25.4.13

Copom prevê risco maior de aumento da inflação no país em 2014

Na semana passada, colegiado decidiu elevar Selic de 7,25% para 7,50%.
Ata da reunião do Copom foi divulgada nesta quinta-feira (25).

O Comitê de Política Monetária (Copom) do Banco Central informou em ata divulgada nesta quinta-feira (25) que a decisão da semana passada de elevar a taxa de juros, de 7,25% para 7,50% ao ano, se deve à necessidade de “neutralizar risco” de disparada da inflação no país, principalmente em 2014.
“O julgamento de todos os membros do Copom é convergente no que se refere à necessidade de uma ação de política monetária destinada a neutralizar riscos que se apresentam no cenário prospectivo para a inflação, notadamente para o próximo ano”, informa ata do Copom.

No documento, porém, há a ressalva de que parte dos membros do colegiado ponderou durante a reunião da semana passada que a elevação da Selic nesse momento não seria “recomendável” já que mudanças previstas para o crescimento da economia internacional nos próximos anos tenderiam a impactar o aumento dos preços no mercado brasileiro e a frear a inflação.

“Parte do comitê, entretanto, pondera que está em curso uma reavaliação do crescimento global e que esse processo, a depender de sua intensidade e duração, poderá ter repercussões favoráveis sobre a dinâmica dos preços domésticos. Para esses membros do Comitê, não seria recomendável uma ação imediata da política monetária”, diz a ata. De acordo com o texto, porém, “essa visão não foi respaldada pela maioria do colegiado.”

Ainda na ata, o Copom informa que sua previsão para a inflação em 2013 se manteve estável em relação ao índice considerado na reunião anterior, de março – acima da meta central de 4,5%. O colegiado relata, porém, que sua previsão para a inflação de 2014 aumentou em relação ao mês passado.
“Para 2014, a projeção de inflação aumentou em relação ao valor considerado na reunião do Copom de março e se encontra acima do valor central da meta, no cenário de referência”, diz o documento.
O Copom ainda manteve inalteradas as suas previsões para 2013 para reajuste da gasolina (5%), recuo no preço da conta de luz residencial (15%), preço do bujão de gás (estável) e redução na conta de telefone fixo (2%).
Juros mais altos
Para tentar conter a inflação elevada, o Copom decidiu, em sua última reunião, no dia 17 de abril, elevar a taxa de juros de 7,25% para 7,5% ao ano - a primeira alta da Selic desde julho de 2011 – quando a taxa subiu de 12,25% para 12,5%. A taxa de 7,25% era o menor patamar histórico da Selic e vigorava desde outubro de 2012.

A alta dos juros não foi unânime entre os membros do colegiado: foram seis votos a favor e outros dois pela manutenção da taxa em 7,25%. Votaram pela elevação: Alexandre Tombini (presidente do BC), Altamir Lopes, Anthero de Moraes Meirelles, Carlos Hamilton Vasconcelos Araújo, Luiz Edson Feltrim e Sidnei Corrêa Marques. Já pela manutenção em 7,25%, votaram os membros Aldo Luiz Mendes e Luiz Awazu Pereira da Silva.
Já esperada por parte dos analistas de mercado, a decisão da semana passada interrompe o período de juros na mínima histórica, que nos últimos meses havia levado ao barateamento do crédito, com consequente aumento do consumo pelas famílias brasileiras. Com a subida dos juros, o BC pretende justamente desestimular o consumo interno e, com isso, interromper a alta dos preços.

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/04/copom-preve-risco-maior-de-aumento-da-inflacao-no-pais-em-2014.html 

 

24.4.13

Uma pequena alta dos juros que se parece com uma pequena gravidez


Uma pequena elevação da taxa básica de juros tem todos os elementos essenciais de uma pequena gravidez. Esse é o problema - no caso da economia. Uma vez instalada, é difícil parar.

