1.7.10

BC eleva de 5,8% para 7,3% a previsão de crescimento da economia no ano

01 de julho de 2010

Folha de S.Paulo (SP)

PROJEÇÃO


DE BRASÍLIA - O Banco Central elevou a previsão de crescimento da economia em 2010 de 5,8% para 7,3%. O número está acima das estimativas do mercado e da previsão oficial do Ministério da Fazenda.
A projeção de inflação para o ano também subiu, para até 5,4%. Já a expectativa para 2011 aumentou em relação a março, mas caiu em relação ao estimado há três semanas, quando a taxa básica de juros subiu para 10,25% ao ano.
Os dados fazem parte do Relatório Trimestral de Inflação, divulgado ontem, que reforçou as expectativas do mercado financeiro de que a instituição manterá a política atual de aumento dos juros, que devem chegar a 12% no final do ano.
O diretor de Política Econômica do BC, Carlos Hamilton Vasconcelos, afirmou que o país não pode crescer "a taxas muito elevadas" considerando o nível dos investimentos.
Em relação à inflação, o BC fez críticas indiretas às metas fixadas pelo CMN (Conselho Monetário Nacional), de 4,5% até 2012. O diretor da instituição afirmou que a taxa média de 4,7% verificada nos últimos seis anos está acima dos 3% apontados pela teoria econômica como um nível desejável para economias emergentes.
"Estamos afastados do conceito de estabilidade de preços", afirmou Hamilton.
O Banco Central também diz no relatório que a política de juros ganhou mais "poder" nos últimos anos devido ao aumento da relação entre crédito e crescimento, entre outros fatores. Ou seja, os aumentos da taxa básica têm efeitos maiores sobre a inflação que há dois ou mais anos.
Para o economista-chefe do Banco Fator, José Francisco Gonçalves, isso não significa que o BC irá mudar o ritmo de alta dos juros. Para ele, o crescimento acima de 7% e uma inflação acima de 5% devem se confirmar.

Atividade industrial na zona do euro cai para a mínima em quatro meses

01 de julho de 2010

Estadao.com.br

Índice dos gerentes de compra recuou de 55,8 em maio para 55,6 em junho

Hélio Barboza, da Agência Estado

LONDRES - O crescimento da produção no setor industrial da zona do euro desacelerou ligeiramente em junho, na mais recente indicação de que a recuperação do bloco está perdendo fôlego, segundo uma pesquisa mensal da empresa de informações financeiras Markit.

O índice dos gerentes de compra (PMI, na sigla em inglês), termômetro da atividade econômica baseado numa pesquisa com cerca de 3 mil empresas industriais, recuou para a mínima de quatro meses de 55,6 no mês de junho, de 55,8 em maio.

O resultado ficou em linha com a leitura preliminar e com a expectativa de consenso do mercado, conforme uma pesquisa da Dow Jones com economistas feita na semana passada.

Embora o PMI tenha recuado mais em relação à máxima de quase quatro anos atingida em abril, permanece bem acima da média de longo prazo, de 51,6, segundo a Markit. O indicador tem ficado acima do nível de 50, indicando melhora do ambiente de negócios, há nove meses seguidos.

Reino Unido

O setor de manufatura do Reino Unido se expandiu a um ritmo mais lento em junho, em razão da redução das encomendas para exportação, o que levanta receios sobre a sustentabilidade do atual forte ritmo de crescimento. Segundo a empresa de pesquisas Markit, o PMI caiu para 57,5 em junho, de 58,0 em maio. Apesar da queda, o resultado de junho foi mais forte do que a previsão dos economistas, que era de recuo para 57,0.

A pesquisa afirmou que a demanda doméstica por bens se manteve em alta em junho, mas a demanda do exterior diminuiu. Os números também mostraram que o emprego no setor de manufatura subiu no ritmo mais rápido em mais de 15 anos em junho, enquanto a taxa de crescimento da produção foi a mais lenta em cinco meses. As informações são da Dow Jones.

