8.4.12

Crise econômica é a maior ameaça à saúde no planeta, alerta presidente do Conselho Nacional de Saúde


Gilberto Costa
Repórter da Agência Brasil

Brasília – A crise econômica internacional e a consequente diminuição de gastos públicos na saúde devem ser a principal preocupação da humanidade hoje (7), data que marca a passagem do Dia Mundial da Saúde. A avaliação é do presidente do Conselho Nacional de Saúde (CNS), Francisco Batista Júnior, em entrevista ao programa Revista Brasil, da Rádio Nacional.
“A maior ameaça [à saúde no mundo] é o momento político. Em função de uma crise estrutural, a saúde está cada vez mais ameaçada pela possibilidade de ser transformada única e exclusivamente em mercadoria e não tratada como direito do ser humano”, opinou Batista Júnior.
A crise econômica diminui a oferta de emprego em outros países e restringe as fontes de financiamento baseadas em descontos nos salários para custeio de seguridade social. O presidente do CNS diz que se preocupa, especialmente, com a situação dos países europeus que, em função de problemas de orçamento do Estado, estão diminuindo o alcance das políticas de bem-estar social.
Para ele, o funcionamento do Sistema Único de Saúde (SUS), em tempos de crise internacional, é um trunfo brasileiro. “A reforma sanitária que levou ao SUS foi pensada na lógica da saúde sendo um direito universal das pessoas; como direito inalienável e inquestionável e não um bem a ser vendido do mercado”, defendeu.
De acordo com o especialista, o SUS “é o maior responsável pela melhoria da qualidade de vida do Brasil”. Antes do sistema (previsto na Constituição de 1988), o país padecia com “diversas moléstias” e hoje tem uma “situação sanitária de mais qualidade” e “com acesso a tecnologias de última geração”, ressaltou.
O presidente do CNS reconhece, no entanto, que o SUS não foi implementado integralmente. “Está em desacordo com o que diz a legislação e a Constituição Federal”, disse fazendo referência ao “subfinanciamento” e às “lacunas graves na prevenção”.

Alimentos sobem e inflação em São Paulo atinge 0,15% em março, mostra Fipe


Marli Moreira
Repórter da Agência Brasil


São Paulo - O Índice de Preços ao Consumidor (IPC), medido pela Fundação Instituto de Pesquisas Econômicas (Fipe), encerrou o mês de março em alta de 0,15% ante uma variação negativa de 0,07%, em fevereiro. A principal elevação ocorreu no grupo alimentação (0,47%). No mês anterior, os itens alimentícios tinham apresentado um recuo de 0,98% nos preços.

Houve reversão também no grupo transportes que saiu de uma queda de 0,16%, em fevereiro, para uma alta de 0,25%, em março. A inflação reflete ainda a elevação de preços em saúde (0,38%). Nesse caso, porém, houve decréscimo em relação ao comportamento verificado em fevereiro (0,5%).
Em vestuário, a taxa subiu 0,18% - ante -0,44% no mês anterior. No grupo educação, foi registrada ligeira elevação com o IPC em 0,04%, o que mostra expressiva redução no ritmo de correções neste grupo já que em fevereiro, a alta tinha sido de 0,47%.
Os aumentos foram minimizados por baixas em dois grupos: habitação, com -0,06% ante 0,4% e despesas pessoais, com -0,21% ante 0,25%. No acumulado do ano, o IPC registra alta de 0,74% e, nos últimos 12 meses, 4,76%.

29.3.12

Ler é só a 7ª atividade favorita do brasileiro

Brasília – O índice de brasileiros que prefere ler no seu tempo livre caiu de 36% entre 2007 para 28% em 2011. É o que aponta a pesquisa Retratos da Leitura no Brasil, divulgada nesta quinta-feira 28 pelo Instituto Pró-Livro.

O estudo tem como objetivo identificar os hábitos e as preferências dos leitores brasileiros. Assistir televisão continua sendo a atividade preferida e foi escolhida por 85% dos entrevistados. Em seguida aparecem escutar música ou rádio (52%), descansar (51%) e reunir-se com amigos e a família (44%). Cada entrevistado escolheu até cinco opções.