O problema com uma pequena elevação da taxa básica de juros é que ela tem todos os elementos essenciais de uma pequena gravidez. Uma vez instalada, é difícil parar. No caso de ser usada para combater a inflação tudo conspira para novas altas. Se a alta de preços se devesse realmente ao crédito supostamente barato, 0,25 ponto percentual é pouco para contrariar a tendência. Se não é o caso, a inflação, alimentada por outras forças, continuará se elevando exigindo novas doses de taxa básica.

Caso vivêssemos num mundo dominado pela sinceridade, os defensores de uma política de juros altos poderiam reivindicar a elevação da taxa básica simplesmente dizendo que com isso ganham mais dinheiro na ciranda financeira. Seria como no caso daquele famoso bandido americano a quem perguntaram por que assaltava bancos: “Porque lá é onde está o dinheiro”, respondeu. No nosso caso, o dinheiro (e o lucro) mais fácil está na aplicação em títulos públicos indexados à Selic.

Alguns podem dizer que não sou um grande especialista em política monetária ao ponto de me confrontar com uma decisão dos sábios do Copom. Contudo, entre esses sábios existem pelo menos dois que se opuseram à elevação da taxa. Serão eles menos sábios e prudentes do que seus colegas altistas? Ou há outras razões ocultas por trás da decisão do Copom? Sim, porque apenas os néscios poderiam supor que a alta conjuntural do tomate e da cebola configurasse uma tendência inflacionária.

Suspeito que as razões ocultas estejam bem longe de nossas hortas. Está na balança comercial, um fantasma na economia tão assustador quanto a inflação. Mário Henrique Simonsen costumava dizer que inflação aleija enquanto o balanço de pagamentos mata. No primeiro trimestre do ano, fechamos as contas comerciais com um déficit de US$ 5,15 bilhões, o pior da história. Em janeiro, a exemplo do pífio PIB de 2012, tivemos um pífio saldo comercial de US$ 164 milhões, 91,9% inferior ao de março do ano passado.

O mais preocupante, no que diz respeito aos números de março, é que as exportações (US$ 19,323 bilhões) cresceram apenas 1,6% numa base anual, enquanto as importações (US$ 19,159 bilhões) aumentaram 11,6%. Se essa tendência continuar, muito breve nossas reservas cambiais serão comidas como mingau, pelas beiradas, usando a terminologia de Brizola, e para ficarmos no mesmo lugar. É que os manufaturados, o lado mais nobre das exportações em termos de geração de valor agregado, de renda e de emprego, desabaram em 8,2%.

Registre-se que o maior aumento de importações, em março, foi de bens de capital (12%) e combustíveis (15%). Se o aumento da taxa básica de juros visa a reduzir a demanda nesses setores para favorecer a balança comercial, o efeito será oposto: são dois setores de demanda rígida, insensíveis à política monetária. Assim, a atração de recursos especulativos externos com juros internos mais altos para fechar o balanço de pagamentos valoriza o real; o câmbio valorizado estimula em outras áreas, ainda mais, as importações e desestimula as exportações, o que agrava a situação inicial à custa de um duvidoso controle da inflação - na medida em que não se compra nem cebola nem tomate com dólar!

O mais grave é que estamos no curso de uma situação estrutural de déficits externos da qual só eventualmente nos livraremos com a plena exploração do pré-sal, mesmo assim sujeita à evolução de preços do mercado mundial de hidrocarbonetos (os EUA caminham para a auto-suficiência com seus trilhões de metros cúbicos de reserva de gás de xisto). Mesmo que o pré-sal nos salve financeiramente, não nos salvará automaticamente da doença holandesa, na medida em que nos especializará ainda mais na produção e exportação de produtos naturais com fraca geração de empregos diretos e indiretos.

Esse risco se tornou presente desde, no mínimo, 2010, quando, no âmbito do G-20, a Alemanha impôs ao resto da Europa políticas de austeridade fiscal que estrangulam a demanda interna e favorecem, onde possível, as exportações. Fiz ao menos uns dez artigos sobre isso, alertando para o dumping europeu na exportação e a queda de sua demanda de importações como conseqüência de uma política deliberada que não tem um horizonte final à vista. Vemos as conseqüências agora.

