7.3.13

Economistas de fato acreditam que é possível conseguir algo em troca de nada

Um indivíduo vai ao médico e reclama estar sentindo algumas dores localizadas.  O médico examina o paciente e faz um diagnóstico incorreto.  Ele receita alguns remédios para o paciente e os sintomas desaparecem.  Com o tempo, o indivíduo passa a crer que está curado.  Ele pensa que está com mais saúde.  Ele pensa que melhorou em definitivo.  Mas está ocorrendo justamente o oposto: ele ficou ainda mais doente; mas como os sintomas de sua doença desapareceram, ele supõe que foi curado.  Ele não fará mais nada para lidar com sua doença.  Mas a doença pode ser fatal. 
Conheço um sujeito que durante muito tempo padeceu de uma doença que apresentava sintomas idênticos à doença de Parkinson.  Durante 25 anos, seu médico diagnosticou sua condição como sendo mal de Parkinson.  Ele foi colocado sob um tratamento voltado para combater o mal de Parkinson.  Recentemente, descobriu-se que na realidade ele nunca teve mal de Parkinson.  Ele tem uma doença congênita que cria exatamente os mesmos sintomas do mal de Parkinson.  Estes sintomas podem ser efetivamente tratados por meio de uma operação.  Ele fará esta operação mês que vem.  Com certeza, a maioria dos sintomas desaparecerá.
Os tratamentos que ele recentemente passou a fazer, e que foram concebidos para lidar com doenças congênitas, melhoraram acentuadamente seu estado.  Em suma, o diagnóstico feito 25 anos atrás levou a uma série de despesas com remédios totalmente desnecessários, o que, por sua vez, levou à falsa conclusão de que os remédios estavam combatendo efetivamente a doença.  Mas não estavam.  Eles estavam apenas atacando sintomas criados pelo mal de Parkinson.  Ele passou 25 anos de sua vida sem ter saúde e incorreu em gastos completamente desnecessários lidando com uma doença que nunca teve.
Por que estou contando esse caso real?  Porque ele é uma metáfora perfeita para ilustrar exatamente o que as políticas de Banco Central fazem com uma economia.  Um Banco Central lida com sintomas.  Pior ainda: lida com sintomas causados justamente por suas políticas anteriores.  Explico.
Os dígitos são de graça; a riqueza, não
"Não é possível obter alguma coisa em troca de nada."  Todos os economistas dizem acreditar nesta máxima.  Porém, a verdade é que, com a exceção dos economistas seguidores da Escola Austríaca, nenhum economista realmente crê nessa máxima.
Todos os economistas, exceto os seguidores da Escola Austríaca, dizem que uma política monetária mais frouxa, com redução dos juros, gera crescimento econômico sólido.  Uma combinação de expansão monetária com gastos do governo é um remédio capaz de reverter recessões e gerar prosperidade.
Somente os austríacos possuem uma metodologia consistente, a qual diz que é logicamente impossível o governo ser a fonte do crescimento econômico.  O governo nada mais é do que uma agência que redistribui riqueza à força.  O mesmo pode ser dito a respeito de um Banco Central.  O Banco Central é uma agência estatal que utiliza seu monopólio da moeda para expandir a base monetária da economia.  Tal expansão monetária é utilizada pelo governo para financiar a própria burocracia e demais programas governamentais, como obras realizadas por empresas e empreiteiras com fortes ligações políticas.  Esta criação de dinheiro transfere riqueza do setor privado para o setor público.  Ela permite que pessoas que nada produziram se apossem de bens e serviços.  Ela faz com que pessoas obtenham recursos escassos sem dar nada em troca.  Isso não é criação de riqueza, dizem os austríacos; isso é redistribuição de riqueza.
Mas a criação de dinheiro não gera apenas redistribuição de riqueza.  Ela gera também destruição de riqueza.  A destruição de riqueza ocorre porque o Banco Central, ao criar dinheiro na forma de dígitos eletrônicos e manipular a taxa de juros, gera sinais econômicos distorcidos.  Ele sinaliza que há empreendimentos em determinadas áreas que repentinamente se tornaram lucrativos.  Isso induz empreendedores e consumidores ao erro.  Estes falsos sinais criados pela criação de dígitos geram decisões errôneas e infundadas.  E decisões sensatas e sólidas são a alma da teoria empreendedorial.  Sendo assim, a expansão monetária feita pelo Banco Central aumenta a quantidade de erros no sistema econômico, e esses erros vão se acumulando ao longo do tempo.  Capital e recursos escassos são direcionados para setores cuja demanda é apenas temporária, pois foi artificialmente estimulada.  Isso inevitavelmente leva a uma recessão, que é o processo em que tais erros são depurados e expurgados.
