Segundo matéria publicada no Correio da Bahia, a indústria de calçados Vulcabrás/Azaleia pode perder boa parte do que conseguiu nos últimos dez anos e ainda ameaça deixar a Bahia e migrar para Nova Délhi, capital da Índia -. A crise foi instalada na fábrica em Itapetinga (matriz), que só nos últimos sete meses demitiu 3 mil funcionários da região Centro-Sul do Estado, de acordo com cálculos da prefeitura da cidade.
Um do fator principal para a migração para a Índia é a mão de obra barata e a facilidade com que os calçados vindos da China têm em entrada para comercialização no Brasil. O salário de um operário é cerca de US$ 85, dez vezes menos que no Brasil. Se sair mesmo da Bahia, cerca de 18 mil pessoas ficarão sem emprego na matriz, em Itapetinga, além das outras 13 filiais, espalhadas em outras cidades baianas. O presidente da Vulcabrás, Milton Cardoso, em entrevista ao Correio falou que se as autoridades brasileiras não mudarem a política econômica, toda a indústria de calçados vai migrar para outros países, e completa: “E não seremos exceção”. Ele ainda lembrou que várias empresas brasileiras já atuam em países da Ásia e da América Central.
Cardoso e outros representantes do setor têm pressionado o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para que ele dê prioridade à indústria na desoneração da folha de pagamento e rigor na fiscalização de calçados vindos da China.
A Vulcabrás em meio à crise
Em novembro de 2010, o então gerente-geral da fábrica de Itapetinga, Lauro Saldanha, deixou o posto e mudou-se para a Índia, onde trabalha na implantação da nova planta da Vulcabras. O prefeito de Itapetinga, José Carlos Moura (PT) afirmou que o primeiro semestre de 2011 tem sido ruim para a empresa. Prova disso são as demissões e as férias coletivas. Cardoso explica que a unidade já ultrapassou o limite de estoque e que tem concedido férias coletivas frequentemente. Segundo ele, a unidade de Nova Délhi deve começar a funcionar nos próximos meses.
O presidente executivo do Sindicato da Indústria de Calçados e Componentes do Estado da Bahia (Sindicalçados-BA), Haroldo Ferreira, não quis falar sobre as demissões na Vulcabras, mas reconheceu que a Bahia e o Brasil têm deixado de ser atraentes para o setor.
Os prefeitos, vereadores e lideranças políticas da região realizaram uma audiência pública em junho para discutir alternativas de sensibilizar o empresariado e abrigar os trabalhadores já demitidos. O tema também tem tido destaque nas sessões das câmaras de vereadores dos municípios produtores na Bahia, como as filiais de Maiquinique, Itarantim, Itororó, Caatiba, Macarani, Potiraguá, Firmino Alves, Nova Canaã, Ibicuí, Iguaí e Itambé. As informações são do Correio da Bahia.
Fonte:
http://www.vitoriadaconquista.com.br/2011/07/01/vulcabrasazaleia-pode-deixar-a-bahia-e-migrar-para-a-india/
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