Só há uma estratégia possível diante disso: o aprofundamento da integração produtiva de América do Sul, a qual, num contexto de crescimento econômico comum estimulado pela própria integração, venha se tornar um mercado expansivo (já é grande) para nossas exportações de manufaturados e, sobretudo, de bens de capital. Não é uma estratégia de resultados de curto prazo. Contudo, temos reservas internacionais suficientes para garantir o curto prazo enquanto chegam os resultados de médio e longo prazos. 

Espero com grande expectativa a Conferencia Suramericana sobre Recursos Naturales y Desarrollo Integral de la Región, convocada pela Unasul, a realizar-se em Caracas nos dias 27 a 30 de maio. Recursos naturais a serem explorados de forma sustentável são o grande ativo de desenvolvimento sul americano. Falta, porém, infraestrutura de transportes e, evidentemente, um esquema de financiamento para sustentá-la, que tem necessariamente de ser público. A saída, a meu ver, é um imposto sobre combustíveis automotivos regional vinculado a investimentos em transportes, a exemplo da Cide brasileira, temporária e equivocadamente zerada. É a sugestão que pretendemos levar a Caracas.


Brasil volta a investir menos que países ricos em 2012


O Brasil voltou a ser um país que investe menos do que as nações ricas, após manter-se por quatro anos em situação melhor que elas.
Em 2012, os investimentos corresponderam a 17,6% do PIB (produto interno bruto) brasileiro, enquanto na média do G-7 (grupo dos países mais poderosos) eles ficaram em 17,7%, segundo o Fundo Monetário Internacional (FMI).
Países emergentes em geral têm uma taxa de investimentos maior do que os ricos. Na China, ela é de 47%; na Argentina, de 24%.
Nesse aspecto, o Brasil é uma exceção. Desde pelo menos a década de 1980, foram poucos os momentos em que tivemos um desempenho melhor que o do G-7 (e do que os demais emergentes) nesse indicador, como indica o gráfico abaixo.
Em 2008, os investimentos brasileiros tiveram uma forte alta e superaram a marca de 20% do PIB, algo que não ocorria desde 1989. Ao mesmo tempo, esse indicador caiu nos países ricos por causa da crise, levando o Brasil a viver um raro período em que gozou de taxas superiores às do G-7.
Os dados do FMI mostram que essa fase durou quatro anos (até 2011) e foi interrompida em 2012 por causa da queda no Brasil e da leve melhora nos investimentos dos Estados Unidos, Japão e Canadá. Alemanha, França, Itália e Reino Unido continuam contribuindo negativamente nessa estatística.

INVESTIMENTO EM 2012

PaísTaxa (% do PIB)
China46,9
Índia34,9
Coreia do Sul27,7
México24,7
Argentina23,8
Japão20,6
França19,9
Brasil17,7
EUA16,2
Reino Unido14,3
  • Fonte: FMI
De 1980 a 2007, o Brasil teve uma taxa mais alta que a do G-7 somente uma vez, em 1994. Nas últimas três décadas, o país só superou a média da América Latina também uma vez (em 1989) e nunca atingiu o patamar dos emergentes.
A projeção do Fundo Monetário é de que a taxa de investimentos da economia brasileira continue próxima à dos países do G-7 – mais ligeiramente abaixo – até 2018, pelo menos. Alguns economistas têm afirmado que o indicador deve ter uma recuperação em 2013, mas o número oficial referente ao primeiro trimestre ainda não foi divulgado.
Brasil no mundo
Esta é a segunda postagem da série “Brasil no mundo”, em que o blog Achados Econômicos analisa a base de dados do FMI, atualizada na semana passada. A primeira mostrou que o Brasil caiu para 128º lugar no ranking mundial de crescimento econômico.
Até sábado, será publicada uma postagem por dia comparando o Brasil com mais de 100 países.