Somente os austríacos são consistentes ao afirmar que você não pode obter algo em troca de nada.  O "nada" a que os economistas austríacos se referem são os dígitos eletrônicos criados pelo Banco Central, também chamados de dinheiro.  Estes dígitos eletrônicos são produzidos pelo Banco Central a um custo marginal zero.  Dizer que a simples criação de dígitos gera crescimento econômico, prosperidade e bem-estar é uma afirmação que ainda tem de ser comprovada pela teoria e pela prática.  O que já foi explicado pela teoria e comprovado pela prática é que a criação de tais dígitos gera consequências negativas.  Eles criam sinais falsos que são utilizados tanto por consumidores quanto por produtores para planejar seu futuro.  Esses sinais falsos criam prejuízos, e os prejuízos reduzem a riqueza econômica.  Prejuízos produzem contração econômica, e não crescimento econômico.  No final, sobram apenas preços mais altos.
Keynesianos exigem que o Banco Central esteja aumentando continuamente a oferta monetária.  Economistas da Escola de Chicago também exigem o mesmo, embora queiram que tal aumento seja menor e mais previsível.  Os seguidores das expectativas racionais querem que moeda continue sendo fiduciária e de curso forçado porque são avessos a mudanças na política econômica.  Os economistas supply-siders (do lado da oferta) também defendem este arranjo porque são defensores de déficits orçamentários.  Eles também acreditam que a expansão monetária é boa para estimular o crescimento econômico.
Se dissermos que, em termos econômicos, dígitos eletrônicos não são nada, e se também dissermos que crescimento econômico é alguma coisa, então temos de concluir, por uma simples questão de lógica, que ou os dígitos eletrônicos não são a causa do crescimento econômico, ou, se eles são a causa, então a velha máxima está errada.  Seria sim possível conseguir alguma coisa em troca de nada.
Quando se diz que dinheiro eletrônico não é nada, no sentido de que o custo marginal de se produzir dígitos adicionais é zero, então há apenas uma conclusão inevitável, supondo-se ser verdade que não podemos conseguir algo em troca de nada: o "algo" que o dinheiro digital parece gerar — crescimento econômico — é uma ilusão. 
Se o dinheiro pode ser criado 'do nada', como gostam de dizer os críticos do sistema bancário de reservas fracionárias, então o crescimento econômico que ocorre em decorrência desta criação de dinheiro tem de ser uma ilusão.  Tal crescimento econômico tem inevitavelmente de estar consumido recursos escassos de alguma forma não perceptível, de modo que, em algum momento futuro, haverá perdas e prejuízos econômicos.  E preços maiores.
Em outras palavras, o crescimento econômico mensurado por indicadores estatísticos não foi realmente um crescimento econômico.  Tudo o que ocorreu foi uma transferência de riqueza de alguns setores da economia — setores estes que não estão devidamente ponderados pelo pessoal que constrói os índices estatísticos utilizados para identificar crescimento econômico — para outros setores, que possuem um peso maior no índice.  Os indicadores estatísticos, portanto, estão ignorando os custos associados a essa transferência de riqueza, a qual ocorre por causa das informações falsas geradas pela criação de dígitos eletrônicos.
O diagnóstico errado
Comecei este artigo citando o caso de um sujeito que sofreu em decorrência de um diagnóstico errado.  E disse que sua situação era uma metáfora perfeita para ilustrar exatamente o que as políticas de Banco Central fazem com uma economia.  Um Banco Central lida com sintomas.  Pior ainda: lida com sintomas causados justamente por suas políticas anteriores. 
Políticas anteriores de expansão monetária geram um crescimento econômico artificial que inevitavelmente termina em recessão.  Para combater esta recessão, o Banco Central volta a colocar em prática exatamente as mesmas políticas que levaram à recessão.  Diagnóstico errado.  Sendo assim, ano após ano, geração após geração, os bancos centrais expandem a oferta monetária.  E eles fazem isso sempre com a justificativa de estarem lidando com recessões.  E são estas mesmas políticas que geram os ciclos econômicos.  Portanto, os remédios utilizados pelo Banco Central intensificam as doenças futuras.  Dígitos gratuitos produzem informações ruins. 
Estas informações ruins produzem a ilusão de crescimento econômico.  Tudo o que houve foi empreendedores investindo dinheiro onde não deveriam investir, em projetos que não deveriam ter sido lançados.  E preços mais altos como consequência.
Conclusão
Não é possível conseguir alguma coisa em troca de nada.  Em economia, o que se consegue em troca de nada é apenas informação ruim.  E estas informações ruins geram prejuízos.  Mas todos os economistas, com a exceção dos seguidores da Escola Austríaca, insistem em dizer que uma expansão monetária feita pelo Banco Central é a base de sustentação para o crescimento econômico.  Ao afirmarem isso, jogam no lixo a máxima de que não é possível conseguir algo em troca de nada, máxima essa que eles próprios afirmam ser verdadeira.  Eles estão tão iludidos que nem mesmo percebem a inconsistência de sua posição.

