7.12.12

Inflação oficial fica em 0,60% em novembro, aponta IBGE


O Índice de Preços ao Consumidor Amplo (IPCA), considerado a "inflação oficial" do país, por ser usado como base para as metas do governo, passou de 0,59% em outubro para 0,60%, em novembro, segundo informou, nesta sexta-feira (7), o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Em novembro de 2011, a taxa havia ficado em 0,52%.
No ano, o indicador acumula alta de 5,01% - taxa infeiror aos 5,97% verificados no mesmo período de 2011. Em 12 meses, o IPCA ficou em 5,53%, acima dos 5,45% relativos aos 12 meses imediatamente anteriores.
Na passagem de outubro para novembro, o maior índice foi registrado em Belém (1,27%) e o menor, em Brasília (0,35%).
Ainda que tenham continuado em alta, os preços dos alimentos subiram menos de outubro para novembro: de 1,36% para 0,79%. O maior destaque ficou com o preço das carnes, cuja taxa de variação recuou de 2,04% para 0,40%.
Também mostraram desaceleração de preços os grupos vestuário (de 1,09% em outubro para 0,86% em novembro) e saúde e cuidados pessoais (de 0,48% para 0,32%). Educação (0,05%) e comunicação (0,31%) ficaram com resultados idênticos aos do mês anterior.
Na contramão, a taxa do grupo transporte subiu para 0,68%, contra alta de 0,24% em outubro, influenciado, principalmente, pelas passagens aéreas, cujos preços aumentaram, em média, 11,80% a mais em novembro.
Os preços relativos à habitação também subiram, de 0,38% para 0,64%, com destaque para o preço da energia elétrica, que, depois de cair 0,24%, subiu 1,38% em novembro.
O grupo de despesas pessoais também viu seus preços reajustados para cima, passando de 0,10% em outubro para 0,53% em novembro. As maiores influências partiram dos empregados domésticos, cuja variação passou de -0,16% para alta de 0,66%, e excursão, que foi de 0,98% para 6,55%.
No grupo artigos de residência, a taxa de variação foi de 0,37% em outubro para 0,47% em novembro, com destaque para o item mobiliário (de 0,58% para 1,11%).
INPC

O Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC) ficou em 0,54% em novembro, taxa 0,17 ponto percentual abaixo do resultado de 0,71% de outubro. O acumulado do ano foi para 5,42%, abaixo da taxa de 5,54% relativa a igual período de 2011. Nos últimos 12 meses, o índice situou-se em 5,95%, abaixo dos doze meses imediatamente anteriores (5,99%). Em novembro de 2011 o INPC ficou em 0,57%.



'Economist' foi 'precipitada' ao sugerir saída de Mantega, diz Pimentel


O ministro do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior, Fernando Pimentel, afirmou nesta sexta-feira (7) que a revista britânica “The Economist” foi “um pouco precipitada” ao afirmar que a presidente Dilma Rousseff deveria demitir o ministro da Fazenda, Guido Mantega, para restabelecer a confiança na economia do país.
"No dia em que a Economist nomear ministro no Brasil nós deixaremos de ser República", afirmou Pimentel, ao chegar para a abertura do Fórum Empresarial do Mercosul, em Brasília.
O ministro defendeu as medidas de estímulo à economia tomadas pelo governo e destacou que este foi um ano de dificuldades na economia mundial como um todo, com reflexos também no Brasil. Para Pimentel, os indicadores apontam para uma forte retomada do crescimento econômico e dos investimentos no país.
Questionado sobre câmbio, o ministro deixou claro que quem cuida da questão é a Fazenda e o Banco Central. Ele destacou, entretanto, que o câmbio é flutuante e que o governo não permitirá que esta flutuação prejudique a competitividade. Pimentel acrescentou ainda que, toda vez que o mercado agir claramente contra a taxa de câmbio o governo vai intervir para impedir prejuízos à competitividade.
Mantega não comenta
Mantega evitou comentar nesta sexta-feira a reportagem da "The Economist". Na saída do ministério para o aeroporto, onde embarcaria para São Paulo, ele entrou no carro sem falar com os jornalistas.

