9.5.13

Especialistas dão 7 dicas para consumidor que sofre fraude no cartão Comente

O consumidor que é vítima de fraude no cartão tem o direito de pedir a suspensão de compras feitas indevidamente. Especialistas em direitos do consumidor alertam ainda que, caso pague as contas cobradas a mais sem perceber ou a administradora insista em fazer a cobrança, o consumidor deve receber o valor de volta em dobro.
Uma pesquisa realizada no ano passado pela ACI Worldwide, empresa que produz sistemas de prevenção a fraudes bancárias e lavagem de dinheiro, mostra que 33% dos consumidores brasileiros foram vítimas de fraudes em cartões de crédito, débito e pré-pagos nos últimos cinco anos.
O índice coloca o Brasil na sétima posição no ranking feito pela empresa, que lista 17 países. Considerando-se apenas os cartões de crédito, o Brasil sobe para a quinta posição (30% dos consumidores disseram terem sido vítimas de fraude nesse caso).

Clonagem de tarja e uso de cartão no exterior

Segundo Henrique Takaki, coordenador do Comitê de Segurança e Prevenção à Fraude da Associação Brasileira das Empresas de Cartões de Crédito e Serviços (Abecs), 85% das operações com cartões de crédito feitas no Brasil são realizadas em máquinas que fazem a leitura de chips, o que inibe a clonagem em território nacional.
Em outros países, porém, como os Estados Unidos e os da América Latina, as máquinas que leem chip ainda são minoria. Por isso pode acontecer de a tarja ser clonada e o cartão ser usado para compras lá fora. Pior: em moeda estrangeira.
A melhor prevenção, nesse caso, é ficar de olho na fatura, mesmo que ela esteja no débito automático.
Takaki sugere ainda que o consumidor adquira o hábito de avisar a administradora em caso de viagem ao exterior.
A empresa poderá, assim, ter maior controle sobre compras internacionais registradas no cartão e poderá avisar o consumidor se desconfiar de alguma operação.
Outro tipo de fraude comum é aquela feita virtualmente, quando o consumidor faz compras pela internet ou pelo telefone e fornece os dados do cartão (número, código de segurança e validade). Quem faz compras em empresas desconhecidas e baixa arquivos de procedência duvidosa na internet corre mais riscos, diz Takaki.

Empresas são obrigadas a suspender cobrança

Seja qual for o caminho usado para a fraude, os órgãos de defesa do consumidor dizem que as administradoras de cartão têm sempre a obrigação de suspender a cobrança de compras contestadas pelo cliente.
"A fraude é um risco e um ônus do negócio das administradoras. O consumidor confia naquele meio de pagamento e muitas vezes deixa de usar dinheiro por causa da segurança e da praticidade que o cartão traz", declara Renata Reis, supervisora da área de assuntos financeiros do Procon de São Paulo.
O direito existe mesmo que o consumidor não tenha contratado os seguros contra perda e roubo oferecidos pelas administradoras. "Mesmo que o consumidor não tenha o seguro e mesmo que o cartão tenha chip, a empresa é responsável", diz Maria Inês Dolci, coordenadora institucional da associação de consumidores Proteste.

Cancelamento do cartão e emissão de fatura nova

Ao se deparar com valores de compras não realizadas na fatura, o primeiro passo é avisar a empresa, pedindo o cancelamento do cartão e a emissão de outro boleto de pagamento. O consumidor deve pagar apenas os valores que reconhece.
No caso de compras não reconhecidas feitas no exterior, a empresa deve descontar também a variação cambial e o Imposto Sobre Operações Financeiras (IOF).
Segundo Renata Reis, do Procon-SP, caso o consumidor concorde, a administradora também pode cobrar a fatura integralmente e fazer o depósito do valor contestado. O reembolso, porém, deve ser feito o mais rapidamente possível.
É importante, também, registrar um boletim de ocorrência em uma delegacia. O registro não é obrigatório para que o ressarcimento seja feito, mas ajuda na investigação de crimes do tipo.