Investimento estrangeiro direto fica acima da expectativa no mês


O Brasil recebeu em março US$ 5,739 bilhões em investimentos estrangeiros diretos (IED), já descontadas repatriações de capital aos países de origem. O resultado é ligeiramente menor que o verificado no mesmo mês do ano passado, quando ingressaram liquidamente US$ 5,897 bilhões.
O resultado divulgado nesta quarta-feira pelo Banco Central (BC) foi superior à estimativa da autoridade monetária, que projetava o ingresso de US$ 4,2 bilhões em IED no terceiro mês deste ano.
Para o acumulado de 2013, o BC manteve no mês passado a estimativa de entrada de US$ 65 bilhões de IED. No acumulado do primeiro trimestre, o país conta com US$ 13,256 bilhões, ante US$ 14,948 bilhões do primeiro trimestre de 2012, ano em que ingressaram ao todo US$ 65,272 bilhões.
Em 12 meses terminados em março, o fluxo líquido de IED chega a US$ 63,579 bilhões, o equivalente a 2,78% do Produto Interno Bruto (PIB) estimado pelo BC.
BRASIL NO EXTERIOR
Já os brasileiros enviaram a outros países US$ 1,978 bilhão em investimentos diretos. Em março de 2012, a cifra tinha sido de US$ 4,994 bilhões em investimentos estrangeiros diretos.
O resultado decorre do envio de US$ 3,039 bilhões de participações de companhias brasileiras em empresas no exterior descontados da repatriação de US$ 1,061 bilhão de empréstimos dados por empresas de controle nacional e suas filiais em outros países (intercompanhias).
A autoridade monetária espera que o fluxo de investimentos brasileiros diretos no exterior feche 2013 negativo em US$ 10 bilhões. No acumulado do primeiro trimestre, o fluxo de IBD é negativo em US$ 3,085 bilhões, resulta do distinto do verificado no mesmo período de 2012, quando foram repatriados US$ 5,405 bilhões.

18.4.13

Mais uma rendição ao financismo

Ao elevar a taxa Selic em 0,25 ponto percentual, o Comitê de Política Monetária do Banco Central acabou por cumprir o ritual que dele esperavam os mais ativos representantes da banca privada.

A terceira reunião do Comitê de Política Monetária (COPOM) do Banco Central (BC) realizada esse ano acabou por cumprir o ritual que dele esperavam os mais ativos representantes da banca privada. As semanas que antecederam esse peculiar encontro dos integrantes da diretoria do BC foram marcadas por uma sucessão de lances visando a quebrar a resistência do núcleo central do governo. E, no final das contas, esses grupos formadores de opinião do mercado financeiro acabaram sendo vitoriosos. Ao que tudo indica, o “lobby” articulado - principalmente com o apoio dos grandes órgãos de comunicação - conseguiu emplacar mais uma vez a tese do catastrofismo. “Ou o governo endurece com firmeza a política monetária imediatamente, ou abre-se o caminho para o retorno do fantasma incontrolável da inflação elevada”. Bingo! A taxa oficial de juros, a SELIC, acabou sendo aumentada em 0,25%, passando ao patamar de 7,5% ao ano.

É impressionante como a agenda de debate sobre o fenômeno inflacionário continua sendo sequestrada pelos divulgadores da ortodoxia, sem que haja espaço para ideias e versões mais oxigenadas com ventos portadores de informações mais completas acerca da realidade concreta. Toda e qualquer tentativa de apresentar alternativas para acompanhamento e mesmo atuação sobre preços é imediatamente taxada de populista, irresponsável e - pasmem! - bolivariano-chavista. A pauta do clube da finança é composta de apenas um item: elevação da taxa de juros. E ponto final! Dessa forma, os resultados dos índices de preços coletados por instituições como o IBGE, a FGV, a FIPE, o DIEESE e outros são apresentados de acordo com o menu do dia. A idéia é sempre passar o clima do desespero anunciado, o dragão que ameaça o retorno a cada período que antecede a reunião do COPOM e exige “rigor e firmeza por parte dos responsáveis pela condução da política monetária”. Haja paciência!