A leitura – incluindo jornais, livros, revistas e textos na internet – aparece em sétimo lugar na lista das atividades que o brasileiro mais gosta de fazer no seu tempo livre. Enquanto o percentual de entrevistados que declara gostar de ler cai, o grupo dos que aproveitam o tempo ocioso para acessar a internet subiu de 18% para 24% entre 2007 e 2011. A pesquisa também identificou um novo comportamento que não estava no estudo anterior: acessar as redes sociais, indicado como atividade frequente por 18% dos entrevistados.

Setenta e cinco por centro dos entrevistados dizem que leem por prazer e 25% por obrigação. Entre os entrevistados, 49% disseram ler mais hoje do que no passado, 28% acreditaram ler menos e 20% avaliaram que leem na mesma quantidade. A principal razão apontada por aqueles que diminuíram o volume da leitura foi o desinteresse (78%), o que inclui a falta de tempo, a preferência por outras atividades e a “falta de paciência para ler”. Apenas 4% apontaram a dificuldade de acesso aos livros como motivo para ler menos, o que inclui o preço do livro, a falta de bibliotecas perto de casa ou de livrarias.

Entre os participantes, 64% concordaram totalmente com a afirmação “ler bastante pode fazer uma pessoa vencer na vida e melhorar sua situação econômica”. Ao mesmo tempo, a maior parte diz que não conhece ninguém que tenha progredido na vida por ler muito.

O estudo também perguntou ao entrevistado qual era o significado da leitura para ele. Para 64%, a leitura é uma “fonte de conhecimento para a vida”. Entre as principais respostas obtidas estão ainda “fonte de conhecimento para atualização profissional” (41%) e “fonte de conhecimento para a escola” (35%). Apenas 6% consideram a leitura uma atividade cansativa e 5% acham que é entediante.

Fonte: htwww.cartacapital.com.br/sociedade/ler-e-so-a-7a-atividade-favorita-do-brasileiro/#todos-comentarios

28.3.12

Austrália é exemplo de que só queda de juro não segura câmbio, diz Nelson Barbosa

Em palestra para especialistas em macroeconomia estrangeiros e brasileiros na FGV, o secretário-executivo do Ministério da Fazenda alertou que a variação da moeda da Austrália – o dólar australiano – frente ao dólar dos Estados Unidos segue mês a mês a mesma curva de apreciação e depreciação do real, apesar de conviver com uma taxa de juro oficial equivalente a menos da metade da cobrada no Brasil. Nelson Barbosa defende que a selic continue baixando, mas propõe outras medidas para conter o câmbio.

Mesmo com uma taxa de juro oficial que equivale a menos da metade da cobrada no Brasil, desde 2006 a variação da moeda da Austrália – o dólar australiano – frente ao dólar dos Estados Unidos segue mês a mês a mesma curva de apreciação e depreciação do real.

Esse é apenas um dos sinais em que se baseia o governo brasileiro para concluir que apenas a queda da selic, hoje em 9,75%, não evitará a valorização do real, fonte de prejuízos à indústria do país.

O exemplo australiano foi apresentado na última sexta-feira (23) pelo secretário-executivo do Ministério da Fazenda, Nelson Barbosa, em palestra para economistas especializados em macroeconomia na Fundação Getúlio Vargas, em São Paulo.

Segundo Barbosa, analistas que atuam no mercado financeiro estimam que a sobrevalorização do real chegue hoje a 20%. Isso significa que se o preço do papel representasse o valor real de produtos e serviços “made in Brazil”, ele atingiria em torno de R$ 2,15 por dólar, e não os R$ 1,80 registrados atualmente.

Não que os altos juros brasileiros deixem de influenciar o câmbio. O secretário-executivo da Fazenda avalia que “desde o início da política de câmbio flutuante, o real tende a se apreciar quando não há choques domésticos ou internacionais”.

Mas estudos econométricos e o próprio exemplo australiano indicam que atacar o juro alto não basta. Barbosa levanta três hipóteses para o atual ciclo de apreciação cambial, que, segundo ele, iniciou-se em 2006.

- Redução do “risco Brasil” atrai dólares de investidores estrangeiros. As reservas internacionais, que podem ser usadas em eventual turbulência, não alcançavam US$ 50 bilhões em 2001, e hoje passam de US$ 350 bilhões.

- Valorização dos preços das commodities exportadas pelo Brasil não só ajuda a atrair mais dólares de investidores estrangeiros, como sinaliza que o país pode “sustentar uma moeda mais valorizada”.

- A elevação da renda per capita dos brasileiros eleva os preços dos produtos no país, sobretudo no setor de serviços, o que influencia preços relativos e gera apreciação cambial.