Cobrança indevida deve ser devolvida em dobro

Caso o consumidor só perceba o problema depois que pagou a fatura ou a administradora insista na cobrança indevida sem seu consentimento, os valores pagos a mais devem ser devolvidos em dobro, alerta Maria Inês Dolci, da Proteste.
Isso vale não só para o valor da compra, mas também para impostos (como o IOF, no caso de compras internacionais) e juros (cobrados no caso de o consumidor não ter saldo e acabar caindo no cheque especial, por exemplo).
Caso a empresa insista em cobrar a conta do cliente, cabe a ela provar que os valores foram mesmo gastos por ele.
7 dicas para o consumidor que é vítima de fraude no cartão
  • Caso detecte, na fatura, a presença de compras não realizadas, avise a administradora. O cartão deve ser cancelado e substituído.
  • Informe quais são os débitos não reconhecidos e peça a suspensão da cobrança desses valores. A empresa pode emitir uma nova fatura.
  • Anote o número de protocolo do atendimento feito pelo Serviço de Atendimento ao Cliente (SAC). Por lei, as empresas têm até 5 dias para solucionar problemas relatados nos SACs.
  • Caso o consumidor só perceba o problema depois que pagou a fatura ou a administradora insista na cobrança indevida sem seu consentimento, os valores pagos a mais devem ser devolvidos em dobro.
  • Caso a fatura seja paga no débito automático e, por causa do valor em excesso, o consumidor pague juros pelo uso de cheque especial, a empresa também deve devolver esse valor em dobro.
  • Mesmo quem não paga os seguros oferecidos pelas administradoras de cartão de crédito tem seus direitos assegurados.
  •  Em caso de compra parcelada, é interessante registrar um Boletim de Ocorrência e comunicar órgãos de proteção ao crédito, como SCPC e Serasa.
http://economia.uol.com.br/noticias/redacao/2013/05/09/especialistas-dao-7-dicas-para-consumidor-que-sofre-fraude-no-cartao.htm

BNDES abre diálogo sobre financiamento de meios públicos e alternativos

Em audiência na Câmara dos Deputados, representante do banco mostrou-se disposta a encontrar caminhos para os veículos do campo público e alternativo acessarem recursos de programas já existentes, mas também enfatizou que é preciso “desconstruir um pouco essa impressão de que o BNDES pode ser a solução de todos os problemas”.

Vinicius Mansur


Brasília – O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) foi à Câmara dos Deputados nesta terça-feira (7), convocado pela Comissão de Cultura, para debater as possibilidades de financiamento público aos meios de comunicação que não pertencem à grande mídia comercial, como os veículos públicos, comunitários e alternativos.

Durante a audiência pública, Luciane Gorgulho, chefe do Departamento de Cultura, Entretenimento e Turismo do BNDES, listou as formas de atuação do banco no financiamento da comunicação, mostrou-se disposta a encontrar caminhos para os veículos do campo público e alternativo acessarem recursos de programas já existentes, mas também enfatizou que era preciso “desconstruir um pouco essa impressão de que o BNDES pode ser a solução de todos os problemas”.

Segundo Gorgulho, em 2006 o BNDES deixou de ser apenas patrocinador de produções audiovisuais via leis de incentivo para apoiar toda a cadeia produtiva ligada à cultura, ao setor audiovisual, aos jogos eletrônicos (games), às novas mídias e às telecomunicações. Este apoio pode ser dividido em três tipos: linhas de crédito, empréstimos oferecidos ao setor empresarial – incluindo o Cartão BNDES para empresas de menor porte – e a capitalização das empresas através de fundos de investimento, onde o banco entra diretamente no risco do negócio.

