22.3.13

Inaugurada Pedra Fundamental da maior mina de vanádio do Brasil, em Maracás.


A Vanádio de Maracás Ltda, empresa ligada ao grupo canadense Largo Resources Ltda (Largo Mineração), deu um passo fundamental nesta quinta-feira 21, para exploração do vanádio,  pois foi inaugurada a Pedra Fundamental do projeto que permite a exploração do  vanádio,  na região de Areia Branca, entre Pé de Serra e Porto Alegre, há 50 km desta sede, onde está localizada a mina no município de Maracás.  Presentes na cerimonia o Governador baiano, Jaques Wagner, Marck Brennan pres. da Largo Resources e Paulo dos Anjos prefeito  de Maracás, além de autoridades constituídas de toda região.
O governador Jaques Wagner ressaltou a importância do investimento na cidade maracaense, e afirmou que a região vai passar por uma grande transformação com a geração de novos empregos, diretos e indiretos, e que vai aumentar a arrecadação dos cofres da prefeitura da cidade, afirmando ainda que a exploração do depósito mineral dará uma visibilidade técnica, econômica e social muito grande à Bahia, tanto no cenário nacional quanto no internacional, pois transformará o Estado no principal fornecedor de ferro-vanádio do Brasil. 

O presidente da Largo Resources Mark Brennan disse que a inauguração  será  realizada em  09 de novembro deste ano. 
Com a implantação do projeto, a expectativa de produção anual da Vanádio de Maracás é de 5 mil toneladas de liga derivada do vanádio. Como o Brasil consome 1,2 mil toneladas, o excedente será exportado pelo Porto de Salvador para a China, Estados Unidos e países da Europa. O projeto prevê ainda a construção de um complexo composto por minas, parque industrial, adutora de água e linha de transmissão de energia, devendo gerar, na implantação, cerca de 1.500 empregos diretos e 4.500 indiretos. Na operação está previsto cerca de 600 empregos diretos e 1.800 indiretos.

Fonte; Itiruçu Online

A ambiguidade das leis e regulamentos no Brasil

O INMETRO (Instituto Nacional de Metrologia) decidiu montar seu modelo de gestão e seu planejamento estratégico. Batizou-o de Gestão de Significados e Entendimentos.
É um estágio um pouco mais sofisticado do que se convencionou chamar de “missão da empresa”. Porque, segundo João Jornada, presidente do órgão, a falta de entendimentos sobre os significados trata-se de um dos maiores problemas da cultura brasileira.
O brasileiro abomina o conflito, explica ele. A maneira de não criar conflitos é explorar a ambiguidade em todos os níveis, das leis, dos dispositivos infra legais aos compromissos partidários. Criam-se definições intencionalmente ambíguas, para que caibam as visões conflitantes. Evita-se o conflito mas não se consegue a mobilização em torno das grandes ideias.
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Na China, por exemplo, o conceito de desenvolvimento vai do presidente do país ao funcionário público da base da pirâmide. Seja quem for o governante, a missão do funcionário público é demover os obstáculos ao desenvolvimento.
O Brasil de hoje passa por uma fase desenvolvimentista. Mas trata-se de um momento específico, que gira em torno da presidente Dilma Rousseff e não se espraia pela administração em geral.  E depois dela, se manterá?
Não, pela falta do conceito claro e mobilizante.
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Um exemplo típico do entendimento dúbio ocorreu nos primeiros discursos de Dilma. Duas vezes ela enfatizou a importância da meritocracia.
Em um evento no Chile, Jornada mostrou como entendia o conceito e o aplicava no INMETRO. Os funcionários entram por concurso. Mas existe uma avaliação anual, por grupos externos ao órgão, que definirá prêmios adicionais aos funcionários mais produtivos.
No mesmo evento, um alto funcionário público brasileiro entendeu o conceito de meritocracia – expresso por Dilma – apenas na existência de concursos para a contratação de funcionários públicos.
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Tome-se a questão da inovação. Busca-se, aqui, o modelo coreano. Na Coreia, conta Jornada, um agente de governo pode selecionar uma empresa inovadora, e ter capacidade de apostar nela, colocando dinheiro público. Evidentemente, há sistemas de governança impedindo abusos.
Por aqui, a iniciativa esbarraria no falta de embasamento jurídico e normativo. O modelo é totalmente avesso a isso.
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O mesmo tem ocorrido com o PAC (Programa de Aceleração do Crescimento). Lançam-se os programas. Aí a CGU (Controladoria Geral da União) e o TCU (Tribunal de Contas da União) vão verificar as obras com a base normativa legal.
Além do arcabouço legal, a interpretação tem que ser feita dentro do entendimento do contexto, do significado de cada projeto. Com o Ministro do TCU há possibilidade do entendimento de questões específicos. Mas o técnico na ponta tratará de dar a interpretação mais literal possível ao regulamento. Como não tem base conceitual clara, irá aplicar o disposto, na literalidade.
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Muitas vezes as interpretações são ambíguas, provocando a judicialização de questões. Até hoje não existe uma estatística de processos na Justiça relacionados com a Lei de Licitações, para se remover as ambiguidades.
Em suma, a pesada herança identificada por Sérgio Buarque de Hollanda ainda está por ser superada.

