações que podem ser feitas na área do crédito, além da redução de tributos. "Pode aumentar o prazo, pode tirar a entrada no crédito ao consumidor, tem muita coisa que pode ser feita", disse, sem definir se o pacote que será anunciado contemplará todas as alternativas.
A liberação de parte do dinheiro que é depositado compulsoriamente pelas instituições financeiras no Banco Central também vem sendo analisada pela equipe econômica como uma forma de ajudar a garantir dinheiro no mercado. O próprio ministro da Fazenda, Guido Mantega, já admitiu que essa liberação pode ser feita para irrigar o crédito.
O anúncio das medidas deve ser feito depois do encontro que Mantega terá com representantes do setor de varejo. A reunião está prevista para o início da manhã desta quinta-feira.
Alívio. No começo de novembro, o BC reduziu o volume de dinheiro que os bancos precisam manter em reserva para realizar empréstimos de curto e médio prazos. A medida abre espaço para estimular o consumo no fim do ano. O BC também desistiu de elevar o pagamento mínimo do cartão de crédito, que passaria de 15% para 20% do valor da fatura este mês. O início do ciclo de corte da taxa básica de juros também produz efeitos positivos para o mercado de crédito.
Nessa linha de estímulo, o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou ontem nova regra que favorece bancos pequenos e médios nas operações de venda de carteiras de crédito.
Pulso
Mantega reuniu-se nos últimos dias, em São Paulo, com empresários e representantes de entidades financeiras ligadas à indústria e ao varejo, para sentir o "pulso" atual da atividade econômica e tentar captar como anda o "termômetro" do crédito no País.
O governo está preocupado com a queda das vendas no varejo. O mercado doméstico continua a ser a principal aposta para acelerar a economia e superar os efeitos da crise econômica internacional.
Apesar do aumento do endividamento da população nos últimos anos, o governo não vê risco de bolha de crédito no País. No Brasil, ao contrário dos Estados Unidos e da Europa, o aumento do crédito tem ocorrido num ambiente de taxas elevadas de juros. Os prazos dos financiamentos também não são tão longos. Nesses países, as pessoas aproveitaram justamente os juros baixos e os prazos longos dos financiamentos para tomarem mais crédito.