Câmara dos EUA aprova reforma do sistema financeiro

01 de julho de 2010

Estadao.com.br

Projeto segue para votação no Senado; não há expectativa para que lei seja votada até meados de julho

Gustavo Nicoleta, da Agência Estado

WASHINGTON - A Câmara dos Representantes dos Estados Unidos aprovou o projeto de lei de reforma do sistema financeiro do país na noite desta quarta-feira, 30, com 237 votos a favor e 192 contra. As medidas agora precisam ser aprovadas no Senado para posteriormente serem sancionadas pelo presidente norte-americano, Barack Obama. Não há expectativa de que o Senado dê seu veredicto até meados de julho.

O líder da maioria democrata no Senado, Harry Reid, disse que os senadores não colocarão o projeto de lei em votação nesta semana. Os democratas ainda estão tentando angariar os 60 votos necessários para contornar eventuais manobras dos republicanos para atrasar uma decisão sobre o projeto e, aparentemente, estão conseguindo avançar nesse sentido.

A senadora republicana Susan Collins disse que estava "inclinada a apoiar" a reforma, enquanto o senador republicano Scott Brown abrandou as críticas ao projeto. Ambos expressaram apoio ao projeto depois de uma mudança no texto feita na terça-feira, quando foi removida uma provisão que previa a aplicação de uma tarifa sobre os grandes bancos e fundos de hedge.

A maior reforma na regulação financeira prevê restringir a tomada de risco e investimentos por parte de bancos, definir um órgão para supervisionar companhias de cartão de crédito e hipotecas e aperfeiçoar o modo como o governo lida com firmas financeiras em falência.

Desenvolvido para evitar uma repetição da crise financeira entre 2007 e 2009, que arrastou a economia para uma profunda recessão, o projeto deve pressionar os lucros de bancos e potencialmente forçar mudanças estruturais em algumas das maiores instituições de Wall Street.

(Com Reuters e Dow Jones)

Brasileiros são os latino-americanos que mais confiam no rumo do país, diz pesquisa

01 de julho de 2010

Estadao.com.br

Latinobarómetro mostra que 75% creem que Brasil vai na direção certa; aprovação dos EUA bate recorde.

BBC Brasil


Uma pesquisa feita em 18 países da América Latina mostrou que os brasileiros são os que mais acreditam que o país e suas famílias "caminham na direção certa".

Segundo a pesquisa, 91% dos brasileiros aprovam o rumo de suas famílias e 75%, o do Brasil.


A confiança no caminho seguido pelo país, apesar de 16 pontos inferior à depositada no rumo da própria família, está bem à frente à média regional, de apenas 45%.


Os chilenos vêm em segundo nesse quesito com 65% de aprovação no rumo do país. Os argentinos, por outro lado, foram os que manifestaram maior ceticismo, com apenas 19% dos que participaram da pesquisa confiantes no futuro da Argentina.


O Latinobarómetro detectou ainda uma mudança acentuada, em apenas um ano, na visão que a região tem dos Estados Unidos.


Em 2009, a aprovação dos Estados Unidos alcançou o ponto mais alto desde que a pesquisa começou a ser feita, em 1997, quando esse percentual era de 65%.


Em 2003, a visão positiva alcançou seu ponto mais baixo, de 55%. De 2008 para 2009, após a eleição de Barack Obama para a Presidência, a visão positiva dos Estados Unidos deu um salto de 10 pontos percentuais, passando de uma aprovação por 64% dos entrevistados para 74%.


"A imagem dos Estados Unidos passa por uma lua-de-mel com a eleição de Barack Obama", resume a pesquisa, destacando ainda que a região passa por um momento de prosperidade e de fortalecimento da democracia.


Resto do mundo


A pesquisa abordou ainda a visão regional sobre outros países e potências. Os Estados Unidos contaram com a aprovação mais expressiva, seguidos pela Espanha (65%), o Japão e a União Europeia (ambos com 63%), o Canadá e a China (ambos com 58%) e Cuba (com 41%).