Fonte; G1
http://www.cartacapital.com.br/economia/a-ambiguidade-das-leis-e-regulamentos-no-brasil/

O desafio de formar engenheiros no Brasil

Um dos grandes desafios do crescimento é o da formação e capacitação de engenheiros. Passa pela criação de vagas, abertura de novas faculdades de qualidade. Mas, também, pela mudança do enfoque da formação do engenheiro.
O Seminário “Formação de Engenheiros no Brasil”, promovido pelo Brasilianas, trouxe informações relevantes sobre o momento.
Todo engenheiro necessita de uma sólida formação em algumas ciências exatas, da matemática à física. Tem que dispor do instrumental matemático necessário para identificar e resolver problemas.
Dada a base, há um movimento de mudar radicalmente a pedagogia do ensino, de maneira a aproximar a formação do engenheiro do mundo real.
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Conforme anotou Alessandre Fernandes Moreira, vice-diretor da Escola de Engenharia da UFMG (Universidade Federal de Minas Gerais), há muito poucos estudos pedagógicos sobre o ensino de engenharia. E isso em um mundo exposto a novos valores, exigindo uma multiplicidade de funções do engenheiro, como compromisso com o crescimento econômico, a responsabilidade social, a responsabilidade ambiental, os problemas do cotidiano.
Moreira defende currículos flexíveis e uma grande inserção de cadeiras de Pesquisa e Desenvolvimento, inovação e empreendedorismo, além das parcerias  com o mercado de trabalho.
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Mas os grandes saltos estão ocorrendo nas chamadas universidades corporativas – ligadas a grandes empresas.
É o caso das Universidades Corporativas da Embraer e da Petrobras.
Segundo Mauro Kern, vice-presidente de Engenharia e Tecnologia da Embraer, em 2000 a empresa sentiu dificuldade em aumentar o quadro de engenheiros apenas a partir de contratações, dada a heterogeneidade dos cursos de engenharia.
Criou, então, um programa para formar engenheiros das diversas escolas de engenharia, para que já entrassem jogando.
O programa começou em 2001. De lá para cá, formou 1.200 engenheiros. O curso tem 50 candidatos por vaga, 3 mil candidatos para 60 vagas e é feito em parceria com o ITA (Instituto Tecnológico da Aeronáutica).
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O curso tem três fases. O fundamental, é de cinco meses. A especialização toma mais quatro meses, e é constituído dos cursos de eletrônica, mecânica aeronáutica, estrutura, software e manutenção.
Ao final desse período, cada aluno tem que fazer um projeto de avião, desde a fase de pesquisa de mercado até o projeto de avião, analisando desempenho, aerodinâmica, otimização do peso, arquitetura de sistemas, modelos de manufatura etc. Tudo isso devidamente trabalhado em um plano de negócios.
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Essa mesma metodologia é aplicada na Universidade Petrobras, conforme relatou o responsável José Alberto Buchab.
Todo o programa é focado no plano de negócios e nos objetivos da companhia.
Os programas de formação destinam-se aos profissionais que acabaram de entrar na empresa, e levam de 3 a 13 meses para 17 carreiras das 33 de nível superior da empresa.
Depois disso, aplica-se a educação continuada ao longo de toda sua carreira na empresa.
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Embraer e Petrobras concordam em um ponto relevante: a qualidade dos alunos de engenharia de hoje é infinitamente maior do que a das últimas décadas.

