29.8.11

Revista Ademi-Ba é lançada em Conquista

O lançamento da edição de n° 48 da Revista Ademi Bahia foi lançada em Vitória da Conquista nesta tarde de sexta-feira (26), em cerimônia no Memorial Régis Pacheco. O lançamento contou com a presença do Prefeito Municipal, Guilherme Menezes, do presidente da Associação de Dirigentes de Empresas do Mercado Imobiliário da Bahia, Nilson Sarti e diversos empresários da cidade. O lançamento da revista marca o inicio de uma interiorização da Ademi-Ba, que passa a estreitar as relações com as cidades do interior da Bahia.

Foto: Zé Silva.

Foto: Zé Silva.

Vitória da Conquista foi escolhida para ser a primeira cidade devido ao grande crescimento no setor imobiliário da cidade, além do destaque em diversas áreas como saúde, educação e indústria. ”A força do comercio da região, o pólo educacional, são fatores que diferenciam Vitória da Conquista, e estimulam esse crescimento”, ressalta Nilson Sarti. Uma das intenções da Associação, é levar empreendimentos de Vitória da Conquista para outros pólos comercias do estado, atraindo investimentos para a cidade e, da mesma forma, trazer novas ideias que possam aprimorar e fomentar ainda mais esse mercado.

Foto: Zé Silva

Para o Prefeito Guilherme Menezes, entrevistado desta edição da revista, o olhar das empresas de construção civil estão voltados para Vitória da Conquista, graças ao seu potencial de crescimento e é importante a participação da Ademi-Ba na região, porque ela não pensa somente no crescimento, mas também, na qualidade da expansão desse mercado, compatibilizando-o com a necessidade da população. “Nossa busca, em parceria com a Ademi, Caixa Econômica e Governo federal, tem sido no sentido de atrair mais recursos para a construção de casas populares, distanciando muito a demanda por moradia em Vitória da Conquista”, coloca o prefeito.

A revista pode ser acessada a partir da próxima semana pelo site da Ademi-Ba.


Fonte:

http://www.vitoriadaconquista.com.br/2011/08/26/revista-ademi-ba-e-lancada-em-conquista/

Múltis avançam em genéricos no Brasil

Participação de farmacêuticas estrangeiras no segmento de medicamentos cresce de 12% para 40% em três anos

Crescimento do país, políticas públicas e expiração de patentes empurram empresas para mercado brasileiro

CLÁUDIA COLLUCCI
DE SÃO PAULO

Multinacionais farmacêuticas já detêm 40% do mercado de genéricos no Brasil. Há três anos, essa fatia era de apenas 12%, segundo dados da Pró Genéricos (Associação Brasileira das Indústrias de Medicamentos Genéricos).
A "desnacionalização" do setor se acirrou a partir de 2009, com a compra do laboratório Medley pela francesa Sanofi-Aventis, por R$ 1,5 bilhão. De lá para cá, ao menos outras quatro aquisições (veja quadro) foram feitas, e a procura por novos negócios continua acirrada.
"Há conversa para todos os lados. Não só de compra, mas também de acordos de transferência de tecnologia e de outras parcerias", diz Odnir Finotti, da Pró Genéricos.
Três empresas, a italiana Zambom, a suíça Ferring Pharmaceuticals e a dinamarquesa Nycomed, planejam investimentos e parcerias no Brasil. Mas, segundo analistas, está difícil fechar negócios, pois os preços dos ativos farmacêuticos dispararam.
"Já tentamos fazer aquisição de cinco ou seis empresas, mas ainda não deu certo. Estou há 30 anos no mercado farmacêutico e nunca vi nada igual", afirma Wilson Borges, presidente da Zambom do Brasil.
Segundo ele, a empresa deve fechar em outubro parceria para licenciar de quatro a cinco produtos -por razões contratuais, ele não pode revelar detalhes do negócio.