Reportagem da "The Economist" afima que o mercado perdeu confiança em Mantega depois do resultado desapontador do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro no terceiro trimestre – que mostrou uma alta de 0,6% sobre o trimestre anterior.
“Ela [Dilma] insiste que é pragmática. Se é assim, ela deveria demitir Mantega, cujas previsões excessivamente otimistas perderam a fé dos investidores, e indicar um novo time capaz de restabelecer a confiança dos negócios”, afirma o texto.
A revista aponta que há dois anos, quando Dilma Rousseff foi eleita presidente, a economia estava em expansão; depois, “estacionou”, e agora luta para se recuperar. Apesar dos esforços “frenéticos” de estímulo, a “criatura moribunda” cresceu no terceiro trimestre apenas metade do previsto por Mantega.
A publicação reconhece os esforços do governo para estimular o crescimento, como o corte na taxa de juros para sua mínima histórica, de 7,25%; as desonerações das folhas de pagamento das empresas, os planos de investimento em infraestrutura e a previsão de corte nos custos de eletricidade. Mas afirma que os investidores estão cautelosos porque o governo “interfere demais”.
“Rousseff parece acreditar que o estado deve dirigir as decisões sobre investimentos privados. Esse tipo de ‘micro-interferência’ mina também a confiança na política macroeconômica”, diz a Economist. Em vez de interferir, afirma a publicação, o govero “deveria redobrar os esforços para cortar o ‘custo Brasil’ (...) e deixar o espírito animal do setor privado rugir”.




3.12.12

Balança comercial tem pior resultado para novembro em 12 anos


No mês passado, foi registrado déficit comercial de US$ 186 milhões.
Na parcial do ano, superávit recua 33,9%, para US$ 17,18 bilhões.


A balança comercial brasileira registrou déficit (importações maiores do que exportações) de US$ 186 milhões em novembro deste ano, informou o Ministério do Desenvolvimento, Indústria e Comércio Exterior (MDIC) nesta segunda-feira (3). Trata-se do pior saldo, para meses de novembro, desde 2000 (-US$ 654 milhões).
Em novembro deste ano, as exportações somaram US$ 20,47 bilhões, ou US$ 1,02 bilhão de média diária, o que representa uma queda de 6% sobre o mesmo mês de 2011. Ao mesmo tempo, as importações totalizaram US$ 20,65 bilhões, ou US$ 1,03 bilhão por dia útil. Isso representa um recuo de 2,6% sobre novembro de 2011.
Mudança na contabililização de petróleo
A secretária de Comércio Exterior do Ministério do Desenvolvimento, Tatiana Prazeres, informou que a instrução normativa 1.282 da Receita Federal concedeu um prazo, em julho deste ano, de 50 dias para a Petrobras registrar nas estatísticas da balança comercial as importações de petróleo e derivados, como combustíveis.
Com isso, houve um "represamento" da contabilização de importações de petróleo e combustíveis realizadas nos últimos meses nos dados oficiais da balança comercial brasileira - cuja maior parte acabou sendo registrada, segundo ela, somente em novembro. "Há concentração maior neste mês [de novembro]. Essa situação diz respeito à regularização de operações [de petróleo e combustíveis]. Boa parte das operações já foi regularizada", declarou Prazeres a jornalistas.
Acumulado do ano
No acumulado dos onze primeiros meses deste ano, ainda segundo números oficiais, as exportações superaram as compras do exterior, resultando em superávit da balança comercial, em US$ 17,18 bilhões. O valor representa uma queda de 33,9% frente ao mesmo período do ano passado – quando o saldo comercial positivo somou US$ 25,99 bilhões.
A queda do saldo comercial brasileiro acontece em meio à crise financeira internacional. Com crescimento menor da economia mundial, as exportações para outros países diminuem. A crise financeira também gera acirramento da competição internacional por mercados compradores, como o Brasil, e também dificulta as vendas externas brasileiras em outras nações.
No parcial de janeiro a novembro de 2012, as exportações somaram US$ 222,83 bilhões, com média diária de US$ 964 milhões, enquanto as compras do exterior totalizaram US$ 205,64 bilhões (média de US$ 890 milhões por dia útil). Em relação ao mesmo período de 2011, as vendas externas tiveram queda de 5,6% e as importações recuaram 2%, de acordo com dados do governo federal.
Resultado de 2011 fechado
Em todo o ano de 2011, o superávit da balança comercial brasileira somou US$ 29,79 bilhões. Com isso, o superávit da balança comercial registrou crescimento de 47,8% em relação ao ano de 2010, quando o saldo positivo totalizou US$ 20,15 bilhões. Trata-se, também, do maior superávit da balança comercial desde 2007 (US$ 40,03 bilhões). Em 2008 e 2009, respectivamente, o saldo comercial somou US$ 24,95 bilhões e US$ 25,27 bilhões.
Perspectivas para 2012
Para 2012, ano que está sendo marcado pelos efeitos da crise financeira internacional, com a previsão de crescimento do PIB de 1,27%, e pela concorrência acirrada pelos mercados que ainda registram crescimento econômico – como é o caso do Brasil –, os economistas dos bancos acreditam que o valor do superávit da balança comercial (exportações menos importações) registrará queda, atingindo cerca de US$ 20 bilhões.
O Banco Central, por sua vez, projeta um superávit da balança comercial de US$ 18 bilhões para este ano. Já a Confederação Nacional da Indústria (CNI) prevê um saldo comercial positivo de US$ 19,7 bilhões neste ano.