Fonte:  G1 
http://www.cartacapital.com.br/economia/o-desafio-de-formar-engenheiros-no-brasil/

Prejuízo da seca na Bahia pode chegar a 40% da produção agropecuária.






O impacto da seca na economia baiana devem provocar perdas na produção agropecuária que podem variar de 20% a 40%. O estudo, feito pela Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais do Governo da Bahia, autarquia vinculada à Secretaria do Planejamento (Seplan), projeta três cenários – otimista, moderado e pessimista – em função da estiagem que, até o momento, já é a pior dos últimos 50 anos. O drama da seca, seu reflexo na economia e as ações do governo para minimizar o sofrimento da população atingida foi o tema abordado esta semana pelo secretário do Planejamento da Bahia, José Sergio Gabrielli, no programa de rádio “Encontro com Gabrielli”.

O conteúdo está disponível para download no site da Secretaria do Planejamento (www.seplan.ba.gov.br), podendo ser veiculado gratuitamente nas rádios ou postado em sites e blogs. No seu comentário, Gabrielli ressalta que, além da agropecuária, o comércio e os serviços das regiões afetadas pela seca também sofrem com a perda de circulação de renda. As estimativas são de que o valor econômico gerado por estes setores terão uma queda de 10% a 20% este ano, em relação ao ano passado.

A seca, observa o secretário, tem impactado diretamente na vida de mais de 2,5 milhões de baianos, mas também tem provocado efeitos indiretos na vida daqueles que moram longe da região. Por se tratar de um fenômeno cíclico, que ocorre a intervalos de 20 ou 25 anos, o secretário sugere a adoção de medidas preventivas que amenizem os efeitos sobre a vida das pessoas quando vierem os grandes períodos de estiagem.

“Na ultima grande seca que tivemos, em 1982, os efeitos sobre a vida das pessoas foram muito mais dramáticos do que os de hoje. Estamos cada vez mais preparados para enfrentar esse fenômeno”, disse Gabrielli. “As atividades econômicas estão mais diversificadas e o governo implantou uma série de medidas para aumentar a renda diretamente na mão das famílias, independente do período de seca”, explica.

Também, cita, foram feitas obras estruturantes para acumular água, além de acesso a novas fontes, o que permite uma melhor convivência com a estiagem. O longo período de seca dificulta o acesso à água, impulsiona a elevação do preço de alimentos, leva à morte de animais, faz desmoronar o valor do gado. Tudo isso reduz a circulação de dinheiro nas áreas mais afetadas e prejudica ainda mais a economia local.

Os reflexos da seca, no entanto, acrescenta Gabrielli, não atingem apenas os baianos. Consumidores de todo o país sentem no bolso o aumento do preço do feijão, que, de acordo com o Dieese, já subiu 40% somente este ano. Milho, aipim e soja também tiveram preços onerados, uma vez que a Bahia é um dos maiores produtores desses alimentos.

SOLUÇÕES – Gabrielli observa que não há como acabar com a seca, que é um fenômeno climático, mas é preciso criar estratégias para passar por ela sem muitos sacrifícios, a exemplo do que ocorre com os países que regularmente sofrem com seus invernos rigorosos.

“Como ação estruturante e de longo prazo, é preciso avançar com o programa Água para Todos, que busca aumentar a oferta de água perfurando poços, construindo e ampliando barragens, cisternas e sistemas de abastecimento”, aponta o secretário do Planejamento. “Além dos investimentos emergenciais para dar acesso a água, existe um movimento que diversifica as atividades econômicas do semiárido e reforça as transferências de renda para as famílias, como o Bolsa Família, a Aposentadoria Rural e o Crédito para Agricultura Familiar, que permitem que os baianos enfrentem melhor o período crítico da estiagem”, completa.