Há outros caminhos além de aumentar a SELIC
O fenômeno inflacionário, no entanto, é muito mais complexo do que uma simples elevação na SELIC possa resolver. E ainda mais em uma realidade como a brasileira, onde o histórico de taxas bastante elevadas de inflação (anteriores ao Plano Real, de 1994) e os recordes catastróficos de taxa real de juros (pós Plano Real) comprometem de forma substantiva aquilo que o economês chama de “eficácia da política monetária no combate à inflação”. Se por acaso o governo estiver mesmo convencido da tese (equivocada, diga-se de passagem) de que o problema atual da subida dos preços está associado a um excesso de demanda agregada no conjunto da sociedade, então que lance mão de outros instrumentos para conter esse suposto sobre-consumo. Já escrevi a respeito de alternativas como, por exemplo, o depósito compulsório, instrumento presente em qualquer manual básico de macroeconomia. Mas o financismo morre de medo dessa medida e, espertamente, esquece de mencioná-la como alternativa à elevação da taxa de juros. Afinal, deixaria de ser aquinhoado com a transferência graciosa de recursos bilionários do orçamento federal

Mas no momento atual, é totalmente descabida essa interpretação do crescimento dos preços, bem como a utilização da elevação da SELIC para evitar que o processo se mantenha. Peço desculpas antecipadas aos leitores, mas o assunto exige um detalhamento particular dos dados, para que possamos compreender e debater com a versão conservadora. O regime de metas de inflação trabalha, para o período atual, com um intervalo entre 2,5% e 6,5% (centro da meta em 4,5%) para que se mantenha um consenso de que o crescimento de preços anual da economia esteja dentro de uma faixa considerada - digamos assim - razoável.

A decomposição do índice de inflação
O índice oficial usado para tanto é o Índice Nacional de Preços de Consumidor Amplo (IPCA), coletado periodicamente pelo IBGE em 11 capitais e regiões metropolitanas, considerando uma cesta idealizada de consumo de um universo de famílias com renda variando entre 1 e 40 salários mínimos. Os preços são anotados pelos pesquisadores por subitens da estrutura de despesas. E assim consolida-se o crescimento médio e ponderado, chegando-se ao tão famoso índice de inflação, tanto para o mês como para o acumulado para o ano. Então, vamos lá.

Por que a inflação voltou com força ao debate? Em primeiro lugar, é claro, pelo fato dos indivíduos estarem sentindo, em seu cotidiano, que alguns itens têm ficado mais caros. Ou seja, percebem que o poder de compra de sua renda diminui. E as manchetes escancaram: inflação supera meta e atinge 6,59%! Ocorre que a análise mais detalhada de tais informações nos demonstra que os itens que mais contribuíram foram os do subgrupo “alimentação e bebidas” – cujos preços subiram em média 13,5%. Vejamos os demais subgrupos como se comportaram:

Inflação geral: 6,6%

Alimentação e Bebidas: 13,5%
Habitação: 2,9%
Artigos para residência: 2,8%
Vestuário: 6,8%
Transportes: 1,4%
Saúde: 6,3%
Despesas pessoais: 10,7%
Educação: 7,6%
Comunicação: 1,2%


Por outro lado, além de ter apresentado o maior crescimento dos preços, o subgrupo também representa maior participação no total de despesas das famílias e contribui com quase 25% da ponderação no índice final. Há uma certa sazonalidade na oferta desses produtos, que obedecem a tendências que vão desde a evolução das “commodities” agrícolas no mercado internacional até as safras dos nossos produtos agrícolas e da produção semanal dos hortifrutigranjeiros. Apesar de ter sido ironicamente classificada côo a “inflação do tomate”, o fato é que há outros itens que subiram muito mais do que a média da inflação geral e pesam na composição final do IPCA. E isso a maior parte das donas de casa sabe há muito tempo. Vejamos o que ocorreu com os produtos que mais subiram no subgrupo:

Farinha de mandioca: 151%
Tomate: 122%
Batata inglesa: 97%
Cebola: 76%
Repolho: 71%
Inhame: 61%
Aipim: 53%
Alho: 53%
Cenoura: 51%
Feijão mulatinho: 40%


Os demais subgrupos apresentam produtos e serviços dentro da média do crescimento geral dos preços, com raras exceções apresentando crescimento de 2 dígitos, como foi o caso de fumo e cigarros (39%) e alguns serviços pessoais e domésticos nunca superiores a 12%.