Fonte

12.11.12

Após suicídio, Espanha promete moderar despejos em meio à crise


Mulher se jogou de 4º andar após tentativa de despejá-la de apartamento.

Premiê pediu que partidos mudem leis sobre retirada de inadimplentes.

O ministro da Economia da Espanha, Luis de Guindos, prometeu nesta segunda-feira (12) que nenhuma família necessitada ficará sem moradia por causa da inadimplência hipotecária, numa resposta à indignação popular depois do suicídio de uma mulher que estava sendo despejada.
A associação espanhola dos bancos informou que seus filiados vão suspender durante dois anos as ordens de desocupação contra mutuários que tenham sido particularmente afetados pela crise econômica e pelo desemprego recorde.
Os bancos recuperaram cerca de 400 mil imóveis na Espanha desde o estouro da bolha imobiliária no país, em 2008. O país em seguida mergulhou numa recessão que deixou milhões de pessoas sem emprego e impossibilitadas de pagarem seus financiamentos imobiliários.
O suicídio de Amaia Egaña, de 53 anos, ocorrido na sexta-feira, inflamou uma opinião pública já irritada com a suposta falta de compaixão dos bancos, muitos dos quais se beneficiaram de resgates financeiros organizados pela elite política e bancados pelo contribuinte.
Homem passa por grafite em que a palavra 'desahucio' (despejo) aparece ao lado de uma forca nesta segunda-feira (12) no centro de Madri (Foto: Susana Vera/Reuters)Homem passa por grafite em que a palavra 'desahucio' (despejo) aparece ao lado de uma forca nesta segunda-feira (12) no centro de Madri (Foto: Susana Vera/Reuters)
Egaña, ex-vereadora socialista no norte da Espanha, saltou do seu apartamento de quarto andar em Barakaldo, no País Basco, quando oficiais de Justiça tentavam desalojá-la por inadimplência.
Falando em Bruxelas, De Guindos disse que é vital impedir os despejos num momento em que muitos imóveis construídos durante a febre imobiliária pré-2008 estão desocupados.
"Atualmente na Espanha, temos quase 1 milhão de unidades habitacionais vazias. Nesta situação, o governo e o Ministério da Economia... precisam tomar medidas para que nenhuma família de boa fé fique sem casa. Esse é o nosso compromisso."
Diante da pressão da opinião pública, o primeiro-ministro Mariano Rajoy pediu na segunda-feira a funcionários do seu Partido Popular e da oposição socialista que acelerem as negociações sobre as reformas das leis de despejo.
Mas a Associação Espanhola dos Bancos disse que seus filiados já acertaram com o governo na semana passada uma suspensão por dois anos dos despejos que atinjam as famílias mais carentes, segundo nota divulgada na segunda-feira pela entidade.
No sábado, torcedores do Rayo Vallecano, time de um bairro proletário de Madri, estenderam no estádio uma faixa com alusão a Egaña e a outros casos semelhantes. "Não são suicídios, são assassinatos. Os bancos e políticos são cúmplices. Parem os despejos!", dizia o cartaz.