O Banco do Nordeste disponibilizou R$1 bilhão em novas linhas de crédito para irrigar as economias das cidades afetadas de todo o Nordeste e parte de Minas Gerais e Espírito Santo. Já o Governo do Estado está acelerando os programas emergenciais, ao mesmo tempo em que desenvolve as ações estruturantes para preparar os municípios para lidar com esse período agora e no futuro.

Fonte: UPB(União dos Municípios da Bahia)

Acesse o link para ouvir ou baixar áudio em mp3:
http://www.seplan.ba.gov.br/sgc/arquivos/20120516_183024_16052012_Encontro%20com%20Gabrielli.mp3

Nilton Vasconcelos:A preocupação é o impacto da seca sobre os trabalhadores.


O 1º de Maio se aproxima e os baianos vão comemorar com festa e protesto em diversas cidades do estado. Nesta entrevista, o secretário Estadual do Trabalho, Emprego e Renda, Nilton Vasconcelos, fala da situação vivenciada pelos trabalhadores na Bahia e das ações desenvolvidas pelo governo do estado para enfrentar questões como os impactos da crise econômica, da seca e até da ameaça dos produtos importados. Confira a conversa.

 
Vermelho - A taxa de desemprego na Região Metropolitana de Salvador é uma das maiores do país. O que os baianos devem esperar em relação à geração de empregos em 2012?

Nilton Vasconcelos - Esse resultado de 17,3% em março, tem um crescimento natural em relação a fevereiro, já que sazonalmente fevereiro é sempre melhor que março. Mas, o que estamos percebendo, é um aumento da taxa de desemprego em relação ao mesmo mês do ano anterior. Isso sim, é fruto do processo de crise econômica, que não deixa de impactar em nosso estado, em função do perfil da atividade econômica, que é muito voltada para a exportação de produtos químicos, petroquímicos, comodites agrícolas e área de madeira celulose. Então, isso sempre implica sim impactos no comercia exterior e também no emprego. Tem a ver com isso.
Mas, por enquanto, não acreditamos que haja uma retomada de níveis de seis anos atrás, quando nós estávamos com uma taxa de desemprego de 22,7%, ou seja, uma taxa ainda bem maior. O fato é que nós reduzimos bastante as taxas de desemprego, chegando a taxa de 12-13% e tivemos muita dificuldade em descer além disso, ao contrário de outras regiões metropolitanas. Isso tem a ver com particularidades da economia nordestina, baiana e especialmente de Salvador, que tem deficiência no perfil da mão de obra, grande contingente de trabalhadores e o próprio analfabetismo, ainda que tenha sido reduzido, ainda impacta no mercado de trabalho.


V – Qual o maior problema no momento?

NV - Agora a  preocupação mais importantes se volta em relação à seca. Mais da metade dos municípios baianos já estão em estado de calamidade, a previsão de chuvas é de dentro de três meses ainda e outros apenas no final do ano, o que deixa a situação ainda mais crítica. Em alguns municípios estamos tendo de fazer escolha entre o fornecimento de água para as residências ou para o comércio, o que é muito ruim, do ponto de vista que vai afetar o comércio e o emprego, além de atingir a agricultura de subsistência e vai aumentar a taxa de desocupação destas pessoas.


V- Como o governo vem enfrentando a situação?

NV - De uma maneira geral, a estratégia tem sido de ampliar investimentos, na perspectiva de que são os investimentos que geram os empregos. Nós já estamos acelerados em relação às obras da Copa. As do estádio e também acelerando no plano de mobilidade urbana, como as obras da Via Expressa, que devem ser concluídas até o final do ano. É continuar, não só os investimentos públicos, mas também particulares.
O Governo do estado negocia também mais casas populares, mais oportunidades de financiamento de casas populares, o que mantém ativo também o setor da construção civil.