Aumento dos juros: medida ineficaz e cara
Ora, parece caro que não precisa ser formado em economia para perceber que o aumento da SELIC em 0,25% não terá efeito absolutamente nenhum sobre esses preços, em especial o dos alimentos. Aliás, estes já começaram a apresentar uma queda, exatamente por não serem submetidos a regime de monopólio ou oligopólio. As famílias não vão deixar de consumir para aumentar sua poupança, em função do aumento de juros tornar mais atrativas as aplicações oferecidas pelos bancos..

O próprio Ministro Mantega reconheceu que a elevação dos juros oficiais não terá efeito algum sobre o preço do tomate. Mas, segundo ele, atuará sobre as expectativas de inflação. E aí começamos a entrar em um terreno perigoso e pantanoso. Isso porque implica aceitação explícita de que o governo está refém do mercado financeiro. Se o financismo exige alta da SELIC com o argumento de que não há outra alternativa para conter os preços, então o governo cede para evitar expectativas de inflação futura. Não se pode aceitar a chantagem e entrar no jogo da profecia auto-realizada dos formadores de opinião em matéria de economia. Afinal, o universo de pessoas consultadas pela pesquisa Sensus (que baliza as decisões do BC) é todo formado por profissionais do mercado financeiro. Ou seja, são eles mesmos que criam as expectativas que devem ser atendidas. Uma loucura! E esse equívoco estratégico pode custar muito caro!

A Presidenta Dilma ofereceu uma grande contribuição à sociedade brasileira, quando orientou ao Presidente do BC, Alexandre Tombini, que iniciasse uma trajetória de queda da SELIC. Em 31 de agosto de 2011, o COPOM decidiu reduzir a taxa que estava em 12,5%, promovendo diminuições sistemáticas por 9 reuniões consecutivas. Desde 10 de outubro de 2012 que a taxa oficial se mantinha em 7,25%. Mais do que o percentual da elevação, o que mais chama a atenção é essa rendição desnecessária às pressões do financismo. A decisão vai custar aos cofres públicos a “bagatela” de R$ 5 bilhões anuais, o equivalente ao custo adicional dos 0,25% de aumento da taxa de juros sobre um estoque da dívida pública de R$ 2 trilhões.

O governo costuma apresentar o argumento da seriedade no controle do gasto público quando vem a público justificar medidas de redução de despesas em áreas socialmente sensíveis como previdência, saúde, educação e outras. No entanto, não vacila um segundo quando se trata de destinar um volume de recursos como esse para uma atividade completamente parasita como as despesas financeiras de juros e serviços da dívida pública.

Paulo Kliass é Especialista em Políticas Públicas e Gestão Governamental, carreira do governo federal e doutor em Economia pela Universidade de Paris 10

Demanda das empresas por crédito recua 7% no 1º trimestre, diz Serasa

Apesar disso, este foi o melhor resultado desde o 2º semestre de 2012.
Em março, demanda cresceu ante fevereiro, mas recuou ante ano anterior

A procura das empresas por crédito voltou a apresentar queda em março, na comparação com igual mês do ano anterior, mas mostrou reação em relação a fevereiro. De acordo com o Indicador Serasa Experian de Demanda das Empresas por Crédito, divulgado nesta quinta-feira (18), a busca por crédito teve queda de 10,4% em relação a março de 2012, mas avançou 7,7% ante fevereiro deste ano.