http://www.mises.org.br/Article.aspx?id=1542

Copom mantém Selic em 7,25%

Comitê de Política Monetária optou por não alterar a taxa básica de juros com base nas perspectivas de inflação e na conjuntura econômica do País

O Comitê de Política Monetária (Copom) anunciou na noite de hoje (6) que vai manter a taxa básica de juros (Selic) em 7,25%. Segundo nota, a decisão, por unanimidade, foi tomada com base na "conjuntura macroeconômica e as perspectivas para a inflação", sem viés.
Foi a terceira vez seguida que o Copom não mexeu na taxa básica de juros, depois de uma sequência de dez cortes.
A manutenção da Selic era esperada pelos economistas. Por meio de nota, a FecomercioSP (Federação do Comércio de Bens Serviços e Turismo do Estado de São Paulo) apoiou a decisão. "Com a incerteza dos rumos da inflação, a FecomercioSP acredita que a atitude do Copom refletiu o papel que cabe ao Banco Central que é o de defender a estabilidade da moeda. Para a federação, na ausência de outros mecanismos eficazes para o exercício dessa função, só resta a condução cuidadosa da taxa de juros", informou a entidade.
A próxima reunião do Copom está marcada para 16 e 17 de abril. A ata da reunião desta quarta-feira (6) será divulgada pelo BC na quinta-feira da próxima semana (14).

http://economia.ig.com.br/2013-03-06/copom-mantem-selic-em-725.html

Ações de empresas de Eike Batista disparam na Bovespa 24

As ações de várias empresas do grupo EBX, de Eike Batista, operavam em forte alta na Bovespa nesta quinta-feira (7), após anúncio de acordo de cooperação estratégica com o BTG Pactual.
Às 14h30, os papéis da petrolífera OGX ganhavam 21,23%; enquanto a LLX, de logística, tinha alta de 13,12%; e a mineradora MMX, de 15,11%.
Fora do Ibovespa (principal índice da Bolsa), a empresa de construção naval OSX subia 10,48%.

Cooperação estratégica

O grupo EBX e o BTG Pactual anunciaram nesta quarta-feira (6) que fizeram uma parceria de cooperação estratégica, envolvendo assessoria financeira, linhas de crédito e futuros investimentos de capital de longo prazo para projetos do grupo liderado por Eike Batista.
Segundo o comunicado, a parceria contará com um comitê de gestão estratégica e financeira composto por executivos do BTG, do banqueiro André Esteves, e da EBX.
O comitê, liderado por ambos os empresários, se reunirá semanalmente. Pelo acordo, a remuneração do BTG dependerá do desempenho das empresas do grupo EBX, as quais atuam em setores como petróleo e energia, mineração e logística.

Bens de capital aceleraram ritmo da indústria em janeiro, diz IBGE

Produção de caminhões cresceu 206,4% em relação a janeiro de 2012.
Bens de capital interromperam 16 meses de taxas negativas.