V - O que tem sido feito para preparar e qualificar o trabalhador para as oportunidades de trabalho?

NV - Este ano nós já concluímos a contratação de 24 mil vagas de qualificação nas mais diversas áreas. Esta semana, nós tivemos um edital com características bem particulares, que é voltado para o desenvolvimento de atividades que são voltadas para a cultura, como artes cênicas, costura cênica. Estes cursos vão acontecer em municípios que são prioritários na área da cultura, mas que também têm força na área da atividade turística. Então nós vamos continuar investindo ainda mais, chegando a 30 mil vagas no próximo ano. Com o Programa Nacional de Formação Técnica - Pronatec, coordenado pelo Ministério da Educação, os trabalhadores que receberem seguro-desemprego terão a oportunidade de simultaneamente fazer cursos de qualificação. Isso até então não era viabilizado, mas já foi regulamentado e deve começar a funcionar nos próximos meses, beneficiando aqueles trabalhadores que tiverem recorrido ao benefício mais de três vezes nos últimos anos, que serão encaminhados também para estes cursos de formação. É uma oportunidade de qualificar este contingente.


V - Quais os avanços que os trabalhadores baianos podem comemorar nestes últimos anos?

NV - O principal avanço a ser considerado é a valorização do salário mínimo. Esta valorização é significativa pelo seu percentual e multiplicação da capacidade de renda. E ao aumentar a capacidade de renda do trabalhador, isso significa diretamente o aumento do consumo. Diferentemente da elevação da renda na população de rendimento mais alto, na população que recebe salário mínimo, isso não vai para poupança, vai para o consumo, para atender as necessidades básicas. E isso tem feito com que as taxas de crescimento na região Nordeste, sobretudo de produtos básicos, venha aumentando e ampliando o consumo e a geração de emprego nas áreas de produção destes itens.
Há um alerta muito grande para que de fato estes incremento de renda esteja ligado a iniciativas que incentivem a produção local. Porque se não, nós vamos estar financiando empregos em outros países, uma vez que estes produtos passem a ser importados. Uma vez que outros países estão com problemas internos e passem a importar seus produtos para o Brasil. Então, nós estaríamos com a política de incremento da renda, perdendo a oportunidade de simultaneamente desenvolver atividade econômica local, gerando mais empregos.


V- O que tem sido feito para evitar isso?

NV- A preocupação principal do governo é atrair investimentos, tendo uma política que não seja voltada exclusivamente na redução de tributos. Porque nosso estado tem uma posição muito pouco privilegiada na arrecadação de tributos por população. Somos o 25º estado do país. Ou seja, quando dividimos o total da arrecadação pela população estamos entre os mais baixos do país. Isso reduz a capacidade de investimento do estado. Então, o que temos procurado é a atração de investimentos, que não sejam apenas pautados pela renuncia fiscal, mas também em garantias de boas condições, como a trafegabilidade nas nossas rodovias. Hoje a malha viária do está em condições amplamente superiores a aquelas que encontramos no primeiro governo Jaques Wagner. Também no caso de estruturas portuárias, aeroportuárias aqui em Salvador e no governo do estado. Precisamos melhorar as condições para que os investimentos cheguem, já que com que o emprego os trabalhadores terão condições d melhorar sua renda e as condições de vida. 


V- A Copa vai gerar empregos condizentes com o alto investimento para a sua realização?

