Analistas do mercado financeiro elevaram pela sétima semana
consecutiva suas projeções para a inflação em 2012, de acordo com o
boletim semanal Focus, divulgado nesta segunda-feira pelo Banco Central.
A mediana das projeções para o Índice Nacional de Preços ao
Consumidor Amplo (IPCA), resultado de consulta a mais de cem
instituições financeiras, subiu de 5,15% para 5,19%. Para 2013, contudo,
as apostas seguiram em 5,5% pela nona semana consecutiva. O IPCA é
considerado o indicador oficial de inflação do país, porque é usado para
balizar as metas de inflação perseguidas pelo Banco Central. Para 2012,
o centro da meta é de 4,5%.
A mediana de médio prazo dos analistas Top 5 – os que mais acertam as previsões – passou de 5,15% para 5,20%.
A piora das projeções para 2012 vem após a divulgação do resultado do
IPCA-15, prévia do índice oficial de inflação do país. De acordo com o
IBGE, o IPCA-15 avançou para 0,39% em agosto, acima das projeções do
mercado que oscilavam ao redor de 0,35%.
Os analistas também elevaram suas projeções para o IPCA em agosto, de
0,35% para 0,37%. Há quatro semanas, a mediana estava em 0,31%.
Apesar do aumento das previsões para o ano, a mediana das projeções
para o IPCA em 12 meses registrou ligeiro recuo nesta semana, de 5,66%
para 5,64%.
Corte nos juros
Analistas do mercado mantiveram suas estimativas para a taxa básica
de juros da economia, a Selic, em 7,25% ao fim de 2012, e reduziram,
pela segunda semana, a previsão para a taxa de juros ao fim de 2013, de
8,38% para 8,25%, de acordo com o boletim Focus.
Eles também não alteraram sua expectativa para a Selic em agosto e
esperam que na reunião desta semana o Copom reduz o juro em 0,50 ponto
percentual, para 7,5%.
Mais agressivos, os analistas Top 5 – os que mais acertam as
previsões – reduziram suas apostas para a Selic em 2012. A mediana de
médio prazo desse grupo caiu de 7,25% para 7% ao fim deste ano. Para
2013, eles elevaram suas previsões de 8,63% para 8,88%.
Economia mais fraca
A mediana das projeções para o crescimento do Produto Interno Bruto
(PIB) em 2012 no Focus cedeu de 1,75% para 1,73%. Há um mês, a projeção
estava em 1,9%.
A aposta é mais moderada do que a previsão do Ministério da Fazenda, que na
sexta-feira reduziu de 4,5% para 3%, a projeção para o crescimento do PIB neste ano.
Para 2013, a estimativa de expansão do PIB se manteve em 4% no Focus.
Os analistas também seguiram reduzindo suas expectativas para a
produção industrial neste ano e agora esperam contração de 1,55% nessa
atividade, ante queda de 1,2% estimada na semana passada. Para 2013, a
expectativa passou de expansão de 4,4% para alta de 4,5%.
Câmbio e balança
Analistas do mercado financeiro não alteraram suas projeções para o
câmbio ao fim de 2012 e de 2013. A mediana das expectativas para ambos
os períodos se manteve em R$ 2,0.
Os analistas Top 5 – os que mais acertam as previsões – mantiveram
sua projeção de R$ 2,04 para o câmbio ao fim deste ano, mas a reduziram
para o fim de 2013, de R$ 2,15 para R$ 2,10. Ambas são medianas de médio
prazo.
Também foi mantida a projeção para o saldo da balança comercial em
2012, em US$ 18 bilhões. Para 2013, houve pequeno ajuste para cima, de
US$ 14,78 bilhões para US$ 15 bilhões.
A estimativa para o investimento estrangeiro direto (IED) neste ano
ficou em US$ 55 bilhões, apesar de o IED de julho ter surpreendido. Para
2013, a projeção passou de US$ 60 bilhões para US$ 59 bilhões.
Na semana passada, o BC informou que o ingresso de investimentos
estrangeiros no mês passado ficou em US$ 8,421 bilhões, o melhor
resultado para julho na série histórica do BC, com início em janeiro de
2005.
É também a maior cifra desde dezembro de 2010 (US$ 15,374 bilhões).
Na ocasião, o chefe do departamento econômico do BC, Túlio Maciel,
afirmou que o resultado de julho surpreendeu e que a partir dele “há um
viés para cima na nossa projeção do IED para o ano”. Pela estimativa
atual, o BC espera ingresso de US$ 50 bilhões de IED neste ano, US$ 16,6
bilhões a menos do que no ano passado.
O boletim Focus também mostrou aumento na projeção de déficit em
conta corrente, de US$ 58,63 bilhões para US$ 58,71 bilhões em 2012.
Para 2013, a estimativa foi mantida em US$ 70 bilhões.
A estimativa para a dívida líquida do setor público passou de 35,27%
do PIB para 35,25% do PIB em 2012 e, para 2013, se manteve em 34,0%.