Diante dessas hipóteses, Barbosa afirma que os contextos econômicos externo e interno pressionam pela valorização do real no curto prazo, gerando volatilidade no médio prazo.

Qual a solução?

Além de continuar a reduzir a taxa selic, Barbosa defende a manutenção da flutuação cambial – “facilita o ajuste da economia quando há choques estrangeiros e domésticos” –, intervenções pontuais no câmbio, com compra de dólares pelo BC e “regulação do fluxo do capital”, além de incentivos fiscais e financeiros ao setor industrial.

“Mesmo que a apreciação cambial seja temporária, ela pode durar tempo suficiente para causar efeitos permanentes no desenvolvimento da economia”, alerta o secretário-executivo do ministério. “E o crescimento do setor industrial é crucial para o país”.

Fonte: www.cartamaior.com.br/templates/materiaMostrar.cfm?materia_id=19848

25.3.12

EMPREENDIMENTO CRIA UM BAIRRO INTEIRO NO ‘MEIO DO NADA’


A duas horas do centro do Rio de Janeiro, um megaempreendimento com 32 mil casas pode sinalizar um novo modelo de moradia no Brasil. Com financiamento do programa Minha Casa, Minha Vida, o Cidade Paradiso inaugura um procedimento bastante comum em outros países da América Latina, como o México: construir condomínios de casas para famílias, com tamanho de bairros inteiros, mas distantes dos grandes centros urbanos.

 
Cidade Paradiso cria um bairro em beira de rodovia. Foto: Reprodução do site

“Saindo da Cidade do México, depois de 1h30 de estrada, você chega num conjunto de 25 mil casas, no meio do nada”, explica a arquiteta Ermínia Maricato, pesquisadora da Faculdade de Arquitetura e Urbanismo da USP.
Localizado no município de Nova Iguaçu, o Cidade Paradiso destina-se a moradores com faixa de renda de até cinco mil reais e faz parte da estratégia do governo de reduzir o déficit habitacional urbano. Equivale a área dos bairros de Copacabana e Ipanema juntos e está todo integrado no Minha Casa, Minha Vida.
O modelo suscita críticas entre especialistas. Letícia Figolo, do Laboratório da Habitação da FAU-USP, lembra que bairros isolados criam demanda de deslocamento, o que pode contribuir para o caos na mobilidade. Além disso, podem ter implicações no meio ambiente.
“Mexem com a terra para que ela fique plana, porque é mais fácil reproduzir o mesmo projeto no plano. Mas isso causa problema de drenagem e erosão”, aponta.
Segundo ela, o conjunto é emblemático pelas proporções. Mas, apesar de se apresentar como solução para a questão habitacional, não foca na faixa que mais sofre com a falta de moradia, que é a população com renda de até três salários mínimos. Além das casas, o projeto prevê um clube, parque e até mesmo pólo industrial.

Para Maricato, o Minha Casa, Minha Vida injetou dinheiro no mercado imobiliário sem um planejamento urbano. A explosão de preços dos imóveis, sobretudo nas grandes cidades, é uma de suas consequências. “Qualquer cidade importante vai sair desse circuito de especulação imobiliária intensa completamente transformada”, afirma.
Segundo Ermínia, uma parte importante das moradias brasileiras está na ilegalidade.Em São Paulo, a porcentagem é de 22%. Mas em algumas cidades, como Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo e Belém (PA), esse valor chega a 60%. Letícia Figolo aponta que empreendimentos como o Cidade Paradiso são uma opção para pessoas que viviam em áreas não regularizadas. Para Ermínia, essa parcela ilegal já faz parte da cidade brasileira.
A consequência é que, nesses lugares, o poder público não tem acesso. “Fonte importante de violência na cidade é o fato de não se ter lei para ocupar o solo e nem lei pra nada nesses lugares”, afirma.

O DESAFIO DE RETOMAR OS INVESTIMENTOS


A presidenta Dilma Rousseff reune 15 dos maiores empresários brasileiros para estimulá-los a investir mais no Brasil. Constatou-se que os grandes grupos estão com o caixa cheio e com alguma indecisão ainda em retomar investimentos graúdos. A intenção da presidente é estimular o chamado “espírito animal” do empresário.
 