A República Dominicana é o país onde a visão dos EUA é mais positiva, com 91% de aprovação entre os entrevistados. O Brasil vem em 9º lugar, com 73% de visão positiva sobre os EUA.


A Venezuela é o país com menor índice de aprovação sobre os Estados Unidos (32%), atrás da Bolívia (42%) e da Argentina (57%).


A opinião dos brasileiros sobre a China é menos favorável com apenas 53% enxergando o país de forma positiva. O percentual é abaixo da média geral, de 58%.


Também abaixo da média geral, de 40%, é a visão positiva que os brasileiros têm de Cuba. Apenas 38% veem o país positivamente.


A pesquisa foi feita entre 21 de setembro e 26 de outubro de 2009 pela Latinobarómetro, uma ONG com sede em Santiago, no Chile.

Investimento de empresas bate recorde

01 de julho de 2010

Estadao.com.br

Levantamento mostra que, no primeiro trimestre, o investimento representou 8,3% do faturamento líquido de um grupo de 500 empresas

Marcelo Rehder, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - Puxado pelo setor de infraestrutura, o investimento das empresas brasileiras não só superou o ritmo do período anterior à crise como bateu o recorde de dez anos, quando se leva em conta o primeiro trimestre do ano.

Levantamento da empresa de dados financeiros Serasa Experian mostra que, no primeiro trimestre de 2010, o investimento representou 8,3% do faturamento líquido de um grupo de 500 empresas cujas demonstrações contábeis foram analisadas. Nos três primeiros meses de 2008, o número era menor, de 7,7%.

O aumento do investimento reflete o bom desempenho da economia, com crescimento de 9% no primeiro trimestre em relação ao mesmo período de 2009, e a confiança dos empresários na expansão do consumo.

"O que chamou nossa atenção foi que o indicador de 8,3% é quase o mesmo do ano passado como um todo (8,6%), e num período em que historicamente o investimento não é forte", diz o gerente de análise de Crédito da Serasa Experian, Marcio Torres. "A gente nunca teve um primeiro trimestre tão forte."

Pelo vigor dos números do trimestre, Torres já estima que o indicador de investimento de 2010 deve bater o recorde de 2008, na série histórica do estudo, iniciada em 2000. Apesar do agravamento da crise financeira mundial no último trimestre, o indicador atingiu 10,2% em 2008. O executivo pondera, no entanto, que o ciclo de alta dos juros iniciado pelo Banco Central pode reduzir um pouco as taxas de crescimento nos próximos meses.

No primeiro trimestre do ano, o destaque foi o setor de serviços, que inclui infraestrutura, e cujo indicador de investimento chegou a 12,6% do faturamento líquido. Em igual período de 2008, o indicador era de 10,8% e subira para 11,7% no ano passado. "A gente está falando de investimentos para resolver os grandes gargalos do País, que estão na infraestrutura, como saneamento, transportes e concessão de rodovias", cita o gerente da Serasa.

Queda na indústria

As empresas do comércio apresentaram recuperação nos níveis de investimento, de 1,9% em 2009 para 2,5% do faturamento agora. Somente a indústria mostrou ligeira queda, 6,3% para 6,2%. O setor foi o mais afetado pela crise financeira, que freou a demanda mundial e derrubou as exportações. No primeiro trimestre de 2008, o indicador de investimento da indústria era de 7,6%.

Os dados da Serasa são reforçados pelos números de desembolsos do BNDES. De janeiro a abril, o banco desembolsou R$ 35,606 bilhões para financiar investimentos, valor 39,4% superior ao de igual período de 2009.

As empresas de infraestrutura levaram R$ 14,1 bilhões, um aumento de 41,3% em relação ao primeiro trimestre de 2009. Na indústria, houve queda de 2,1%, para R$ 10,5 bilhões, enquanto o comercio e outros serviços cresceu 144%, para R$ 7,5 bilhões.