NV- A Copa gera empregos e gera, especialmente, o que chamamos de legado. Gera empregos, como as duas mil pessoas trabalhando no canteiro da Fonte Nova, em uma obra que durou 2 anos e meio, não com este contingente, mas com um número expressivo,com as obras de mobilidade. Tem também uma boa geração na hotelaria. O que nós estamos fazendo agora é garantir que em 2013 a gente tenha a Copa das Confederações. E temos uma sequência, que é 2013, 2014, 2015 e 2016, incluindo ai, além da Copa do Mundo, a Copa América e as competições de futebol masculino e feminino das Olimpíadas de 2016.
Então, os investimentos se diluem, a medida que acontecem estes outros eventos, que trazem sempre a possibilidade de atração de turistas e de ampliação da projeção do destino turístico Salvador. Então, há a possibilidade de negócios na verdade, mas não podemos também vender ilusões. Não vai acontecer nenhum milagre. Nós temos que garantir que esses segmentos estejam funcionando adequadamente, principalmente, os setores de hotelaria, bares e restaurantes. O que é muito importante, é a gente saber capturar estes turistas que vêem aqui, para que eles voltem. Esta é a principal motivação da exposição do Brasil a nível internacional. É a fazer o turista permanecer. Para virem outras vezes, é preciso ter um bom acolhimento na área de turismo, alimentação e tudo mais.

De Salvador,
Eliane Costa.
 
Fonte:  Vermelho Portal 
http://www.vermelho.org.br/ba/noticia.php?id_noticia=182025&id_secao=58

Gasto no exterior soma US$ 1,85 bi em fevereiro, recorde para o mês.

No primeiro bimestre, brasileiros gastaram US$ 4,15 bilhões lá fora. Segundo economistas, aumento do emprego e da renda influenciam valor

     Os gastos de brasileiros no exterior somaram US$ 1,85 bilhão em fevereiro deste ano, informou nesta sexta-feira (22) o Banco Central. Segundo dados da autoridade monetária, isso representa novo recorde para meses de fevereiro. Até o momento, o maior valor para despesas de brasileiros no exterior, no segundo mês de um ano, havia sido registrado em 2012, no valor de US$ 1,73 bilhão. A série histórica do BC para este indicador tem início em 1947. No primeiro bimestre deste ano, ainda segundo dados oficiais, os gastos de brasileiros no exterior totalizaram US$ 4,15 bilhões, novo recorde histórico para o período, com alta de 10,5% frente ao mesmo período do ano passado (US$ 3,75 bilhões).

Renda, dólar alto e descontos
       O aumento dos gastos no exterior neste ano está relacionado, segundo economistas, com a continuidade do crescimento do emprego e da renda no Brasil, mesmo com um ritmo menor de expansão da economia brasileira.
      Os números do BC mostram que as despesas cresceram fortemente em fevereiro deste ano apesar da alta do dólar – fator que encarece passagens e despesas em moeda estrangeira e desestimula o gasto lá fora. Em fevereiro deste ano, o dólar oscilou ao redor de R$ 1,98, e, no mesmo mês do ano passado, estava próximo de R$ 1,73.
     Segundo economistas, um fator que tem contrabalançado um pouco a alta do dólar é o preço dos serviços de turismo no exterior - que têm registrado recuo em moeda norte-americana. Isso acontece porque os países para os quais os brasileiros estão viajando ainda estão "fragilizados" pela crise finaneira internacional.

Histórico de gastos no exterior
     Em 2012, os gastos no exterior somaram US$ 22,2 bilhões e bateram recorde para um ano fechado. Em 2011, as despesas de brasileiros lá fora haviam somado US$ 21,2 bilhões. Deste modo, o crescimento, de 2011 para 2012, foi de 4,5%.
     Até 1994, quando foi editado o Plano Real, que conteve a hiperinflação no Brasil, os gastos de brasileiros no exterior não tinham atingido a barreira dos US$ 2 bilhões. Naquele ano, somaram US$ 2,23 bilhões. Entre 1996 e 1998, as despesas no exterior oscilaram entre US$ 4 bilhões e US$ 5,7 bilhões.
     Com a maxidesvalorização cambial de 1999, com o dólar subindo para acima de R$ 3 em um primeiro momento, as despesas no exterior também ficaram mais caras. Com isso, os gastos no exterior voltaram a recuar e ficaram, naquele ano, próximos de US$ 3 bilhões.
As despesas de brasileiros no exterior voltaram a atingir a barreira de US$ 5 bilhões por ano somente em 2006. Desde então, têm apresentado forte crescimento. Em 2007, 2008 e 2009, por exemplo, atingiram, respectivamente, US$ 8,2 bilhões, US$ 10,9 bilhões e US$ 10,8 bilhões.