A representante do BNDES disse que, apesar de o foco histórico de apoio do banco ser indústrias ricas de ativos tangíveis, ele vem despertando há alguns anos para o potencial das indústrias baseadas em conhecimento, flexibilizando, inclusive, suas regras de garantias e de spread para atender às necessidades diferenciadas desses setores, em relação aos segmentos tradicionais. Entretanto salientou que o foco do banco é oferecer linhas de crédito com rigor de análise. “Mesmo sendo um banco de desenvolvimento, somos um banco. É necessário que haja um rigor na análise de crédito, que seja verificada a saúde financeira da empresa, a sua possibilidade de pagar a dívida, mas dentro das possibilidades”, disse.

Questionamentos
A deputada Jandira Feghali (PCdoB-RJ), presidenta da Comissão de Cultura, ressaltou que era preciso o BNDES dar mais sentido a letra “S” de sua sigla para poder contribuir com a democratização da comunicação no país. “Exigir garantias bancárias de uma rádio comunitária vai ficar difícil. Mesmo o Cartão BNDES é dificílimo para uma microempresa, sobretudo as que estão abrindo agora, porque sempre pedem o faturamento. E do ponto de vista de uma rádio ou TV comunitária a expectativa de faturamento é, em tese, nenhuma”, questionou. A deputada perguntou se não era possível se pensar um fundo que não seja reembolsável para o campo público e alternativo e emedou: “Já ouvimos que o BNDES já tirou grandes meios de comunicação de grandes crises. Por via direta e via sociedade do BNDES com grandes empresas que hoje jogam grandes publicidades nos meios de comunicação. A gente pergunta: como é que esses recursos podem cair na comunicação pública?”, arguiu.

O presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), Nelson Breve, também destacou a importância de financiamentos a fundo perdido para a ampla maioria do setor da comunicação alternativa e pública, o que permitiria a sua consolidação e um retorno financeiro que tornariam desnecessários, no futuro, novos financiamentos especiais. Outra saída apontada por Breve, nesse caso específica aos meios públicos, seria liberar a Contribuição para Fomento da Radiodifusão Pública, que corresponde a 5% do Fundo de Fiscalização das Telecomunicações (Fistel), e estão retidos por força de ação judicial movida pelo sindicato das teles. O repasse de 75% desta contribuição à EBC é previsto em lei, assim como 2,5% devem ser destinados a Agência Nacional de Telecomunicações (Anatel) por gerir esses recursos e os outros 22,5% ainda não tem regulamentação. Segundo Breve, estes recursos depositados em juízo já ultrapassam a soma de R$ 1,5 bilhão.

O presidente da Associação Brasileira de Canais Comunitários (ABCCOM), Paulo Miranda, afirmou que o BNDES poderia desde já financiar o seu setor destinando parte de seus recursos de publicidade, mas também enfatizou a importância de um apoio a fundo perdido. “No Canadá existe esse fundo, são US$ 79 milhões por ano”, exemplificou. A deputada Luciana Santos (PCdoB-PE) e o coordenador do movimento Fora do Eixo, Ney da Silva, que também compuseram a mesa da audiência pública, seguiram a mesma linha de cobrança do BNDES.

Respostas
Luciane Gorgulho reconheceu a importância de se construir um sistema que garanta a democratização da comunicação, mas disse que a fonte de recursos não-reembolsáveis (a fundo perdido) do BNDES é pequena, não é prevista por dotação ministerial e já é usada em ações feitas a muitos anos, como na restauração do patrimônio histórico brasileiro e apoio ao combate a pobreza. “A área é meritória, mas esses recursos são muito disputados com outras ações igualmente meritórias. Vou levar essa sugestão, mas queria desconstruir um pouco essa impressão de que o BNDES pode ser a solução de todos os problemas. Acho que o BNDES pode e deve ser complementar, mas especialmente explorando aquilo que é o carro-chefe do BNDES: a linha de crédito”, explicou.

Ela também enfatizou que o microcrédito também não é especialidade do BNDES, porque não há agências que o permitam chegar à ponta. “O Banco do Nordeste, ao contrário, é super-reconhecido por essa ação e poderia ser chamado a debater sobre isso”, aconselhou.