Entre as empresas de infraestrutura, o crescimento do desembolso foi maior para transporte rodoviário (115%), construção (53% ) e serviços de utilidade pública (160%).

30.6.10

Preocupação com economia mundial e bancos europeus derruba mercados

30 de junho de 2010

Valor Economico (SP)

Dave Shellock, Financial Times

A aversão a riscos teve uma ascensão dramática, ontem, elevando o rendimento dos títulos do governo americano para mínimos históricos e prejudicando ações, commodities e o euro diante das grandes preocupações com a recuperação econômica mundial e a saúde do sistema bancário europeu.

Temores em relação ao crescimento da China assustaram os investidores depois que, nos EUA, o Conference Board informou que seu recém-adotado indicador econômico antecedente para o país subiu apenas 0,3% em abril, substancialmente abaixo de sua estimativa preliminar: uma alta de 1,7%. "Isso gerou preocupações com que o crescimento chinês possa estar perdendo sustentação, e por isso a demanda de commodities poderá cair, pois governos em todo o mundo estão contendo despesas e implementando medidas de austeridade", disse Michael Hewson, analista da CMC Markets.

Dados econômicos decepcionantes provenientes do Japão vieram se somar ao clima pessimista na Ásia.

O Conference Board divulgou ainda que a confiança dos consumidores americanos caiu neste mês - aumentando temores de que a economia possa estar caminhando para um segundo mergulho recessivo. O índice de confiança tombou de 62,7 para 52,9, em maio, bem abaixo das expectativas dos analistas.

Rob Carnell, economista-chefe internacional do ING, registrou em fevereiro uma queda similar que não tinha se refletido em outras pesquisas de confiança. Mas, acrescentou ele: "Se há alguma substância genuína nesse declínio detectado na pesquisa do Conference Board, então isso significa duas coisas - primeiro, que as despesas pessoais reais, que vêm apresentando alguns sinais de atenuação, poderão diminuir drasticamente. Em segundo lugar, os mercados de trabalho podem não estar melhorando tão rápido quanto os mercados gostariam ".

Mas o fator inquietante mais importante, ontem, talvez tenha sido o fato de os mercados estarem preocupados com a liquidez dos bancos na zona euro, especialmente em vista da aproximação do fim do programa de um ano de suporte financeiro do Banco Central Europeu. "Durante semanas, temores quanto à capacidade de algumas instituições no setor bancário europeu de obterem fundos vêm minando a confiança no mercado", disse Jane Foley na Forex.com. Alguns dos mercados têm argumentado que o BCE pode estar agindo prematuramente, ao retirar seu apoio. Os bancos espanhóis foram enfáticos, ontem, acusando o banco central de comportamento "absurdo.

As preocupações sobre a saúde dos bancos da região elevaram a taxa euribor de empréstimos interbancários para três meses de 0,754% para 0,761%, nível mais alto em nove meses e maior alta num só dia desde abril. Um dos principais indicadores de ampla aversão dos investidores a riscos - o índice Vix de volatilidade acionária - saltou 15%, para 33%. Um valor acima de 30% é considerado elevado.

O salto no Vix ocorreu depois que as ações em todo o mundo sofreram pesadas perdas. Em Wall Street, a Média Industrial Dow Jones mergulhou para abaixo de 10 mil pontos, enquanto o S&P 500 caiu 2,3%, para um mínimo de 2010 ao meio-dia. Na Europa, o FTSE Eurofirst 300 caiu 3%, em Tóquio, o Nikkei 225 caiu 1,3% e as ações em mercados emergentes sofreram a maior queda num só dia em mais de um mês. A Bolsa de São Paulo teve forte queda, de 3,5%, a segunda maior do ano.

