Vamos a alguns pontos mal explicados nessa luta para baixar os juros.
Até agora os bancos atuavam de forma cartelizada. Isto é, tinham
pactos de manutenção de altos custos dos serviços e dos juros. E ninguém
se preocupava em disputar a clientela em mercados já consolidados –
como crédito pessoal ou cheque especial.
As disputas davam-se em torno de compras, aquisições ou entrada em
novos mercados e em crédito consignado. Durante algum tempo, por
exemplo, os grandes bancos comerciais disputaram a carteira de clientes
de lojas de departamento. Em outros momentos, houve disputa em cima do
crédito consignado. Alguns bancos comparam concorrentes menores para se
posicionarem em crédito para compra de veículos e assim por diante.
Mas no ponto central – custo de tarifas e de juros – não se mexia.
Em todo processo de cartel, quando se rompe o pacto inicial há uma
corrida para um novo posicionamento. Quem sai na frente conquista mais
clientela, antes que os preços se estabilizem em um patamar menor.
O movimento de queda de juros, iniciada pelos bancos públicos, não
significou um confronto com os bancos privados. Pelo contrário, antes do
movimento houve um conjunto de reuniões do Ministro da Fazenda Guido
Mantega com grandes bancos, avisando da intenção do governo.
Além disso, há um histórico de colaboração do setor bancário com
sucessivos governos. Até pela sensibilidade do setor – afetado por
qualquer decisão do Banco Central e da política monetária – há sempre
uma tendência de acatar as providências, desde que tenham racionalidade.
A insistência dos jornais em “criar” crises faz parte de um certo
vício de estilo, de transformar qualquer movimento em conflito, afim de
tornar as manchetes mais atraentes.
Há tempos os grandes bancos já tinham definido estratégias,
aguardando o momento em que os juros internos começassem a despencar. Em
pleno tiroteio de manchetes bombásticas, mencionando supostos conflitos
entre Dilma Rousseff e os bancos, em pressão e coisa e tal, o que dizia
Luiz Carlos Trabuco Cappi, presidente do Bradesco: “Taxas de juros
menores, num país como o Brasil, de responsabilidade fiscal, setor
privado dinâmico e economia diversificada, são ingredientes para um
forte ciclo de desenvolvimento econômico e social”, disse Trabuco.
O desafio maior do sistema bancário não será resistir a reduzir
juros. Deixe-se esse esperneio para comentaristas econômicos ligados à
Confraria da Selic.
Será, de um lado, ampliar ainda mais o mercado de crédito,
incorporando novos contingentes de clientes recém-entrados no mercado de
consumo.
Depois, começar a pensar em modelos de financiamento de longo prazo.
Em outros tempos, o Bradesco tornou-se o maior banco privado nacional
atuando em regiões pioneiras, apoiando novos setores que surgiam. O
Unibanco, por sua vez, teve atuação expressiva em aberturas de capital
de grandes grupos. O Mercantil de São Paulo virou uma potência com a
inovação da letra de câmbio. O Itaú, com sua metodologia de absorção de
outros bancos.
Depois, houve o acomodamento geral, sem desafios. Agora, o novo
cenário econômico induzirá a uma nova rodada de renovação da das
práticas bancárias.
Fonte:http://www.cartacapital.com.br/economia/o-novo-momento-do-setor-bancario/
Nenhum comentário:
Postar um comentário