Gorgulho insistiu que o BNDES tem uma dos maiores orçamentos do mundo e seus desembolsos crescem a cada ano porque seus recursos retornam na forma de juros, ou então nas modalidades de fundos de investimentos e participações nos resultados.

O que ela acredita ser bem viável é “pegar carona nos programas que já existem” e organizar uma ação de fomento diferenciada, “com juros baixíssimos, com prazos alongados, com flexibilização de regras de garantias”. Entre os programas citados por Gorgulho estão o Programa para o Desenvolvimento da Economia da Cultura (Procult) e o Programa de Apoio à Implementação do Sistema Brasileiro de TV Digital Terrestre (PROTVD), além dos Fundos de Financiamento da Indústria Cinematográfica Nacional (Funcines) e o Fundo Setorial do Audiovisual (FSA).

“É uma área de interface de vários ministérios, como o da Cultura, com a Ancine; o MIDIC, com todas suas agências não só o BNDES, Finep, Apex Inpi; e o Ministério das Comunicações. É uma ação interministerial que já tem algumas ações sendo feitas”, defendeu.

Quanto a descentralização da verba publicitária do BNDES, Gorgulho disse que levaria a sugestão ao banco, mas, sem citar valores, afirmou que orçamento para este fim é irrisório.

Encaminhamento
Ao final, a deputada Feghali pediu a Gorgulho a realização de um encontro da Comissão de Cultura com o presidente do BNDES para lhe apresentar três propostas: a disputa dos recursos não reembolsáveis, ainda que sejam menores; a criação de uma linha de crédito especial dentro das linhas existentes; e a pressão pela regulamentação dos 22,5% da Contribuição para Fomento da Radiodifusão Pública que poderiam ser administradas pelo banco.

A deputada ainda confirmou que convidará a ministra-chefe da Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República, Helena Chagas, para uma audiência pública na comissão.

Fotos: Casa das Redes
 

"Escolha de Azevedo mostra confiança na liderança do Brasil", diz analista

Brasileiro obteve amplo apoio de países emergentes e oposição da União Europeia 
OMC

Roberto Azevedo teve apoio de emergentes e oposição da União Europeia
Na disputa pelo posto de diretor-geral da Organização Mundial de Comércio (OMC), o brasileiro Roberto Azevedo obteve 93 dos 159 votos (13 a mais do que o necessário para ganhar). Para o resultado, oficializado nesta quarta-feira 8, foi fundamental o apoio fundamental de países emergentes da América Latina e da África ao baiano, destacando a importância de políticas comerciais Sul-Sul, implementadas pelo ex-presidente Luiz Inácio Lula da Silva em busca de uma ligação mais intensa com países africanos e vizinhos sul-americanos.
O posicionamento de Lula rendeu críticas de que o Brasil estaria se afastando dos grandes atores do comércio em uma postura isolacionista. A crise mundial de 2008, no entanto, afetou profundamente as nações desenvolvidas e deu aos emergentes mais força e influência na economia. E foram eles que apoiaram a candidatura do brasileiro. “Essa votação mostrou o resultado de articulações e da grande confiança na liderança brasileira por parte de um conjunto muito grande de países, entre eles os BRICS (Rússia, Índia, China e África do Sul). Esse apoio é uma vitória que dá ao Brasil condições de reabrir as negociações da Rodada de Doha”, acredita Giorgio Romano Schutte, professor de Relações Internacionais da Universidade Federal do ABC.
A escolha de Azevedo, diz, teve início em 2003 na reunião ministerial de Cancun, no México. À época, o Brasil ajudou a criar e a coordenar o G20, um grupo de 23 países de três continentes (entre eles África do Sul, Argentina, China e México) que representa 21% da produção agrícola mundial e 26% das exportações.
O bloco se firmou como um dos mais influentes nas negociações agrícolas de Doha, suspensas desde 2008, alçando o Brasil com um dos líderes dos emergentes. “Antes eram os ricos que sentavam e ditavam as regras, depois chamavam os outros para concordar. O G20 começou questionar isso e propor outra forma de articulação.”
Na eleição contra o mexicano Hermínio Blanco, o Brasil não obteve o apoio de diversos países desenvolvidos. A União Europeia e a Croácia, que somam 28 votos, por exemplo, se opuseram a Azevedo. Eles alegam que o Brasil tem adotado uma posição protecionista em meio à crise internacional.
Críticas rebatidas pelo Ministério de Relações Internacionais, para quem o País segue as normas do comércio internacional. “Estamos em um contexto de crise com diferentes estratégias, o que gera mais sensibilidade por outras políticas”, diz Daniela Arruda Benjamim, chefe da Coordenação-Geral de Contenciosos do Itamaraty. “O governo vem promovendo mudanças para melhorar a vida da população. Os acordos da OMC não devem proibir isso, pois a entidade tem como objetivo o desenvolvimento.”
Romano também refuta as críticas de protecionismo e ressalta que a OMC possui um fórum de soluções de controvérsias no qual é pouco acionado. “O Brasil não é um protecionista, ainda mais se analisar a proteção a produtos agrícolas nos Estados Unidos e na União Europeia com subsídios.”