Os mercados de crédito sofreram menos do que as ações. O índice Markit iTraxx Senior Financials ganhou 8 pontos-base, indo para 171 pontos-base - um passo significativo, mas não tão dramático, de acordo com Gavan Nolan, da Markit. A percepção de segurança no iene e no dólar fez o euro afundar para um mínimo em 8,5 anos contra a moeda japonesa e perder 0,9% contra o dólar. O euro também atingiu um mínimo recorde contra o franco suíço. Os preços das commodities, segundo o índice CRB Reuters-Jeffries, caiu 2,4%, para um mínimo em duas semanas.30 de junho de 2010


Valor Economico (SP)

Dave Shellock, Financial Times

A aversão a riscos teve uma ascensão dramática, ontem, elevando o rendimento dos títulos do governo americano para mínimos históricos e prejudicando ações, commodities e o euro diante das grandes preocupações com a recuperação econômica mundial e a saúde do sistema bancário europeu.

Temores em relação ao crescimento da China assustaram os investidores depois que, nos EUA, o Conference Board informou que seu recém-adotado indicador econômico antecedente para o país subiu apenas 0,3% em abril, substancialmente abaixo de sua estimativa preliminar: uma alta de 1,7%. "Isso gerou preocupações com que o crescimento chinês possa estar perdendo sustentação, e por isso a demanda de commodities poderá cair, pois governos em todo o mundo estão contendo despesas e implementando medidas de austeridade", disse Michael Hewson, analista da CMC Markets.

Dados econômicos decepcionantes provenientes do Japão vieram se somar ao clima pessimista na Ásia.

O Conference Board divulgou ainda que a confiança dos consumidores americanos caiu neste mês - aumentando temores de que a economia possa estar caminhando para um segundo mergulho recessivo. O índice de confiança tombou de 62,7 para 52,9, em maio, bem abaixo das expectativas dos analistas.

Rob Carnell, economista-chefe internacional do ING, registrou em fevereiro uma queda similar que não tinha se refletido em outras pesquisas de confiança. Mas, acrescentou ele: "Se há alguma substância genuína nesse declínio detectado na pesquisa do Conference Board, então isso significa duas coisas - primeiro, que as despesas pessoais reais, que vêm apresentando alguns sinais de atenuação, poderão diminuir drasticamente. Em segundo lugar, os mercados de trabalho podem não estar melhorando tão rápido quanto os mercados gostariam ".

Mas o fator inquietante mais importante, ontem, talvez tenha sido o fato de os mercados estarem preocupados com a liquidez dos bancos na zona euro, especialmente em vista da aproximação do fim do programa de um ano de suporte financeiro do Banco Central Europeu. "Durante semanas, temores quanto à capacidade de algumas instituições no setor bancário europeu de obterem fundos vêm minando a confiança no mercado", disse Jane Foley na Forex.com. Alguns dos mercados têm argumentado que o BCE pode estar agindo prematuramente, ao retirar seu apoio. Os bancos espanhóis foram enfáticos, ontem, acusando o banco central de comportamento "absurdo.

As preocupações sobre a saúde dos bancos da região elevaram a taxa euribor de empréstimos interbancários para três meses de 0,754% para 0,761%, nível mais alto em nove meses e maior alta num só dia desde abril. Um dos principais indicadores de ampla aversão dos investidores a riscos - o índice Vix de volatilidade acionária - saltou 15%, para 33%. Um valor acima de 30% é considerado elevado.

O salto no Vix ocorreu depois que as ações em todo o mundo sofreram pesadas perdas. Em Wall Street, a Média Industrial Dow Jones mergulhou para abaixo de 10 mil pontos, enquanto o S&P 500 caiu 2,3%, para um mínimo de 2010 ao meio-dia. Na Europa, o FTSE Eurofirst 300 caiu 3%, em Tóquio, o Nikkei 225 caiu 1,3% e as ações em mercados emergentes sofreram a maior queda num só dia em mais de um mês. A Bolsa de São Paulo teve forte queda, de 3,5%, a segunda maior do ano.