INTERESSE
O crescimento econômico brasileiro, o aumento do poder de compra, especialmente nas classes C e D, e as políticas governamentais de acesso a remédios são razões que explicam o interesse no país, hoje o segundo mercado que mais cresce no mundo -só perde para a China.
As farmacêuticas internacionais, por sua vez, precisam buscar alternativas de mercado, já que têm reduzido seu portfólio de produtos de inovação e suas patentes de medicamentos "blockbusters" (campeões de venda) estão em processo de expiração.
"Ninguém é melhor para copiar que o próprio autor. Se você juntar a dificuldade de descoberta de novos medicamentos e o fato de que o mundo inteiro vai ter genéricos, nada mais óbvio que investir em genéricos", diz Antonio Brito, presidente de Interfarma (Associação da Indústria Farmacêutica de Pesquisa).
O mercado de genéricos faturou R$ 6,2 bilhões em 2010, alta de 37,7% ante o ano anterior, segundo balanço divulgado pelo IMS Health, instituto que audita o desempenho da indústria farmacêutica no Brasil e no mundo.
O setor movimenta 21,3% dos volumes totais de remédios no país e 17% em valor. Nos EUA, o volume de genéricos chega a 70% do total.
Para Finotti, ainda há folga para crescimento do setor. "A participação de genéricos na venda total de medicamentos deve atingir até 50% nos próximos anos."
Brito, porém, não é tão otimista. "A onda do 'cheguei, tem mercado novo e ocupei' já teve melhores dias. A concorrência com a Índia e a China está muito violenta."

BIOLÓGICOS
Um outro mercado que ganha a cada dia mais interesse das multinacionais é o de medicamentos biológicos, que, no fim do ano passado, passou a ter nova regulamentação no país.
Em abril deste ano, a americana Amgen anunciou a aquisição da brasileira Bergamo por US$ 215 milhões.

Na contramão, empresas brasileiras miram exterior

DE SÃO PAULO

Enquanto as múltis farmacêuticas miram o Brasil, as empresas nacionais planejam aquisições fora do país.
A EMS, a maior farmacêutica brasileira, tem centros de operação na Itália, na Espanha e em Portugal e distribui seus produtos para um total de 30 países.
A meta da empresa, que faturou R$ 3,3 bilhões no ano passado, é entrar no mercado norte-americano.
Segundo Waldir Eschberger, vice-presidente de mercado do grupo, a EMS aguarda a aprovação do FDA (agência americana reguladora de fármacos e alimentos) para instalar uma fábrica nos EUA.
"No Brasil, já consolidamos a nossa posição. Estamos há cinco anos na liderança [do mercado]. Agora nosso negócio é ir para fora. Às vezes, em momentos de crise, é a melhor hora para entrar nesses países."
No Brasil, a EMS vai se concentrar no desenvolvimento de produtos exclusivos. A empresa possui hoje um dos maiores centros de pesquisa e inovação, com 238 profissionais, e investe 6% do faturamento no desenvolvimento de novos fármacos.
O Cristália, maior detentor de patentes entre os laboratórios brasileiros (28), deve anunciar nos próximos meses novas aquisições no Brasil e no exterior.
"Isso deve aumentar a nossa participação tanto em princípios ativos como em produtos terminados", afirma o presidente da empresa, Ogari de Castro Pacheco.
O laboratório é líder na América Latina na produção de anestésicos e também é o único brasileiro que fabrica antirretrovirais para o Programa Nacional de Aids (da matéria-prima ao produto acabado).

E AQUELES QUE ERAM PRA DAR SEGURANÇA!