http://www.cartacapital.com.br/economia/omc

6.5.13

BC ressuscita resgate de bancos com dinheiro público


Não será por falta de compromisso (e nem de dinheiro) que uma nova lei para minimizar os danos provocados por bancos em dificuldade deixará de existir. Hoje, no Seminário Internacional sobre Regimes de Resolução no Sistema Financeiro Brasileiro, que acontece em Brasília, o presidente do Banco Central, Alexandre Tombini, fez um diagnóstico dos aspectos mais relevantes do anteprojeto do novo marco legal da resolução bancária no país e teve o apoio imediato do senador Lindbergh Farias (PT-RJ). Lindbergh, presidente da Comissão de Assuntos Econômicos do Senado, além de assegurar que o Congresso vai trabalhar para dar uma tramitação rápida da proposta do BC, informou que o presidente do Senado, Renan Calheiros, também se comprometeu em colocar a proposta em votação com a maior velocidade possível. O BC prioriza o uso de recursos da própria instituição, de seus acionistas ou grandes credores e grandes depositantes no socorro às instituições em dificuldades. Mas conseguiu ressuscitar a possibilidade de resgate das instituições problemáticas com dinheiro público, proibido desde 2001 pela Lei de Responsabilidade Fiscal . Um dos artigos da própria LRF abria a possibilidade da volta do uso de recursos públicos, desde que regulamentado por uma legislação especial. Com o anteprojeto da Lei do Regime de Resolução Sistema Financeiro Nacional é feita a regulamentação da LRF, reabrindo a possibilidade de uso de recursos públicos.