O crescimento de 2,5% da atividade industrial no país em relação a dezembro de 2012 foi puxado principalmente pelo setor de bens de capital, que cresceu 8,2% na mesma base de comparação (o maior desde junho de 2008, quando chegou a 8,8%). Já na comparação com janeiro de 2012, a atividade fabril cresceu 5,7%, com o grupo de bens de capital apresentando alta de 17,3%.
Segundo André Macedo, gerente da Coordenação da Indústria do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que divulgou os números da indústria em janeiro nesta quinta-feira (8), o crescimento de 17,3% do grupo de bens de capital comparado com janeiro de 2012 interrompeu uma sequência de 16 meses de taxas negativas sucessivas e foi a mais elevada depois de fevereiro de 2011, quando marcou 19,4%.
A aceleração na atividade industrial em janeiro, segundo Macedo, é resultado principalmente da retomada da produção de caminhões, no setor de bens de capital, e automóveis, no segmento de bens de consumo duráveis, com o fim de períodos de férias coletivas, com incentivos fiscais, e com os estoques normalizados ou em alguns caso até abaixo do normal.
Na comparação com janeiro de 2012, a produção de automóveis cresceu 25,3% (a maior deste janeiro de 2010, quando marcou 30,6%) e a de caminhões, 206,4%. Em janeiro de 2012, lembra o gerente, os estoques estavam altos e a produção de caminhões havia recuado por conta da alta nos custos devido às exigências nova motorização menos poluente.
“Estoques acima do padrão foram frequentes no início do ano de 2012. Em vários setores tinha estoques acima. Mas 2013 começou com níveis de estoques normalizados ou abaixo do normal. A produção de caminhões foi favorecida pela manutenção da redução do IPI e por taxas de financiamento BNDES mais baixas. Essa é uma explicação para se entender a magnitude de crescimento que a indústria teve”, disse o gerente, explicando que em janeiro de 2012 a produção de automóveis havia recuado 19,2% e a de caminhões, 65,5%.
O setor de bens intermediários também mostrou crescimento de 0.9% em relação a dezembro de 2012 e de 4% na comparação com o mesmo mês do ano passado. Os principais responsáveis pelo bom desempenho na categoria foram os setores de refino de petróleo, atividade retomada após paralisações programadas no ano passado, e na extração de minério de ferro, prejudicada no ano passado por conta de períodos de chuvas.
Macedo ressaltou que além do ritmo mais forte da produção industrial demonstrado em janeiro, o crescimento foi mais disseminado: dos 27 ramos de atividades investigados, 18 apresentaram crescimento na comparação com dezembro de 2012.
Os destaques são a produção de calçados e produtos de couro, que cresceu 13,8%, saindo de três meses de quedas sucessivas, período em que acumulou perdas de 10,9%, muito por conta de férias coletivas; equipamentos eletrônicos, em especial, TVs e celulares, com alta de 10,5%, também saindo de períodos de férias coletivas; e máquinas e equipamentos, com crescimento de 5,7%, depois de acumular perdas de 6,2% em novembro e janeiro de 2012.
O destaque negativo foi na indústria de fumo, com um recuo de 53,5%.  
“O crescimento negativo de produção de cigarros pode ter relação com aumento de preços do produto, e com o aumento do IPI. Além disso, com o aumento de preços, a produção interna perde espaço para produtos contrabandeados. A indústria de fumo tem cinco meses de resultados negativos”, explicou Macedo.

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/03/bens-de-capital-aceleraram-ritmo-da-industria-em-janeiro-diz-ibge.html

6.3.13

Não haverá compensações para reajuste do diesel, diz Mantega © 2000 – 2012. Todos os direitos reservados ao Valor Econômico S.A. . Verifique nossos Termos de Uso em http://www.valor.com.br/termos-de-uso. Este material não pode ser publicado, reescrito, redistribuído ou transmitido por broadcast sem autorização do Valor Econômico. Leia mais em: http://www.valor.com.br/brasil/3033982/nao-havera-compensacoes-para-reajuste-do-diesel-diz-mantega#ixzz2MmbQGFjn