Não é com satisfação que viemos denunciar: Jaques Wagner e ACM vestem a mesma farda facista! As cabeças que descansam hoje no mirante de Ondina como as de ontem, têm a mesma cor! Nós, estudantes negras e negros residentes na cidade de Cachoeira estamos juntos com outras entidades do movimento social e professores da UFRB organizados para denunciar o racismo, a banalização da violência e o abuso do poder na conduta da Polícia e da política de (in)segurança pública do Estado da Bahia perante a comunidade de Cachoeira.
A agressão policial, física e verbal, da qual foi vítima a estudante negra Flávia Pedroso durante a apresentação de bandas de Reggae do Recôncavo nos festejos da Boa Morte é o ponto comum onde se encaixam várias das mais diversas formas do genocídio cultural e político da população negra. Uma prática contínua que tem os pés fincados na Casa Grande. Em pouco tempo os manipuladores da democracia e da insegurança reprimiram uma manifestação cultural e política da juventude negra do Recôncavo desligando o som e agredindo com tapas membros da produção, agrediu com palavras irrepetíveis à mulher negra e negaram o direito à denúncia dos crimes de racismo e violência contra a mulher, assim como exames de corpo de delito. Enquanto isso rodou mais de 50 quilometros com a jovem negra numa viatura da Polícia Militar para acusá -la de desacato à autoridade por ter perguntado o nome de uma das policiais agressora. Exigimos respeito aos direitos civis da população e repudiamos a manipulação da lei e do direito do cidadão quando coloca como réu a vítima de agressão racista e machista. Nossa ação política soma-se a esse conjunto de fatos para evidenciar que não é de hoje que a truculência do poder estatal criminaliza a juventude negra, negando-lhe a liberdade de denúncia e expressão, mesmo via música negra, e exigi o cumprimento dos direitos políticos da população negra violados pelo mesmo Estado.
Assim como em Salvador e região metropolitana, a população negra nas periferias de Cachoeira vive sofrendo estas agressões e violações de seus direitos. Nas rotineiras rondas que fazem nestas localidades os policiais além de revistar as fraldas de crianças e “implantar” droga no bolso dos jovens, têm obrigado as mulheres do Candomblé a retirarem o Ojá que protegem seu Ori argumentando procedimento de revista rotineira.
A invasão ao Terreiro do Ventura, motivo de Caminhada do povo de Axé da cidade em 19 de novembro de 2010 e a agressão policial sofrida pela Iyalorixá Ya Bernadete no Assentamento Dom Helder Camara em Ilhéus, demonstram que este conjunto de situações trata-se de uma ofensiva da qual nenhum negro e nenhuma negra estão a salvo. Denunciamos tais agressões contra as sacerdotisas do Candomblé, tradição religiosa do povo negro de Cachoeira e da Bahia. O ódio religioso verificado nas diferentes formas de violência às religiões de matriz africana reiteram as tentativas de genocídio cultural como face do racismo estrutural contra o povo negro do Brasil. Falando a partir da experiências das escravizadas em Cachoeira vemos a resistência secular do povo negro. Estes eventos se conformam em v erdadeiras atrocidades contra o sagrado das Y ias no lugar da mais importante organização de mulheres negras, da mais antiga Irmandade de Mulheres Negras do Candomblé. Sua história e outras do povo negro do Recôncavo nos inspira a resistir até os dias de hoje, justamente por confrontar o sistema escravista que sempre teve a polícia como seu braço armado, legitimado pelo estado para prender e matar “negros fujões e rebelados”, nossas lideranças, para as quais a Boa Morte se organizava para compra da Alforria.
Agressões da PM da Bahia à jovens negros/as tem sido recorrente nos fins de semana, no São João de Cachoeira, assim como foi no dia 13 de agosto do ano corrente, quando foi contra todos os nossos direitos sociais e individuais. Não há qualquer justificativa que possa nos convencer das agressões nas abordagens. Trata-se de uma prática sistemática de violação dos direitos constitucionais do povo negro do Recôncavo a terra, lazer, informação e educação. No nosso quilombo urbano ou nos quilombos rurais castram nossa liberdade e instauram a insegurança entre nós, haja vista as irregularidades do último caso:
·quando uma pessoa é conduzida à Delegacia por policial civil ou militar, ela deve ser imediatamente apresentada ao Delegado de Polícia e tudo que acontecer com a pessoa dentro da Delegacia é de responsabilidade do Delegado de Polícia, a única autoridade Policial de fato;
· quando uma pessoa é agredida nas dependências da Delegacia, o Delegado também poderá responder por crime de tortura, assim como, as mulheres devem ser revistadas por policiais femininas, e que policiais não podem gritar com a pessoa, xingá-la, agredindo-a, o que configurar crime de racismo, violência à mulher injúria ou até mesmo de abuso de autoridade;
·todo policial deve estar identificado e quando solicitado deve apresentar sua carteira funcional.
Não aceitamos mais contar vidas e talentos aniquilados pelos estereótipos criados pela instituição policial, perseguindo e matando nossos jovens pobres e pretos. Não aceitamos que o policia exerça a segurança privada dos brancos detentores do capital econômico e político no Brasil, enquanto dispensa tratamento historicamente diferenciado para negros e brancos, pobres e ricos, mulheres e homens, homossexuais e heterossexuais.
A interiorização da violência (Mapa da Violência 2011) atinge não só nossas periferias através da Polícia como também pela grande mídia sensacionalista, instrumento ideológico de legitimação das truculências dos militares em nossas comunidades, sob a justificativa de combate ao narcotráfico. Outras formas de atuação repressora da (in)segurança pública no interior são as ações de milícias para o intimidamento de lideranças quilombolas e indígenas no campo, muitas vezes, militares acionados por “senhores de engenho” contemporâneos que não aceitam perder seus privilégios na concentração de terra e renda. A região do Recôncavo e Sul da BA são as principais áreas de atuação dessas organizações criminosas.
A violação que vem sofrendo a centenária Roça do Terreiro do Ventura e outros terreiros de Candomblé da região, os ataques de grileiros e fazendeiros ao povo dos quilombos do São Francisco do Paraguassu e do Vale do Iguape e as agressões gratuitas às mulheres negras que têm seus territórios invadidos é comum na rua pelos (ir)responsáveis pela manutenção da (in)segurança pública. Esses ataques são apoiados por parlamentares representantes dos ruralistas, grileiros e latifundiários que em Brasília contestam a constitucionalidade do decreto 4887/03 que regulariza territórios quilombolas, pela Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI 3239/04), de autoria dos DEM, (ex-PFL) em tramitação no STF (Supremo Tribunal Federal).
É tempo de lutar por REPARAÇÃO AO POVO NEGRO. O Estado agora é que deve nos pagar indenizando a dívida social para com a população negra e pelos crimes de lesa a humanidade conforme Deliberações da Conferência Internacional de Durban em 2003.
“Nunca morremos, nunca morreremos calados, não silenciaremos!”
O povo de Cachoeira e do recôncavo está gritando BASTA! Não queremos mais dormir e acordar com medo da violência, não precisamos de uma polícia que atua de maneira truculenta, racista, homofóbica, machista e genocida, agindo em favor de grupos de poder. Exigimos uma Audiência Pública para tratar do problema da Segurança Pública na cidade.
REAJA À VIOLENCIA RACIAL ! REAJA OU SERÁ MORTA ! REAJA OU SERÁ MORTO ! REPARAÇÃO JÁ!
Núcleo de Negras e Negros Estudantes da UFRB - NNNE
Comunidade do Viradouro, Cachoeira - BA
Movimento Negro Unificado - MNU
Associação de Familiares e Amigos de Presidiários – ASFAP
Quilombo Xis – Ação Cultural Comunitária
Campanha REAJA!
Posse Conscientização e Consciência - Lauro de Freitas
JACA - Juventude Ativista de Cajazeiras
Centro Acadêmico de Jornalismo da UFRB
Movimento Rumo ao Socialismo
Movimento de Mulheres do Subúrbio
Coletivo Contra Corrente
Coordenação Regional de Estudantes de Ciências Sociais/UFBA
Coletivo Além dos Muros
Coletivo Aqüenda! de Diversidade Sexual!
Barricadas fecham ruas, abrem caminhos!
ENECOS - Executiva Nacional dos Estudantes de Comunicação Social