5.11.12

Fim do almoço grátis no Brasil


O presidente do Banco Central, Alexandre Tombini. Sua gestão é marcada pela recente tendência de queda dos juros.

Em 10 de outubro, o Banco Central do Brasil cortou sua taxa de juro básica pela décima vez em pouco mais de um ano, para 7,25%. A medida surpreendeu os analistas, pois os juros já estavam historicamente baixos e a inflação, acima do centro da meta do Comitê de Política Monetária, de 2,5-6,5%. Nem o crescimento econômico anêmico, que provavelmente terminará este ano em 1,5%, nem a moeda, que tende a subir com os juros enquanto se acumulam os investidores estrangeiros em busca de retornos, supostamente influirão em suas deliberações. Mas hoje a maioria dos analistas acredita que suas decisões são tomadas com vistas a aumentar o crescimento e enfraquecer a moeda, e que a menos que a inflação ameace romper a barreira dos 6,5% os juros continuarão baixos por algum tempo.
Por enquanto, a demanda global contida significa que é improvável que a inflação escape da coleira. Mas em longo prazo o governo terá de conter os gastos públicos e aplicar reformas difíceis se quiser que o Brasil cresça mais que 3 a 4% ao ano sem alimentar a inflação. Medidas recentes para cortar os impostos em folha de pagamento, limitar os aumentos de salários do setor público, reduzir os custos da energia e melhorar a péssima infraestrutura de transportes deverão ajudar a aumentar esses limites de velocidade econômica claramente modestos. Elas também convenceram muitos de que a presidente Dilma Rousseff fará o que for necessário para evitar que o banco tenha de aumentar de novo.
Taxas de juros permanentemente mais baixas seriam o mais positivo avanço econômico no Brasil desde que a hiperinflação foi dominada quase 20 anos atrás, diz Enestor dos Santos do BBVA, um banco espanhol ativo na região. As firmas investiriam mais — e ter um retorno decente significaria financiar projetos produtivos, não apenas estacionar dinheiro em títulos do governo.