O ministro da Fazenda, Guido Mantega, disse nesta quarta-feira que o governo não vai reduzir tributos para compensar a alta de 5% no preço do diesel nas refinarias anunciada na noite de terça-feira pela Petrobras. Mais cedo, o presidente da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), Clésio Andrade, estimou em 1,25% o impacto do reajuste no custo do frete rodoviário.
Perguntado sobre a possibilidade de o governo adotar medidas tributárias para compensar esse reajuste, Mantega respondeu: “Não tem nenhuma compensação”.
A declaração foi dada na portaria do Ministério da Fazenda, ao retornar do Palácio do Planalto, onde participou da reunião da Câmara de Políticas de Gestão, Desempenho e Competitividade.
Agora, Mantega se encontra com representantes de confederações patronais na sede do Ministério, em Brasília.
A Petrobras anunciou nesta terça-feira um reajuste de 5% nos preços do diesel nas refinarias. O aumento vale a partir da 0h de quarta-feira.
Segundo a empresa, o preço do diesel, sobre o qual incide o reajuste anunciado, não inclui os tributos federais Cide e PIS/Cofins e o tributo estadual ICMS.
“Esse reajuste foi definido levando em consideração a política de preços da companhia, que busca alinhar o preço dos derivados aos valores praticados no mercado internacional em uma perspectiva de médio e longo prazo”, disse a companhia em comunicado.
No fim de janeiro, a Petrobras já havia reajustado os preços do diesel, em 5,4%, e da gasolina, em 6,6%. Já o etanol acumulou em fevereiro alta de 6,2% nos contratos futuros negociados na BM&FBovespa.
Em 1º de maio começa a valer o novo percentual de etanol na gasolina, que passa de 20% para 25%.
Um novo aumento no preço da gasolina está descartado para o primeiro semestre, segundo afirmou o ministro das Minas e Energia, Edison Lobão, há duas semanas.

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Acampamento Sem Terra participa da marcha das centrais sindicais

Após assembleia realizada na terça (5), os acampados decidiram batizar o acampamento nacional com o nome de Hugo Chávez
06/03/2013


Nesta quarta-feira (6), o Acampamento Nacional Sem Terra, o Acampamento Hugo Chávez, soma-se à Marcha da Classe Trabalhadora em Brasília (DF). Com o tema “Em defesa da cidadania, do desenvolvimento e da valorização do trabalho”, a marcha também reivindica a reforma agrária e a soberania alimentar no Brasil.
“A unidade entre os trabalhadores camponeses e urbanos é fundamental nesta fase da luta por reforma agrária. O acesso à terra é primordial para desenvolver um modelo de agricultura em que a soberania alimentar seja princípio. Negamos o agronegócio e o latifúndio que andam de mãos dadas, com sua produção baseada no uso de venenos, no trabalho escravo”, diz Rosana Fernandes, integrante da coordenação nacional do MST.
O acampamento Hugo Chávez também protesta contra a judicialização do processo de aquisição de terras. “O processo de aquisição de terras, muitas vezes, acaba na mão de juízes que não aplicam a Constituição e a Lei Complementar, que dispõe que o processo de desapropriação, deve obedecer rito sumário e deve ter trâmite preferencial”, complementa Fernandes.
No campo penal, dos mais de 1.600 casos de assassinatos de lideranças populares desde a redemocratização até agora, somente 70 casos chegaram aos tribunais para julgamento. E ainda assim a maioria deles foi inocentada. Foram raros os casos de condenação.

Homenagem a Hugo Chávez
Após assembleia realizada na terça (5), os acampados decidiram batizar o acampamento nacional por Hugo Chávez, em homenagem ao presidente venezuelano que faleceu vítima de um câncer.
O Acampamento Nacional Hugo Chávez já é composto por 1000 pessoas. Ontem, a ocupação foi realizada pelas mulheres camponesas, num terreno ao lado do prédio do Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra).
A atividade faz parte da Jornada de Lutas das Mulheres da Via Campesina, que ocorre anualmente no mês de março, e tem como objetivo principal pressionar o governo federal para realização da Reforma Agrária.