Os mercados de crédito sofreram menos do que as ações. O índice Markit iTraxx Senior Financials ganhou 8 pontos-base, indo para 171 pontos-base - um passo significativo, mas não tão dramático, de acordo com Gavan Nolan, da Markit. A percepção de segurança no iene e no dólar fez o euro afundar para um mínimo em 8,5 anos contra a moeda japonesa e perder 0,9% contra o dólar. O euro também atingiu um mínimo recorde contra o franco suíço. Os preços das commodities, segundo o índice CRB Reuters-Jeffries, caiu 2,4%, para um mínimo em duas semanas.

Retomada perde fôlego nos EUA e expansão em 2011 pode ser menor

30 de junho de 2010

Valor Economico (SP)

Desacelerando: Maioria dos economistas não acredita, porém, numa recaída na recessão

Jon Hilsenrath e Mark Whitehouse, The Wall Street Journal

As bolsas e os rendimentos dos títulos do Tesouro americano caíram fortemente ontem por causa do crescente temor de que a economia dos Estados Unidos possa estar perdendo fôlego.

A Média Industrial Dow Jones baixou 2,6%, fechando abaixo da barreira psicológica dos 10.000 pontos, por causa da queda na confiança do consumidor americano, da revisão para baixo de um indicador econômico chinês e da preocupação com a saúde dos bancos europeus. Os rendimentos dos títulos de dez anos do Tesouro americano caíram para menos de 3% e atingiram o nível mais baixo desde abril de 2009, um sinal de que os investidores estavam buscando aplicações seguras.

O Conference Board, um centro de pesquisas sem fins lucrativos, informou ontem que a confiança do consumidor americano caiu em junho, apagando os ganhos dos dois meses anteriores. O índice caiu para 52,9, ante os 62,7 do mês anterior, que também foi revisado para baixo, com um aumento do número de famílias que dizem que "está difícil" conseguir empregos.

Antes, o Conference Board fez uma significativa revisão para baixo do indicador antecedente de crescimento na economia chinesa. Os investidores também ficaram tensos por conta do fim do programa do Banco Central Europeu de ampliar os financiamentos de 12 meses aos bancos do continente.

Uma recessão em forma de "W" ainda é amplamente vista como improvável. Mas a queda na confiança é apenas o sinal mais recente que sugere que a economia pode perder fôlego no segundo semestre de 2010 e, talvez, crescer mais lentamente que na primeira metade de 2011.

O ritmo lento de criação de empregos é um ponto crucial do problema. Acredita-se que o relatório do Departamento de Trabalho, que sai na sexta-feira, mostre um aumento nas contratações do setor privado em junho, ao mesmo tempo em que o departamento do censo americano dispensa os trabalhadores temporários que contratou para fazer o levantamento da população do país. Mas os sinais de obstáculos econômicos sugerem que o crescimento futuro do emprego pode ser fraco.

Entre os obstáculos estão os sinais de que o mercado imobiliário ruma para um novo período de desaquecimento e de que surgem condições financeiras menos capazes de estimular o crescimento, já que as ações estão em queda, o dólar está se fortalecendo e o mercado de crédito ainda enfrenta dificuldades. O cenário mundial se tornou mais incerto, com os governos na Europa, como no Reino Unido e na Alemanha, voltando suas atenções à redução dos déficits orçamentários.

Existem razões para otimismo. A renda pessoal está em alta, o que dá sustentação a um crescimento do consumo das famílias. Os fluxos de caixas das empresas estão fortes, contribuindo para os investimentos e as contratações. E a recuperação industrial tem sido robusta, ainda que possa perder fôlego por conta da reposição lenta dos estoques.

A economia americana cresceu a uma taxa anualizada de 2,7% no primeiro trimestre, e, na média, economistas ouvidos pelo Wall Street Journal acreditam que ela se expandiu a um ritmo anualizado de 3,6% no segundo trimestre, que termina hoje. A previsão média é de uma taxa modesta de crescimento de 3% no segundo semestre, mas alguns analistas consideram essa previsão otimista.