Fonte: G1

21.3.13

Chipre, Islândia: pequenos países, grandes destinos

O euro revelou-se uma armadilha. A soberania da moeda cipriota – e européia – é definida alhures: em Frankfurt, em Bruxelas, em Berlim, com uma pequena participação de Paris. Mas seria um erro dizer que a culpa é da moeda. A responsabilidade cabe, em primeira e última instância, aos que detém a hegemonia sobre ele, os tecno-burocratas que regem a vida dos governantes daquelas capitais. Por Flávio Aguiar



A melhor frase para se definir o estado da atual “crise do Chipre”, que outra não é senão a crise na neoliberal União Européia, encontra-se no inglês: “the plot thickens”. “Plot” quer dizer “enredo”, mas a melhor tradução na nossa língua é “o caldo engrossa”.

Engrossa para trás e para diante.

Para trás: dedos e unhas seguem crispados, apontando culpas e culpados. Os políticos cipriotas culpam Wolfgang Schäuble, o ministro das Finanças alemão, apontado como o principal “falcão” da reunião do fim de semana em que se definiu o “genial” plano de assaltar as contas de todos os correntistas em 6,75% até 100 mil euros e 9,9% acima. “As through this world I roam/I’ve seen lots of funny men/Some rob you with a six gun/Some with a fountain pen”, dizia célebre canção de Pete Seeger, dos tempos da Grande Depressão. Ela se aplica inteiramente ao caso.

Schäuble se defende. Diz que não queria penalizar os pequenos correntistas. Queria apenas que o Chipre também se responsabilizasse pela cobertura do rombo dos bancos. Por trás de seu empenho paira a futura eleição alemã, no segundo semestre, e uma opinião pública fomentada por uma mídia – mais ou menos sensacionalista – segundo a qual todo o problema deriva da promiscuidade orçamentária que prevalece no sul da Europa – promiscuidade pública e privada. Mas também paira um parecer atribuído ao FMI, segundo o qual qualquer novo endividamento do governo de Chipre acima de 10 bilhões de dólares tornaria om país insolvente.

Por trás do parecer, a impávida Christiane Lagarde argumenta que jamais defendeu que os pequenos e médios correntistas cipriotas fossem penalizados. Isto, parece, é verdade. Os dedos e unhas então se voltam para o governo de Nicos Anastasíade, o novo governante conservador que, apenas 24 horas após empossado, sucedendo a um governo chefiado por um ex-comunista, se viu no meio da maior tempestade que se abateu sobre a ilha desde sua ocupação, ao norte, pelo Exército turco, no final do século passado.

Nicos, diante da imposição de que seu governo teria de levantar 7 bilhões de euros da noite para o dia, teria se recusado a penalizar mais os grandes investidores – russos, britânicos e outros – que, atraídos pelo paraíso fiscal em que Chipre se transformou, graças ao governo ex-comunista que deixou o poder há pouco, detém somas fabulosas no país. Os russos, por exemplo, são responsáveis por 31 bilhões de euros nos insolventes bancos cipriotas e mais de 40 bilhões de investimentos em empresas sediadas em Chipre, o que não quer dizer que sejam nacionais.

A opção teria sido zerar ou diminuir as “contribuições” das “sardinhas” e aumentar para 12,5% ou 15% a contribuição dos “tubarões”. Isto, temia o debutante Anastasíades, poderia afugentar os alienígenas, afundando o sistema bancário de imediato.

Os dedos então se voltam para o futuro. O que fazer? Da Rússia, o czariato governante acena com a possibilidade de algum socorro. Isto é uma novidade: pela primeira vez a Rússia é envolvida diretamente na crise européia. Mas seu preço seria alto: o controle sobre as reservas de gás descobertas na costa de Chipre. Putin nem confirma nem nega esta opção.

Reunidos em vídeo-conferência de emergência, os ministros da Zona do Euro acenaram com a redução para 3% da “contribuição” dos depósitos até 100 mil euros, mais a isenção até 20 mil. Mas isto elevaria a contribuição dos magnatas. Anastasíades hesita.