Para deflagrar uma nova onda de investimento privado, no entanto, é importante entender melhor a dinâmica do desenvolvimento.
O primeiro e mais relevante passo é a criação de um mercado interno robusto. Já se tem, tanto no mercado de consumo de massa quanto no que se convencionou chamar de “gargalos” – que nada mais são do que pontos de demanda não atendida.
Além disso, o pré-sal criará uma demanda adicional incalculável para os setores de máquinas e equipamentos, naval, de mobiliário etc.
Tendo-se a demanda, o passo seguinte é viabilizar a produção. Para tanto, há que se ter duas condições especiais: capital para financiar o investimento e condições de competitividade em relação ao produto importado.
A primeira condição será alcançada com a mera redução da taxa Selic. A única influência da taxa é nas decisões de investimento. Baixando a Selic, os fundos de pensão, fundos de investimento, as próprias grandes companhias, terão que sair do conforto da renda fixa para a renda variável.
Hoje em dia já se tem um mercado de capitais bastante sofisticado para promover essa reciclagem da poupança.
Resta o último grande desafio: a competitividade do parque industrial brasileiro.
Há duas maneiras de tornar o produto brasileiro competitivo: qualidade (mais inovação tecnológica) e preço.
Há uma lógica nos modelos cambiais: quando a economia é pouco competitiva, compensa-se com câmbio fraco, moeda desvalorizada. Isso faz com que se consiga competir nos mercados globais com preços baratos. Depois, à medida que as empresas vão ampliando as vendas, ganham fôlego para investir em pesquisa, inovação, novos produtos.
Todo grande modelo de desenvolvimento mundial – Inglaterra, Japão, Itália e Alemanha no pós-guerra, Coreia, China – percorreu esse caminho. A lógica é simples: só depois de ampliar as vendas externas, ganhar dimensão, ter escala, mercado, a empresa conseguirá fôlego para investir em pesquisa e inovação.
Há outros fatores relevantes na definição de preço: o chamado custo Brasil. Entram nessa equação a estrutura de juros, o peso dos impostos, a infraestrutura, a burocracia pública. Quanto menos se avançar nesses itens, maior será o peso do câmbio.
Na entrevista que me concedeu, algumas semanas atrás, a presidente Dilma Rousseff enfatizou que seu grande desafio será a consolidação do parque industrial brasileiro.
Por enquanto, a Fazenda tem avançado apenas em questões pontuais de defesa comercial ou desoneração tributária de um ou outro setor.
Trata-se de um anacronismo – em termos de política industrial. E, nesse ponto, os mercadistas têm razão: em vez da proteção de um ou outro setor, como que querendo tapar os furos de uma peneira, há que se avançar em soluções sistêmicas, que abranjam toda a economia brasileira.

CLASSE C PASSOU A SER MAIORIA DA POPULAÇÃO EM 2011


O  ano passado, 2,7 milhões de brasileiros mudaram o perfil de renda, saindo das classes D e E para integrar a classe C. Além disso, 230 mil pessoas deixaram a classe média e entraram nas classes mais ricas (A e B).
 
Pesquisa indicou que capacidade de consumo do brasileiro aumentou, já que a renda disponível, ou o montante de sobra dos ganhos, subiu cerca de 20%. Foto: Daniel Teixeira/AE
Com isso, em 2011, a maior da parte da população (54%) já fazia parte da classe C. Isso representa uma mudança em relação ao verificado em 2005, quando a maioria (51%) estava nas classes D/E. É o que mostra a sétima edição da pesquisa Observador Brasil 2012, feita pela empresa Cetelem BGN, do Grupo BNP Paribas, em parceria com o instituto Ipsos Publics Affairs.
O levantamento também revela um aumento, em comparação a 2005, da porcentagem de brasileiros na classe A/B. Hoje a porcentagem é de 22%, em 2005, era de 15%.
Consumo e renda
A pesquisa indica ainda que a capacidade de consumo do brasileiro aumentou. A renda disponível, ou o montante de sobra dos ganhos, descontando-se as despesas, subiu pouco mais de 20% (de 368 reais, em 2010, para 449 reais, em 2011) . Na classe C, houve um aumento de 50% (de 243 reais para 363 reais).
Enquanto a renda média familiar das classes A/B e D/E ficaram estáveis, na classe C cresceu quase 8%. Mas a pesquisa mostra que em todas as classes houve um aumento da renda disponível, que ultrapassou 1 mil reais, entre os mais ricos.
“O aumento da renda disponível em todas as classes sociais indica que houve maior contenção de gastos”, destaca a equipe técnica responsável pela pesquisa.