28.8.11

Brasil atrai US$ 5 bi em investimentos de montadoras

São Paulo, 28 ago (EFE).- O Brasil vai atrair até 2014 cerca de US$ 5 bilhões em investimentos estrangeiros no setor automotivo, que contará nos próximos com a instalação de mais nove unidades de montagem.

Com isso, o número de fábricas em construção ou em projetos no Brasil iguala ao da China e poderia aumentar com a chegada de outras marcas interessadas em instalarem-se no país, como a alemã BMW, apontou o jornal "O Estado de S.Paulo" neste domingo.

Com os investimentos, a capacidade anual de 5 milhões de veículos produzidos aumentará até 2014 em 16% e vai gerar 14 mil empregos diretos.

Com total de 26 plantas de produção de 19 marcas, o Brasil é o quinto país no mundo com o maior número de fábricas de automóveis em operação.

As nove fábricas em construção pertencem à italiana Fiat, com investimento de US$ 2,3 bilhões; a sul-coreana Hyundai (US$ 600 milhões), as chinesas JAC (US$ 600 milhões) e Chery (US$ 400 milhões) e as japonesas Toyota (US$ 600 milhões), Suzuki (US$ 60 milhões) e a Nissan, que não divulgou o aporte de investimento previsto.

As duas unidades de montagem restantes são frutos de associação com a chinesa Lifan e a uruguaia Effa, com investimentos de US$ 100 milhões cada uma.

fonte: http://economia.uol.com.br/ultimas-noticias/efe/2011/08/28/brasil-atrai-us-5-bi-em-investimentos-de-montadoras.jhtm

Feijão transgênico aparece para enfrentar doença de mosaico dourado

Essa é a primeira planta geneticamente modificada com tecnologia nacional. Mosaico dourado é causado por víruas transmitido pela mosca branca.

O mosaico dourado é uma das principais doenças do feijão e causa muito prejuízo na lavoura. O feijão transgênico surge como novo caminho para enfrentá-la. Essa é a primeira planta geneticamente modificada com tecnologia totalmente nacional.

No campo de pesquisas da Embrapa Arroz e Feijão, em Santo Antonio de Goiás, a 12 quilômetros da capital, está sendo cultivado o feijão transgênico. O objetivo do experimento é verificar se o feijão modificado geneticamente resiste à doença chamada mosaico dourado, um dos maiores problemas enfrentados pela cultura. A doença é causada por um vírus transmitido pela mosca branca, pequeno inseto encontrado em todas as regiões do país.

O agrônomo e pesquisador Josias Correa de Faria é um dos coordenadores da pesquisa que começou há quase dez anos. “Nós procuramos pegar um fragmento do vírus do mosaico dourado do feijoeiro e introduzi-lo no feijoeiro. Funciona parecido a uma vacina. A planta se tornou resistente ao mosaico dourado do feijoeiro”, explica.

Por causa da resistência à doença, o feijão geneticamente modificado pode trazer economia para o produtor. “Enquanto que numa cultura convencional à época de alta incidência de mosca branca precisa de aplicações semanais de agrotóxico, nesse caso não vai precisar de agrotóxico para controlar a mosca branca”, completa o pesquisador.

“Nós analisamos dezenas de fatores nutricionais, alimentamos animais, fizemos caracterização agronômica e molecular e não encontramos nenhuma diferença entre o feijoeiro geneticamente modificado resistente ao vírus e os feijoeiros já consumidos em todas as regiões do Brasil há décadas. Esses dados nos deram segurança suficiente para demonstrar que esse feijão é seguro para o consumo humano e para o plantio no Brasil”, diz Francisco Aragão, agrônomo da Embrapa.

O feijão transgênico deve ser analisado pela Comissão Técnica Nacional de Biossegurança em reunião marcada para 15 de setembro.

fonte: http://g1.globo.com/economia/agronegocios/noticia/2011/08/feijao-transgenico-aparece-para-enfrentar-doenca-de-mosaico-dourado.html




Cada brasileiro tem mais de três cartões na carteira













Crescimento do setor faz maquininhas chegarem a qualquer lugar, da praia à feira.

Seis cartões de crédito, três de débito e um do seguro do carro que, no momento do aperto, permite o saque de uma graninha extra. É com esse monte de plásticos que a bancária Nathalia Imparato paga as contas, compra ingressos para shows, roupas, comida e leva a vida, já que ela quase nunca anda com dinheiro vivo na bolsa. O Brasil tem, hoje, mais cartões do que gente: são pelo menos três para cada pessoa.

Dados da Abecs (Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços) mostram que havia pouco mais de 684,3 milhões de cartões em operação em julho, enquanto a população brasileira girava em torno de 190 milhões.

O setor vem crescendo cerca de 20% ao ano nos últimos dez anos e deve continuar a mostrar fôlego. O grande motor desse segmento de dinheiro virtual é a facilidade do crédito e o desenvolvimento de tecnologias que permitiram que a grana de plástico chegasse à praia, à feira e a qualquer lugar em que um autônomo queira vender algo.

O feirante Juninho, dono de uma banca de frutas que percorre as ruas da zona sul e da região central de São Paulo, diz que o cartão hoje é a salvação de qualquer comerciante.

- Como a maioria das minhas vendas é em bairro nobre, a máquina traz segurança. Até o gerente do banco achou estranho porque começou a entrar muito mais dinheiro na conta para uma banca de frutas. Hoje fidelizei meu cliente porque não cobro o mínimo, divido a compra em três vezes e, se a freguesa precisar, deixo até fazer saque.