No mês anterior, a demanda das empresas por crédito havia recuado 4,9% em relação a igual mês de 2012 e 4,5% ante janeiro.
No acumulado do primeiro trimestre, a procura das empresas por crédito exibiu queda de 7% frente a igual período do ano anterior. Apesar disso, este primeiro trimestre de registrou o melhor desempenho desde o segundo semestre do ano passado, já que haviam ocorridos recuos na demanda das empresas por crédito de 7,4% no 3º trimestre de 2012, e de 12% no 4º trimestre – sempre na comparação anual.
De acordo com os economistas da Serasa Experian, a alta da demanda das empresas por crédito em março pode ser atribuída ao fim do impacto sazonal adverso do mês de fevereiro (carnaval e menor quantidade de dias úteis) bem como ao processo de retomada da atividade econômica, ainda que num ritmo mais lento que se esperava inicialmente.
Região
As empresas da região Norte exibiram a maior alta da procura por crédito em março, de 10,7% frente a fevereiro. Nas empresas da região Sul a alta foi de 8,8%. As empresas do Nordeste registraram expansão de 8,5% em suas procuras por crédito no terceiro mês de 2013. Nas empresas da região Sudeste o crescimento foi de 7% em março e no Centro-Oeste houve expansão de 6,3%.
Porte
As micro e pequenas empresas se destacaram na busca por crédito em março, avançando 8,3% sobre o resultado de fevereiro. Já as médias empresas cresceram 0,5% a sua demanda por crédito, ao passo que a alta nas grandes empresas foi de 1,2%.
Setor
A maior alta na demanda por crédito em março foi verificada no setor comercial, cujo crescimento foi de 8,6% frente ao mês de fevereiro. As empresas de serviços expandiram a sua procura por crédito em 6,9% no período, enquanto as empresas industriais exibiram alta de 7,4%.

http://g1.globo.com/economia/noticia/2013/04/demanda-das-empresas-por-credito-recua-7-no-1-trimestre-diz-serasa.html 

 

Investir no Tesouro Direto é arriscado no curto prazo, dizem analistas Comente

É possível que uma das maiores frustrações dos investidores neste ano seja o desempenho dos títulos do Tesouro Direto e dos chamados "fundos de inflação" (os fundos Renda Fixa Índices).
Somente para ficar no pior dos casos, a NTN-B de longo prazo (título que cobre a inflação mais uma taxa de juros prefixada) registra perdas acima de 6% neste trimestre, ante ganhos superiores a 25% no ano passado.
O que aconteceu? Uma reversão brusca de expectativas entre 2012 e 2013.
Os títulos do Tesouro Direto favorecem o investidor quando o cenário é de queda dos juros, e entre 2011 e 2012, aconteceu uma redução da taxa básica (de 12% para 7,25% ao ano) pouco vista nos últimos anos.
Títulos do Tesouro Direto Variação
nos últimos 30 dias
Variação em 2013 Variação em 12 meses
LFT 2015 0,56% 1,99% 7,35%
LTN 2015 0,49% 0,45% 11,57%
NTN-B Principal 2015 0,12% -0,16% 12,76%
NTN-B Principal 2035 -8,13% -6.42% 22,53%
Fundos de Inflação (até dia 11/04) -0,51% -0,50% 14,28%

Até dezembro, a expectativa predominante de manutenção da taxa básica em seu menor patamar histórico manteve os títulos do Tesouro Direto como um alternativa atraente.
Mas a inflação de janeiro surpreendeu. E teve início uma gradual mudança de cenário no mercado: a corrente de economistas que esperava um aumento dos juros para 2013, antes minoritária, ganhou força e se tornou dominante.
Ainda há no mercado quem não acredite em aumentos da taxa básica neste ano, mas esses especialistas se tornaram a minoria.
Os títulos do Tesouro Direto NTN-B e LTN sofreram com essa mudança porque possuem taxas prefixadas. Com a perspectiva de taxas de juros maiores, os papéis perderam atratividade e desvalorizaram.
E os fundos de inflação, que aplicam recursos principalmente em NTN-Bs, tiveram perdas por consequência.

Ainda há chance de recuperação neste ano?