Retornos ao credor

Mas em alguns setores os lucros estão caindo. Quando os investidores perceberam que as firmas de eletricidade teriam de aceitar retornos muito mais baixos a partir do início do próximo ano, ou ficar inelegíveis para se candidatar a concessões que terminam entre 2015 e 2017, os preços das ações despencaram. Masha Gordon, da administradora de fundos PIMCO, elogia o governo por tapar os ouvidos para interesses escusos e declarar o fim do “almoço grátis” no Brasil. As concessionárias de pedágios rodoviários e de energia que assinaram acordos quando os juros estavam muito mais altos se beneficiaram enormemente quando eles caíram, ela indica, deixando alguns projetos de baixo risco com retornos reais próximos de 20%. Dificilmente se poderia esperar que isso durasse.
Mas são os bancos que terão de se esforçar para se adaptar ao novo ambiente de juros baixos no Brasil, diz Gordon. Suas margens líquidas de juros vêm caindo há anos enquanto as taxas que cobram sobre empréstimos caem juntamente com a taxa básica, e o espaço para cortar os juros que eles oferecem sobre reduções de depósitos. Isso comeu os retornos. A pressão sobre os lucros aumentou recentemente enquanto o governo pressionou os bancos a transferir para os clientes os juros menores.
Os dois grandes bancos controlados pelo Estado, Caixa Econômica Federal e Banco do Brasil, cortaram os juros a pedido do governo. Os bancos privados tiveram de acompanhá-los ou perderiam participação de mercado. Segundo a Anefac, uma organização de contabilistas, a taxa média paga pelos mutuários brasileiros no varejo em setembro caiu abaixo de 100% pela primeira vez. As taxas para empréstimos empresariais também estão no menor nível histórico — 48% ao ano.
Pelos padrões brasileiros, esses juros podem ser baixos; pelos internacionais, dão água na boca. O maior motivo, segundo Sergio Furio da bankFacil, uma startup que oferece informações online sobre finanças ao consumidor, é a ineficácia dos bancos brasileiros. Embora suas receitas por funcionário estejam amplamente de acordo com outras grandes economias, sua baixa produtividade é mascarada por preços muito altos. Elas precisam de duas vezes mais pessoal para gerar os mesmos volumes que os bancos da Europa ou dos EUA, ele indica — mas ainda são rentáveis porque as margens também são duas ou três vezes maiores.
“Os bancos brasileiros vêm contando com o último sopro das taxas de juros escandalosas”, diz Furio. Em vez disso, eles deveriam tentar ser mais eficientes e atrair um tipo melhor de clientes. Os empréstimos de alto custo afastam as pessoas abastadas que poderiam ser confiáveis para repagá-los. Essa seleção adversa significa que as taxas de juros devem ser aumentadas ainda mais para cobrir as frequentes inadimplências. O bankFacil espera ganhar dinheiro rompendo esse ciclo, enviando usuários recém-educados e dignos de crédito para instituições financeiras que podem cobrar menos deles.
As mais altas taxas de juros estão nos cartões de crédito, que no Brasil são principalmente usados para comprar produtos em prestações “sem juros”. Os comerciantes oferecem planos de pagamento autofinanciados de até 18 meses. Eles escondem seus custos financeiros no preço da etiqueta e só recebem pagamentos mensais da emissora do cartão do cliente. Os bancos ganham pouco com esse peculiar “crédito sobre crédito”, que forma 70% do total dos empréstimos em cartão de crédito no Brasil. Somente quando um detentor de cartão perde um pagamento a emissora finalmente pode cobrar juros. Mas a probabilidade de inadimplência entre esses pagadores é de 28%, o que significa que os juros têm de ser astronômicos para que os bancos tenham algum lucro.
No mês passado o Itaú Unibanco, maior banco brasileiro de controle privado, informou que gostaria de pôr fim ao uso dos cartões de créditos dessa maneira. Mas o governo teme que os consumidores brasileiros estejam tão habituados a pagar por tudo, de roupas a eletrodomésticos ou carros, em prestações supostamente sem juros que poderiam parar de gastar totalmente, cortando na origem uma nascente recuperação. Qualquer medida terá de ser gradual.
A boa notícia é que os bancos brasileiros têm muita gordura para cortar antes de chegarem ao osso. Eles também adquiriram muitos novos clientes na última década, diz Franklin Santarelli da Fitch Ratings, um processo caro que deverá dar recompensas durante a próxima. O Brasil está “apenas entrando na corrente dominante”, diz Ceres Lisboa da Moody’s, outra agência de classificação. Seus bancos, como os de outros lugares, precisam descobrir como ganhar dinheiro com margens menores e volumes maiores.

Fonte> http://www.cartacapital.com.br/economia/fim-do-almoco-gratis-no-brasil/

29.10.12

“Alguém vai fazer melhor e mais barato em algum lugar”


Para o brasileiro Alessandro Bonorino, vice-presidente mundial para recrutamento da IBM, falta ao País ambição e planejamento com relação à qualificação dos trabalhadores


Se há algo que Alessandro Bonorino conhece são trabalhadores. Trabalhadores qualificados em todo o mundo. Vice-presidente mundial para recrutamento da IBM, empresa com 420 mil funcionários, cabe ao brasileiro Bonorino, 42 anos, traçar estratégias e políticas para buscar, atrair e reter os melhores profissionais em 170 países do mundo, numa área na qual eles são disputados a tapa: tecnologia.
Foto: Mayara Teixeira
Depois de dois anos na China, Bonorino diz "fiquei decepcionado ao voltar para o Brasil"
Bonorino acaba de voltar de uma temporada de dois anos na China, sede da IBM para mercados emergentes. Ao conhecer mais de perto o mercado asiático, sua visão do Brasil mudou: “quando estamos aqui temos a impressão de que o País está crescendo, e de fato está melhorando”, diz ele. “Mas não de maneira suficiente.” A pouca qualificação, somada aos altos encargos e à falta de objetivos estabelecidos pelo governo para o longo prazo criam alguns dos principais gargalhos para nosso crescimento, acredita. “Nós ficamos o tempo inteiro, consistentemente reagindo”, afirma. “Estamos resolvendo problemas ao invés de pensar em projeções para o futuro”