José Eduardo Manier, diretor de cartões da financeira Lecca, explica que o cartão tende a ocupar o espaço do crediário, do cheque e do próprio dinheiro. Segundo ele, há quem ande com os trocados no bolso, mas o cartão é mais prático.

- É uma tendência natural. Antes, as POS [ponto de venda, na sigla em inglês, as maquininhas] tinham que ter uma linha exclusiva para operar. Hoje, elas operam por celular e satélite. Isso faz com que até um ambulante na praia possa receber. Cada vez mais veremos isso no dia a dia e fica muito mais fácil e seguro sair sem estar com moedas no bolso.

É a segurança que atraiu o autônomo Wilson Viola ao mundo dos cartões. Ele vende livros em faculdades e viaja o país participando de eventos universitários para vender obras específicas para as mais diferentes áreas do conhecimento.

- Se não fosse a maquininha, só teria o cheque. E cheque de estudante eu não pego. Já cheguei a tomar calote de R$ 1.000 ao vender livros mais caros, de coleções caras e raras, a um aluno que pagou com cheque sem fundos. Hoje é cartão direto. É seguro, prático e facilita a venda.

Controle alto

Mas a facilidade pode virar rapidamente uma bola de neve na mão de quem não tem controle. A bancária Nathalia, citada no início da reportagem, aprendeu a duras penas como controlar os gastos. Segundo ela, não dá para abrir mão dos dez cartões que a acompanham diariamente, mas é possível saber exatamente o que gastou, com o que e quando.

- Sou economista formada e me organizo com uma planilha. Não carrego dinheiro comigo. Tudo é no débito e no crédito. Então tem que organizar para não perder o controle. Tem vezes que a gente esquece uma compra que fez e a fatura só vai cair no mês que vem, isso pode prejudicar, mas com a planilha dá para controlar.

Ela conta que começou a usar o método depois que quase faliu devido a tantas contas. A psicóloga foi quem deu a dica.

- Tudo que eu via eu queria comprar. Eu até conversava sobre isso na terapia. E chegou um dia que eu falei que teria que parar porque estava sem dinheiro. E ela falou: ‘passe a controlar seus gastos. Tudo o que gastar, até a esmola de R$ 1 para o mendigo, vai colocar na planilha’.

Juros caros

O especialista em finanças pessoais Marcelo Maron, diretor-executivo do Grupo PAR, seguradora ligada à Caixa Econômica, faz uma conta simples para mostrar como o descontrole como o cartão é perigoso.

- Imagine que você comprou uma televisão de 42 polegadas por R$ 2.000 e resolveu usar seu cartão de crédito. Se você não conseguir pagar nada nestes quatro anos, considerando os juros cobrados pelas administradoras de cartões, sua dívida se tornaria R$ 1.539.281. Um aumento de 75.000%.

Os especialistas dizem que o maior problema é que as pessoas esquecem que o cartão não é dinheiro, mas uma modalidade de empréstimo, que cobra juros sobre o tempo que aquela grana ficou emprestada para você.

- Quando se soma os cartões, parcelas de empréstimos e todas as obrigações do nosso dia a dia, a falta de controle pode levar à insolvência. As pessoas esquecem que cartão não é dinheiro, mas crédito. Uma dívida de R$ 2.000 no cartão de crédito, hoje, que não esteja sendo amortizada, transforma-se em R$ 10.534 em um ano; R$ 55.485 em dois; R$ 292.244 em três anos e, em quatro anos, o dinheiro é suficiente para comprar um imóvel.

Pelos últimos números da Anefac (Associação Nacional de Executivos de Finanças, Administração e Contabilidade), os juros do cartão estão em quase 240% ao ano.

Mercado potencial

Manier diz que ainda há muito para crescer. A estimativa é de que quase metade da população brasileira não seja bancarizada, isto é, não tenha sequer conta em banco para receber salário. Sete em cada dez ainda preferem o dinheiro vivo para pagar as contas.

- É comum, hoje, a classe média e a baixa renda (classes C, D e E) entrarem no mercado de cartões com o que chamamos de private label, são aqueles cartões de loja e de supermercados que agora permitem saques e coisas do tipo. Sem contar que muitos usam o cartão para fechar o mês.