Para especialistas, os preços atuais dos títulos do Tesouro Direto já embutiram o ajuste da taxa básica de juros do patamar atual de 7,25% para 8,50% até dezembro, e uma taxa de inflação abaixo de 6%.
Caso a economia (e o governo) siga o roteiro previsto, as perdas nos títulos do Tesouro Direto podem parar. E por consequência, os fundos Renda Fixa Índices também têm chances de recompensar melhor o investidor.
"Acho que daqui para frente os fundos de inflação vão ter um desempenho melhor. Mas não o suficiente para bater os fundos de renda fixa mais tradicionais [considerando todo o período de 2013], por causa do tamanho das perdas no início do ano", diz Paulo Petrassi, especialista da área de renda fixa da Leme Investimentos.
Quais os riscos? Se a inflação surpreender desfavoravelmente, isto é, subir mais do que esperado, o governo pode ser forçado a subir os juros mais que o mercado antecipava. E os títulos e fundos de inflação vão continuar a decepcionar os investidores.

 

O investidor do Tesouro Direto deve saber

Os títulos do Tesouro Direto ganham em um cenário de juros básicos mais baixos, e desvalorizam com a expectativa de uma taxa Selic maior
No cenário predominante dos economistas (juros em 8,50% e inflação abaixo de 6%), há perspectivas de que os títulos do Tesouro Direto parem de desvalorizar no curto prazo
Caso as perspectivas para a inflação piorem, a tendência é de novas rodadas de perdas para os títulos públicos, já que o mercado vai começar a prever juros ainda mais altos
Se as expectativas para a inflação melhorarem, no entanto, o rendimento dos títulos do Tesouro Direto pode voltar a favorecer o investidor
Os fundos de inflação podem recuperar valor nos próximos meses. Dificilmente, no entanto, devem superar os fundos de renda fixa mais tradicionais em 2013
O panorama contrário, no entanto, tende a favorecer essas aplicações.
"Se o Banco Central [que fixa a taxa básica de juros] fizer a lição de casa direito, e mostrar que vai subir os juros de forma parcimoniosa, mas que a inflação vai permanecer sob controle, as expectativas do mercado vão mudar", diz Samy Balassiano, diretor da Lecca Investimentos.

 

O comportamento dos investidores

Os números mais recentes do Tesouro Direto (até fevereiro) mostram que não está ocorrendo uma fuga em massa desses papéis, pelo menos por enquanto.
No caso das NTN-Bs do tipo "Principal" (que pagam o valor investido mais os juros acumulados somente no vencimento) as aplicações somaram R$ 384,8 milhões entre janeiro e fevereiro ante R$ 170,9 milhões em resgates (recompras) no mesmo período.
As LTNs mostram padrão semelhante: as aplicações somaram R$ 223,42 milhões no primeiro bimestre ante resgates de R$ 52,30 milhões.

Títulos continuam a ser recomendados

Especialistas em finanças pessoais ainda continuam a recomendar títulos como as NTN-Bs para investidores de perfil conservador.
Vale a lembrança: os prejuízos somente se materializam no bolso dos aplicadores caso vendam antes do prazo final.
No vencimento, o Tesouro garante o combinado no momento da compra: no caso das NTN-Bs, a inflação do período (entre a data de compra e a data de resgate) mais uma taxa de juros prefixada; no caso das LTNs, uma taxa de juros prefixada, e no caso das LFTs, a taxa básica de juros calculada para o período.
"A LFT é mais indicada para quem pode precisar dos recursos em um prazo de tempo muito curto [em torno de 12 meses]", diz Beto Veiga, consultor de investimentos e autor do livro "O essencial sobre o Tesouro Direto".
"A NTN-B não é recomendada para quem vai precisar do dinheiro em poucos meses. É um título muito instável, e você pode perder dinheiro", acrescenta. Por ser negociado com vencimento de longo prazo, usualmente, especialistas recomendam esses papéis para a acumulação de recursos com o objetivo de poupar para a aposentadoria.
"A LTN, das três, é a mais arriscada e somente ganha em um ambiente de baixíssima inflação e juros estáveis. E hoje, ninguém pode dizer para onde vai a taxa básica", acrescenta.