Confira os principais trechos da entrevista que Alessandro Bonorino concedeu ao iG .
iG: Um trabalhador brasileiro dedica mais horas ao trabalho do que a população da maioria dos países ricos, em contra partida, gera pouco mais de 20% da riqueza gerada por um trabalhador americano ao ano . Por que a produtividade do nosso trabalho é tão baixa? O que nos falta?
Alessandro Bonorino: Temos problemas de infraestrutura, investimento e educação. Na verdade, é difícil comparar força de trabalho, porque depende do setor e de uma série de outros fatores. Mas, o Brasil está chegando a um gargalo crítico na educação. Em comparação com a Ásia, estamos atrás na maioria dos índices internacionais. A Coreia, por exemplo, está se transformando com foco em inovação, com marcas multinacionais de sucesso e tudo isso passa pelo investimento pesado em educação. O progresso da Índia nos últimos anos também tem o mesmo motivo. Hoje, a Índia é um centro de serviço para grande parte das empresas multinacionais. Não só porque a população é enorme, ou porque o custo da mão de obra é baixo, mas porque tem o foco em desenvolver pessoas, especialmente em tecnologia.
iG: O trabalhador brasileiro custa caro?
Bonorino: O trabalhador brasileiro não tem formação, mas ganha um salário de um trabalhador com formação, é relativamente caro. Quando eu saí do Brasil, o déficit de população formada em tecnologia da informação era de 100 mil, segundo a Associação Brasileira de Empresas de Tecnologia da Informação e Comunicação (Brasscom). São números assustadores, você olha e pensa “como mudar essa situação?”. A combinação de falta de escolaridade e elevados encargos sociais aumenta o custo da mão de obra de forma desproporcional, o que faz com que se perca competitividade. Não é só o custo de infraestrutura, o custo Brasil, mas o custo de nossa mão de obra fica descompassado. Isso traz problemas de competitividade internacional, porque tem alguém que vai fazer melhor e mais barato em algum lugar. Ao invés de comprar o produto brasileiro você pode comprar da China, do Vietnã.
iG: Depois de sua experiência na Ásia, você consegue fazer uma comparação entre o Brasil e outros mercados emergentes?
Bonorino: Você vê que eles partiram de padrões até inferiores aos que existiam no Brasil em décadas passadas, e fica um pouco decepcionado. O Brasil está melhorando, mas não o suficiente, poderia melhorar mais. Na Malásia, criou-se uma agência com membros do governo e do empresariado que discutem estrategicamente como formar talentos para o país alcançar padrões desenvolvidos até 2020. Fiquei até chateado quando saí de lá, porque apesar da minha posição mundial na empresa, sou brasileiro. E por que não temos um plano estratégico assim no Brasil, por que não temos uma visão em longo prazo? Nós ficamos o tempo inteiro, consistentemente reagindo. Estamos resolvendo problemas ao invés de pensar em projeções para o futuro. Temos visões, mas falta ambição, somos uma das maiores economias do mundo e não fazemos nada para manter essa posição e nosso lugar de destaque e liderança.
iG: Na falta de uma visão clara a longo prazo do Estado, cabe às empresas ter esse objetivo e treinar seus funcionários?
Bonorino: Isso acaba sendo uma necessidade de sobrevivência. Não só treinando seus funcionários, mas ajudando a treinar o mercado, influenciando a academia e o ecossistema educacional. Aqui no Brasil, a IBM tem parcerias educacionais com escolas técnicas, com universidades e faculdades. Existe um trabalho em conjunto com instituições de ensino, além do foco interno no desenvolvimento dos profissionais. Não é possível continuar crescendo sem os investimentos e os recursos necessários para dar suporte à visão estratégica.
iG: Em outros países a parceria com instituições de ensino não é necessária?
Bonorino: Esse trabalho é necessário mundialmente. O governo e as instituições de ensino têm de estar juntos. Mas, o Brasil precisa mais e tem mais por fazer. A visão educacional e do desenvolvimento organizacional brasileiros progrediu, não podemos negar isso, mas ainda está aquém do que poderia ser. Esse é um dos potenciais gargalos que pode levar o Brasil a uma desaceleração. Estamos quase no pleno emprego, com apenas 6% da nossa população desempregada. Não dá mais para compensar o problema incorporando gente à produção, precisamos acelerar nossa produtividade de maneira sustentada.