Por fora, correntistas italianos e espanhóis se assustam. Ningué acredita na declaração de que “Chipre é um caso único”. Todos temem por suas contas. Exemplo (mau): a Grã-Bretanha suspendeu os pagamentos de seu pessoal militar acampado na ilha (devido à presença turca, em parte, talvez ainda a ecos da antiga Guerra da Criméia) através dos bancos cipriotas. Ao invés, enviou um avião militar recheado por um milhão de euros em notas pequenas, prova de que o colchão tornou-se mais seguro do que o banco.

A Igreja Ortodoxa de Chipre, através de seu patriarca, o arquibispo Chrysostomos II, anuncia que vai mobilizar seus recursos para ajudar o país. E eles não são poucos, envolvendo terras, ações bancárias e até uma cervejaria.

Ainda não se sabe o que fazer, nem o que vai acontecer. Os economistas e comentaristas ortodoxos permanecem inflexíveis: a Europa deve endurecer com Chipre e seus correntistas insatisfeitos e ingratos. À “generosa” ajuda dos “contribuintes europeus”, responderam com “intolerável arrogância”, protegendo, na verdade, oligarcas russos. Os russos esperam salvaguardar suas contas enquanto o Kremlin arma o bote sobre as reservas de gás. O governo de Chipre, espremido entre as manifestações de rua e os sobrolhos em Bruxelas e Frankfurt, não sabe, na verdade, o que fazer. Os cipriotas vão à rua. Haverá esperança para sua causa? É difícil prever. Não entram nos cálculos dos tecno-burocratas que informam o comportamento de Frankfurt, Bruxelas e Berlim, como o jovem Jeroen Dijsselbloem, ministro das Finanças da Holanda e presidente do Grupo do Euro.

Mas não custa perguntar como o Chipre foi para nesta situação. Através da desregulamentação de seu sistema bancário, ora. Como na pequena Islândia, o sistema bancário do pequeno Chipre cresceu desmesuradamente. Foi ao equivalente a oito ou dez vezes – ou mais, as cifram variam – o seu PIB anual. Quer dizer, além de ingovernável, tornou-se inafiançável. Movido pela ganância especulativa, investiu zilhões de seus capitais em “bonds” da dívida grega. Quando esta foi “reestruturada”, cortando na carne dos montantes a serem pagos, os bancos cipriotas não tiveram o fluxo de capitais necessário para pagar as próprias dívidas. Entraram em falência e em pânico. O governo não tinha como ajudá-los. Ressalvadas as proporções, como o Titanic, seu tamanho os perdeu. E, como o Titanic, sem botes salva-vidas.

Há um elemento de corte nestes destinos. Na época (2008/2009) o governo islandês quis fazer algo semelhante ao cipriota. Com uma diferença: ao invés de um assalto abrupto, foim planejado um ritmo de conta-gotas: os islandeses pagariam um imposto-extra, durante anos a fio, para honrar a dívida de seus bancos, nacionalizada pelo governo. Este, no entanto, caiu. O novo governo, social-democrata, evitou o assalto. Contava, como poderosa auxiliar, com a soberania sobre sua moeda, a coroa. Pôde ajustá-la, de acordo com suas necessidades. Disto, o Chipre não desfruta. O euro revelou-se uma armadilha. A soberania da moeda cipriota – e européia – é definida alhures: em Frankfurt, em Bruxelas, em Berlim, com uma pequena participação de Paris.

Mas seria um erro dizer que “a culpa é do euro”. A responsabilidade cabe, em primeira e última instância, aos que detém a hegemonia sobre ele, os tecno-burocratas que, por detrás da cortina, regem a vida dos governantes daquelas capitais. Formados todos num brete econômico – o do ideário ortodoxo – não abrirão nem mesmo uma pequena fresta na Cortina de Ferro de seus ideais onde o povo, decidiamente, não tem lugar, a não ser como cobaia ou pasto de suas chuvas, frentes frias e outras intempéries.