"Estou ficando mais pessimista em relação à capacidade da economia de voltar a se acelerar no quarto trimestre e no primeiro semestre de 2011", diz Paul Kasriel, economista-chefe do banco Northern Trust, de Chicago. Ele espera que a economia cresça a uma taxa anualizada de cerca de 2,5% no segundo semestre.

O presidente americano, Barack Obama, expressou otimismo em relação às perspectivas depois de um encontro ontem pela manhã com Ben Bernanke, o presidente do Federal Reserve (Fed), o banco central dos EUA. Obama afirmou que ele e Bernanke "compartilham da opinião de que a economia está se fortalecendo", lembrando que os EUA foram de uma perda mensal de 750.000 empregos no ano passado para cinco meses de crescimento do emprego.

Uma coisa que pesa sobre a economia é o mercado imobiliário, que, depois de se estabilizar, está novamente perdendo força, agora que o incentivo do governo à compra de casas foi retirado.

Mark Petit, dono da M&M Contractors, uma firma de Salem, no Estado de Massachusetts, afirmou que viu um aumento expressivo na demanda por serviços de construção de telhados e outros negócios em março, abril e maio, quando as pessoas fizeram consertos de problemas causados pelas chuvas e arrumaram suas casas para vendê-las. Mas, em junho, os negócios ficaram 20% abaixo do nível do ano passado. "Eu estava muito ocupado, mas não achava que isso iria durar", diz ele. "Infelizmente, eu estava certo."

Pausas não são incomuns no início de uma recuperação. Depois de se recuperar da recessão no fim de 2001 e início de 2002, a economia americana teve um período de 12 meses em que se expandiu a uma taxa anualizada de mero 1,5%, suscitando temores de que pudesse voltar à recessão. No fim de 1991, o crescimento perdeu força depois que a recuperação já tinha começado.

Nos últimos 12 meses, a economia teve um início de retomada mais forte do que em 2002.

A incerteza está pesando sobre os executivos de empresas. A Lincoln Paper and Tissue, que fica na cidade de Lincoln, no Estado do Maine, está agora operando a plena capacidade. Mas não planeja expandir as operações ou ampliar o seu quadro de 390 funcionários. "Nós estamos nos segurando e não estamos contemplando nenhuma grande mudança agora", diz o presidente, Keith Van Scooter.

Autoridades do Fed acreditam que os fatores positivos devem superar as preocupações e manter a recuperação nos trilhos, o que deixaria o banco central em condições de começar a elevar a taxa de juro de curto prazo em algum momento no futuro. Um tropeço criaria um dilema para as autoridades do Fed. As taxas de juros estão perto de zero, de modo que eles não têm a ferramenta tradicional de cortar os juros para combater uma economia vacilante, se necessário.

O governo Obama ainda está fazendo pressão por uma extensão dos benefícios a trabalhadores que foram dispensados, medida que está parada no Senado. Os deputados do Partido Democrata, de Obama, não conseguiram aprovar uma extensão dos benefícios de desemprego ontem.

O mercado imobiliário serviu como um lembrete do impacto potencial da remoção da ajuda federal numa economia frágil. Em maio, depois do fim dos incentivos fiscais para a compra de imóveis, o número de obras residenciais iniciadas caiu 10%, numa taxa com ajuste sazonal, e as vendas de residências novas despencaram 33%, para uma taxa anualizada de 300.000 - a menor já registrada.

A perda do dinheiro do estímulo também atinge governos estaduais e municipais, que enfrentam um déficit público combinado de cerca de US$ 137 bilhões este ano e US$ 144 bilhões em 2011. Alguns Estados já gastaram a maior parte dos recursos federais de educação reservados para os anos escolares de 2009-2010 e 2010-2011. Sem mais dinheiro por receber, eles têm cortado serviços e demitido dezenas de milhares de professores.

(Colaborou Justin Lahart)