A Indonésia passou o Brasil na preferência dos investidores estrangeiros, segundo ranking feito pela agência das ONU para o Comércio e Desenvolvimento (Unctad). O que a Indonésia tem que nós não temos ou perdemos?
“Integração regional. Apesar de ser um país pequenininho, ele está rodeado e muito integrado com seus vizinhos, que também são pequenos mas são fortes, como Cingapura, Hong Kong, Coreia do Sul. Aqui nós tínhamos o Mercosul como uma promessa de ser isso. Mas agora isso fica em cheque com a crise em torno do Paraguai. Enquanto nós estamos perdendo integração, eles estão aumentando, e o investidor está gostando”, diz Luis Afonso Lima, presidente da Sociedade Brasileira de Estudos de Empresas Transnacionais e da Globalização Econômica (Sobeet).
O Brasil foi o “queridinho” dos investidores até o ano passado, porque a promessa do nosso mercado consumidor era muito tentadora, num ambiente externo que não prometia tanto. Recebemos mais de US$ 66 bilhões de investimento estrangeiro direto, que foram principalmente para os setores de mineração, petróleo, eletricidade, transporte, gás e comunicações.
Quando 2012 começou e a economia decepcionou, o embarque do dinheiro para cá diminuiu. O mau humor dos estrangeiros com o país explica parte do problema.
“Temos uma questão interna que é a perda de dinamismo, o crescimento é muito importante para atração de investimento. Outra coisa é a intervenção maior do estado na economia, o protecionismo, o câmbio, e a ingerência na política monetária assustam o investidor estrangeiro”, diz o presidente da Sobeet.
Há uma razão para a queda do Brasil do 4o para o 5o lugar no ranking da ONU, que não nos imputa culpa nem responsabilidade. Também dispensa muita explicação: a principal turma que investe no Brasil são os europeus.
“Quem perde mais são os setores voltados para exportação. O Brasil deixa de ser visto como plataforma de exportação de produtos manufaturados. Nós já temos uma enorme carência em investimentos, vamos perder competitividade”, conclui Luis Afonso Lima.
De ranking em ranking, o Brasil vai se recolocando no cenário mundial, não mais como um solteiro bem disposto e cobiçado. Mas não deveríamos nos preocupar tanto, afinal, somos a sexta maior economia do mundo, ultrapassamos até a Inglaterra.
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