Segundo ele, o mercado ainda precisa se educar financeiramente para evitar absurdos no uso do crédito como pagar uma fatura de cartão usando o limite de outro cartão.

- Não é à toa que se fala em crédito consciente. Tem que ter uma disciplina para não se atrapalhar. O consumidor está mais acostumado a olhar o tamanho da parcela que o dos juros. E o excesso de ofertas favorece o endividamento. Só que mais vale um cliente consciente do que um cliente que se enforca e não volta mais para o mercado.

Ele afirma que o espaço para crescer é justamente a grande briga das empresas do setor. Com o fim da exclusividade das bandeiras, os cartões puderam ir à praia. Agora o negócio é dar o cartão para quem ainda não tem crédito na praça usar de forma consciente.

- A cada dez clientes que pedem o cartão numa operação de varejo, possivelmente metade deles pode ser aprovada e metade, negada. Seja porque está no SPC, tem pendência no banco, não conseguiu comprovar renda ou qualquer outra coisa para aprovar o crédito. A saída seria um cartão pré-pago, que ainda é novidade no mercado. É uma forma de o varejo não perder a venda e ainda dar a chance de o cliente mostrar que poderia ter cartão comum.




fonte: http://noticias.r7.com/economia/noticias/cada-brasileiro-tem-mais-de-tres-cartoes-na-carteira-20990805.html

26.8.11

Como é viver em Porto Alegre, a capital do pleno emprego

Com o desemprego em 4,7% e mais oferta de vagas do que trabalhadores, região metropolitana gaúcha vê mão de obra encarecer

Chamado pelo chefe no meio do serviço, Claiton Silva Vargas desceu contrariado nove lances de escadas do prédio em construção, no centro de Porto Alegre. Desde que assinou a carteira com uma construtora em dezembro, com salário mensal de R$ 4 mil, o azulejista de 28 anos perdeu as contas do número de vezes que teve de parar o serviço para negar ofertas de trabalho. “Já estava pensando o que falaria desta vez”, disse, aliviado, ao saber que não precisaria inventar desculpas ao encontrar a reportagem do iG.

Foto: Cartola/Agência de Conteúdo

O azulejista Claiton: assédio diário de empregadores

Como Claiton, o assédio é corriqueiro sobre os trabalhadores da construção civil, um dos setores responsáveis por manter o desemprego da região metropolitana de Porto Alegre entre os menores do País. Segundo a última pesquisa mensal de emprego do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), com dados de julho, a capital gaúcha aparece com um índice de 4,7%, ao lado de Belo Horizonte. O resultado de Porto Alegre é 1,3 ponto percentual inferior à média nacional. O desemprego da metrópole gaúcha e dos 32 municípios dos seus arredores foi o menor nos primeiros seis meses do ano, colocando a cidade próxima da condição do pleno emprego - conceito utilizado por economistas para definir locais onde praticamente grande parte da população economicamente ativa está ocupada. Segundo especialistas, o Brasil teria pleno emprego quando os indicadores de desemprego ficarem na faixa entre 5% e 6%.

Em dezembro, quando Claiton deixou a vida de autônomo e viu sua renda mensal dobrar com o novo emprego, o índice de Porto Alegre havia atingido 3%. Foi a menor taxa de desocupação alcançada entre as seis regiões metropolitanas pesquisadas desde que a série começou a ser feita na década de 1980. “Estamos próximos de um cenário de pleno emprego, no qual as taxas de desemprego são consideradas friccionais (quando o trabalhador fica fora do mercado de trabalho por um curto período)”, diz o economista Flávio Fligenspan, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS). O desemprego friccional é considerado uma condição natural, uma vez que sempre existirá um nível de desocupação na economia por conta dos trabalhadores que estão trocando de função ou em busca de novas oportunidades. “É inegável que se trata de uma situação muito privilegiada em termos históricos”, diz Fligenspan.