iG: Esses profissionais não estão capacitados, mas estão empregados. Como explicar isso?
Bonorino: As empresas têm de desenvolvê-los. Agora é preciso preparar os funcionários quando eles entram na empresa. A IBM, por exemplo, tem muito investimento nisso, o que aumenta indiretamente o custo da mão de obra. As pessoas podiam estar mais prontas, sem dúvida nenhuma.
iG: Por que nosso país forma menos engenheiros, matemáticos, técnicos e estatísticos? É uma questão cultural?
Bonorino: De fato, há um descasamento entre oferta e demanda no mercado de trabalho. Na Índia, forma-se dez vezes mais gente na área de tecnologia, informação e engenharia e eles não são dez vezes maiores. Lá, houve um grande trabalho para vender a área de tecnologia da informação como importante. É preciso mostrar que o mundo da tecnologia é interessante, divertido, inovativo para começar a despertar o interesse nessas áreas. No Brasil, o número de horas dedicadas às ciências quando a criança está no ensino fundamental é menor do que em outros países.
iG: A falta de investimento em educação resulta em um menor potencial de inovação nos brasileiros?
Bonorino: Aqui surge inovação, temos produção de tecnologia e profissionais muito capacitados. Um profissional muito famoso na IBM mundial é o Jean Paul Jacob, um engenheiro eletrônico brasileiro-belga.
iG: Esse brasileiro que tem talento e pensa em inovação é o ponto fora da curva? É o fruto de nossa desigualdade?
Bonorino: Não, não acho que é o ponto fora da curva. O brasileiro tem a característica de inovar, de sobreviver em um ambiente com dificuldades. Poderíamos inovar muito mais se os gargalhos de infraestrutura e educação fossem resolvidos, geraríamos mais inovação de forma estruturada e diferente. Até o brasileiro que não tem acesso à educação está inovando para sobreviver. Somos inovadores por natureza, é algo cultural. Faltam condições e disciplina (uma palavra que os brasileiros não gostam muito) para que isso gere mais benefícios econômicos.
iG: Então, o que acontece? Nosso governo está cego pelo otimismo?
Bonorino: Estamos progredindo, mas falta visão de longo prazo, do que queremos ser daqui a cinco anos. Reagimos demais. Se a carga tributária está muito alta, vai lá e faz um pacote para resolver a carga tributária, se tem problema nos aeroportos, vai lá e toma uma medida. Qual é o trabalho de visão que fazemos? Não projetamos a economia que vamos ser. Tem uma série de iniciativas, mas deveria ser mais agressivo, mais amplo, mais coordenado e estruturado com nossas empresas.
iG: Muitos brasileiros estão se tornando líderes na América Latina ou globalmente. Por que as empresas querem os brasileiros na liderança?
Bonorino: Apesar dos obstáculos e desvantagens de infraestrutura e nível educacional que o Brasil tem, temos a vantagem de agregar e integrar mais fácil, ser mais suscetíveis às diferenças. É uma generalização, mas de maneira geral, as raízes culturais como falta de guerra geram pessoas com essa vantagem competitiva. Além disso, viemos de uma geração que vivenciou transformações muito importantes. Na minha carreira, vivi inflação de 50% ao mês, crise e fase de crescimento. Essa vivência de vários ciclos econômicos, vários desafios, aliado aos nossos centros de referência em educação e nossa habilidade de inovar, fazem com que muitos executivos brasileiros tenham bastante sucesso e continuem crescendo fora do país.
iG: A explosão da classe média nos Estados Unidos foi consequência do aumento da produtividade, seguido do natural aumentos dos salários. No Brasil, a que se deve o fenômeno da nova classe média?
Bonorino: Esse é um fenômeno de inserção importantíssimo, muitos países estão fazendo isso. Só que essa estratégia chega a um limite. A inserção de novos trabalhadores e consumidores num mercado formal acelera o crescimento, mas em algum momento quase todos já estarão inseridos. Aí o delta vai ser produtividade. O país cresceu, a classe média cresceu, mas e depois da inserção, o que fazer?
iG: A visão dos estrangeiros sobre o Brasil mudou?
Bonorino: O Brasil ainda é visto como um emergente com grande potencial de crescimento. Mas, há dúvidas sobre sua capacidade de crescimento sustentável e estruturado. O Brasil vai realmente acompanhar os outros emergentes que estão crescendo de forma mais agressiva? Existem perguntas. O olhar não é o mesmo, Existe uma expectativa muito grande, mas temos que fazer mais e melhor. Já progredimos, mas podemos progredir mais.