Fonte:http://www.brasildefato.com.br/node/12191

4.3.13

Pressionado, Slim se volta para seus dez mandamentos


KeystoneSalvatore Di Nolfi/AP / KeystoneSalvatore Di Nolfi/AP 
 
Slim, da América Móvil, anda em carro que tem dez anos e valorizar seu próprio manifesto filosófico de negócios
O ano começou mal para Carlos Slim. O homem mais rico do mundo perdeu cerca de € 2 bilhões na Europa, graças a uma emissão de direitos de subscrição de ações e ao colapso do preço da ação da companhia holandesa de telecomunicações KPN, sua primeira empreitada séria fora das Américas. Em casa, no México, as autoridades reguladoras parecem determinadas a atacar sua fortaleza das telecomunicações estimulando a competição.
Enquanto isso, as ações da América Móvil, a companhia que nos últimos dez anos Slim se esforçou para fortalecer, caíram 10% em 13 de fevereiro, depois de a empresa informar uma queda de 8% nos lucros. Será que Slim, cuja fortuna está avaliada em US$ 69 bilhões, perdeu o toque de Midas?
"Felizmente nunca tive um toque de Midas", diz ele ao "Financial Times" no escritório que ocupa no primeiro andar de um dos prédios de um centro empresarial na Cidade do México. "Você não conhece a história?"
É uma resposta rápida de um magnata que está com 73 anos e combina uma reputação de ter um "timing" impecável para os negócios, com um gosto pelas coisas simples.
Por que ele atua na Europa ainda não está claro. Slim diz de maneira enigmática: "Estamos na Europa porque queremos estar na Europa". Mas ele afirma não estar preocupado com seus investimentos na região, que compreendem uma participação de 23% na Telekom Austria e outra, de 28%, na KPN.
"O preço da ação é importante - no fim das contas. Mas quando esse ponto chega?", diz Slim. "Adotamos a visão de longo prazo."
A frase pode significar apenas um homem rico racionalizando depois de uma perda rara e potencialmente humilhante. Mas se encaixa no que ele alega ser sua posição sobre o mundo dos negócios.
"Há especuladores, que compram e vendem. Há investidores como Warren Buffett. E há homens de negócios como eu", diz ele. "O importante é a visão de negócio - os potenciais lucros e o desenvolvimento -, e não apenas se o preço da ação está subindo ou caindo."
Slim estende o braço e aperta um botão sobre a mesa. Um funcionário entra na sala, carregando muitos documentos. Slim pega um deles e o desliza pela mesa. São seus dez mandamentos, um manifesto filosófico de princípios de negócios.
"Veja este, o número oito, ele vem de meu pai: O otimismo inabalável e a paciência sempre rendem frutos".
Essa abordagem à moda antiga em parte define Slim. Ele aprecia o fato de que seu carro, um Mercedes, tem dez anos. Às vezes, ele descreve seu setor em termos arcaicos. "Os jovens, você sabe, quando eles fazem uma ligação em seus, como é que se chama?" Um telefone? "Ah, sim, um celular."
A ironia da aparente falta de familiaridade de Slim com a tecnologia é que sua companhia está investindo muito - US$ 10 bilhões por ano - para permanecer na liderança tecnológica de seu setor. Isso vem permitindo à América Móvil vender serviços "triple play" - voz, internet e televisão - nas Américas.
A exceção gritante é o México, onde as autoridades até agora o confinaram à telefonia e à internet. Além disso, o novo governo mexicano parece determinado a reduzir gradualmente seu quase monopólio nas telecomunicações e criar oportunidades para novos concorrentes.
Slim parece estar na defensiva. Perguntado se está se sentindo perseguido, responde com um frio "não". Perguntado se acha que o governo foi controlado por seus concorrentes, ele diz: "Melhor você perguntar isso a eles".
Quando inquirido sobre um estudo da Organização para a Cooperação e Desenvolvimento Econômico (OCDE), segundo o qual sua posição dominante nas telecomunicações no México vem reprimindo o crescimento econômico, ele recorre a um grande número de estatísticas para refutar essa afirmação. A América Móvil realizou uma detalhada apresentação aos investidores em dezembro na qual fez o mesmo.
Está claro, porém, que se o novo governo estiver falando sério sobre concorrência, o que afetaria seus negócios de telecomunicações, as autoridades também terão que se dedicar ao mercado televisivo, atualmente dominado por duas redes, a Televisa e a Azteca. E isso poderá beneficiar Slim.
"O conteúdo é muito importante", diz ele. "Queremos oferecer aos nossos clientes tudo o que eles quiserem assistir, quando eles quiserem e aos preços que eles quiserem."
Antes de terminarmos, nossa conversa se volta para a Argentina. A maioria dos empresários está tendo dificuldades com a imprevisibilidade reguladora e as restrições cambiais. O que Slim acha disso? "Gosto da Argentina, um país magnífico", responde. "É bastante previsível: você sempre sabe que não conseguirá dólares lá".
É uma observação de alguém que já passou por muita coisa, viu crises surgirem e desaparecerem, e prosperou do mesmo jeito. Como diz seu nono mandamento: "Todos os momentos são bons para aqueles que sabem como trabalhar".