Uma conjunção de fatores conjunturais e estruturais torna a região metropolitana mais meridional do país um dos símbolos da fatura de emprego – alguns deles com características muito singulares. Além de aproveitar o bom momento da economia brasileira, o Rio Grande do Sul tem polos industriais espalhados pelo Estado e não concentrados ao redor da metrópole. Ao contrário de outros Estados, os movimentos migratórios em busca de emprego no Rio Grande do Sul não miram a capital e arredores, mas outras regiões como a serra gaúcha e o Norte. O município de Caxias do Sul, na Serra, é o campeão em atração de novos migrantes, segundo dados do IBGE. Por isso, segundo economistas, a situação do pleno emprego da cidade é tão particular. Sem os migrantes e os desempregados que rondam zonas industriais das demais capitais brasileiras, Porto Alegre e região apresentam maior equilíbrio entre a oferta de trabalho e a demanda por emprego.

Além disso, a capital vem perdendo moradores desde os anos 1990 e enfrenta acentuado processo de desindustrialização. “Essa questão migratória tem um impacto direto na taxa de desemprego da região metropolitana de Porto Alegre, uma das mais desconcetradas do país. Não é apenas a oferta de vagas que cresceu nos últimos anos, mas o fato de que há menos pessoas em busca de trabalho nesta região, o que reduz o níveis de desocupação”, explica o economista Ademir Koucher, supervisor de informações do IBGE no Rio Grande do Sul.

Dados da Fundação de Economia e Estatística (FEE) do Rio Grande do Sul, que faz uma apuração própria de emprego e desemprego, também ilustram esse cenário. Segundo Raul Bastos, economista da FEE, em junho, o nível ocupacional de Porto Alegre cresceu 4,5% enquanto a população economicamente ativa expandiu em 2,6% Ou seja, o ritmo de geração de empregos aumenta de forma mais acelerada do que o número de pessoas que ingressa no mercado de trabalho. Construção civil e serviços são os setores que mais contribuem para o cenário favorável, e já se percebe visível aumento de padrão salarial para os trabalhadores.

"Ganho mais e trabalho menos"

Há 12 anos, quando começou a trabalhar com o pai na construção civil, Claiton Vargas tinha que conciliar o serviço de reformas com o trabalho em um supermercado. Depois, trabalhou de dia como azulejista e, de noite, em um estacionamento. “Eu conseguia me sustentar, mas trabalhava muito", afirma. "Hoje, ganho muito melhor e trabalho bem menos.”

No ano passado, após concluir um serviço em um condomínio de Porto Alegre, foi convidado pelo cliente, dono de uma construtora, a trabalhar com carteira assinada. Não hesitou. “Eu tinha uma clientela, mas ter a garantia de um salário todo mês dá estabilidade”, diz. Com um salário de, em média, R$ 4 mil, quase o dobro do que ganhava como autônomo, Vargas comprou um Gol 2007 em prestações de R$ 500, uma moto e está terminando de reformar casa, em Viamão, na região metropolitana da capital gaúcha. “Agora, quando esquentar, vou começar a vir de moto para o trabalho. Senão, uso o caro. Não ando mais de ônibus porque é muito estressante”, afirma. Vargas não pensa em largar o canteiro de obras. “De comida e casa todo mundo precisa. Então, não corro o risco de ficar sem trabalho”, conclui o azulejista, que está mais acostumado a recusar ofertas de emprego do que correr atrás delas. “As pessoas também têm uma ideia errada da construção civil. Hoje, ninguém mais carrega peso. Eu não misturo nem a cola, só corto e coloco o azulejo”, conta.

Setores como a construção civil viram a demanda crescer na mesma velocidade com que os custos da mão de obra, escassa, se tornou mais cara. “O piso da categoria subiu quase 10% e o preço da produção por metro quadrado também. Se não pago bem, perco pessoal e dinheiro, porque a obra para”, diz o engenheiro Giovani Perdomini, sócio da construtora que emprega Claiton. Ademir Koucher, do IBGE, compara essas mudanças às sofridas pela Europa e Estados Unidos, países em que os setores de serviços e construção são conhecidos por remunerações atraentes. “Se o setor enfrenta déficit de pessoal, terá de pagar melhor para compensar”, diz o economista. “A maioria conhece alguém que já morou fora e trabalhou em construções por causa dos bons salários. Situação semelhante está começando a ocorrer no país”, diz Koucher. Os baixos índices de desemprego em Porto Alegre são as feições mais visíveis desse fenômeno no Brasil.