Fonte: http://economia.ig.com.br/empresas/2012-10-29/alguem-vai-fazer-melhor-e-mais-barato-em-algum-lugar.html

22.10.12

‘Brasil não é protecionista’, diz Delfim Netto

Delfim Netto é saudado pelo vice-presidente da República Michel Temer e pelo presidente do Conselho de Administração do CIEE, Ruy Martins Altenfelder Silva. 

O economista Antônio Delfim Netto, colunista de CartaCapital, afirmou nesta segunda-feira 15, em um evento do CIEE em São Paulo, que o Brasil não age de maneira protecionista no comércio mundial, mas “toma algumas medidas em legítima defesa”. O País vem recebendo críticas nos últimos meses de Japão e Estados Unidos, entre outras economias, por adotar ações como a taxação de importados. Um tipo de medida que, para o especialista, ocorre em razão do afrouxamento monetário dos países centrais, que inundam o mercado de dólares para dar maior liquidez às suas economias, afetando indiretamente a economia brasileira.
“Não há nenhum país que não tente defender o nível de sua atividade”, disse. “No Brasil, tivemos muitas dificuldades, câmbio valorizado por muito tempo. Destruímos a sofisticação de uma indústria importante e estamos tentando reconstruir isso. Não há nada de protecionismo nisso”, completou, após receber o prêmio Professor Emérito de 2012 – Troféu Guerreiro da Educação, realizado pelo CIEE e o jornal O Estado de S.Paulo. O evento homenageia todos os anos as personalidades que se destacaram na educação.
O economista também comentou ser o momento de interromper a longa série de quedas na Selic, que na última semana foi cortada em mais 0,25 ponto percentual pelo Comitê de Política Monetária (Copom). A taxa de juro da economia está em 7,25%, o patamar mais baixo da história. “Muitos incentivos já foram dados e, talvez, seja bom esperar para verificar os resultados.”
Educação
Em seu agradecimento pelo prêmio, Delfim destacou que a economia atual está profundamente relacionada à maneira como os recursos naturais são utilizados, pois  a produção de gases nocivos ao meio ambiente é proporcional ao avanço do PIB dos países, contribuindo para a mudança climática.”É  preciso utilizar os recursos naturais de maneira mais eficiente para melhorar a produção e fazer pesquisas para reduzir a produção de CO2. Mas tudo isso depende de educação, pesquisa e inovação. Não há nada no desenvolvimento do mundo que não dependa do conhecimento.”
Presente no evento, o vice-presidente Michel Temer elogiou a forma como Delfim transita pelo mundo acadêmico e jornalístico. “Você dá um sabor muito popular à economia, o que me leva a procurar seus escritos para me informar sobre o que acontece no país e no mundo.”

Fonte: http://www.cartacapital.com.br/economia/brasil-nao-e-protecionista-diz-delfim-netto/