O anteprojeto do BC procura assegurar a continuidade dos serviços e da estrutura financeira necessária ao bom funcionamento da economia real em caso de problema de solvência em alguma instituição sistemicamente importante com o uso de novos mecanismos para lidar com a situação. Entre eles está o modelo atualmente em fase de intensa discussão internacional depois de sua adoção na reestruturação da dívida da Grécia e no resgate aos bancos do Chipre (“bail-in”). Com esse regime, a ideia é fazer com que um banco insolvente seja recapitalizado com recursos do seu próprio passivo, sem a necessidade de aportes do governo. É o oposto do “bail-out”, que esteve diariamente no noticiário da crise de 2008 e que levou o Tesouro de diversos países a situações críticas em função dos gigantescos recursos públicos injetados no sistema financeiro.
Outra possibilidade prevista no marco regulatório é a criação de “empresas ponte” para receber ativos e passivos da instituição em liquidação. Dessa forma, a autoridade consegue buscar uma solução do tipo “good bank” e “bad bank”, no qual os ativos bons são separados dos podres e vendidos. Mais uma ferramenta é o  “temporary stay”, no qual o BC suspende a exigibilidade de créditos contra a instituição que está sob intervenção.
O projeto também traz instrumentos da Lei de Falências para dentro do arcabouço legal do BC. Entre eles está a criação do Conselho de Credores, que avaliaria as propostas do liquidante, reduzindo, assim, questionamentos jurídicos posteriores sobre a venda de ativos. Ainda está prevista uma figura de “não sucessão” de ônus, ou seja, o comprador da chamada “parte boa” de uma instituição não sucede os passivos da “antiga instituição”.
Em tempo: o presidente da CAE, senador Lindbergh Farias (PT-RJ), também pretende acelerar as discussões sobre o projeto substitutivo do senador Francisco Dornelles (PP-RJ) pela autonomia formal do BC, estabelecendo mandato de seis anos para os diretores da autarquia e condicionando demissões e/ou substituições desses diretores pelo presidente da República à aprovação prévia pelo Senado. A proposta de Dornelles compõe o primeiro projeto de lei complementar que regulamenta a estrutura do Sistema Financeiro Nacional (STN). Esse projeto, se aprovado pelo Congresso, substituirá a Lei 4.595, de dezembro de 1964, que até hoje regula o funcionamento do sistema financeiro.


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3.5.13

Inflação pelo IPC-S recua em 3 de 7 capitais na última semana de abril

A inflação medida pelo Índice de Preços ao Consumidor - Semanal (IPC-S), que recuou para 0,52% na última semana de abril, desacelerou em três das sete capitais pesquisadas, divulgou nesta sexta-feira (3) a Fundação Getulio Vargas (FGV).
As quedas foram registradas em Brasília (de 0,47% para 0,41%), Rio de Janeiro (de 0,74% para 0,65%) e Porto Alegre (de 0,54% para 0,47%).Em Salvador, foi registrada estabilidade no índice, que ficou em 0,45%.
Altas ocorreram em Belo Horizonte (de 0,68% para 0,69%), Recife (de 0,43% para 0,45%) e São Paulo (0,37% para 0,41%).
No geral, a queda foi de 0,02 pontos percentuais (ante 0,54% na semana anterior). Com o resultado, o indicador acumula alta de 2,60% no ano e de 6,17% nos últimos 12 meses.
Foi registrada queda em seis das oitos classes de despesa componentes do índice. Assim como na prévia anterior, a principal contribuição partiu do grupo alimentação (1,13% para 0,95%).

Recessão na zona do euro será pior do que o previsto em 2013, diz CE

A recessão da Eurozona será pior do que o previsto em 2013, com uma contração do PIB de 0,4%, em vez dos 0,3% esperados, anunciou nesta sexta-feira (3) a Comissão Europeia (CE) em suas previsões de primavera.O Produto Interno Bruto (PIB) da Eurozona registrará uma contração neste ano de 0,4%, depois de ter caído 0,6% em 2012, disse a CE. Em suas previsões de inverno, divulgadas no dia 22 de fevereiro, Bruxelas havia previsto uma queda de 0,3% para o PIB do bloco formado por 17 países.
O crescimento só retornará a esta região de 340 milhões de habitantes em 2014. Mas este também será pior que o previsto inicialmente: neste relatório a CE previu um crescimento de 1,2%, contra a média de 1,4% divulgada em fevereiro.
Em uma conjuntura que não para de se agravar, a atenção se concentra em França e Espanha, segunda e quarta economias do bloco formado por 17 países.
A recessão na Espanha será pior que o esperado em 2013 (-1,5% em vez de -1,4%), com um desemprego de 27%, afirmou Bruxelas.
Segundo estas previsões, o déficit público do país será de 7% de seu PIB em 2014, bem mais que os 5,5% previstos pelo governo espanhol de Mariano Rajoy.
A Espanha havia acordado com Bruxelas alcançar um déficit de menos de 3% em 2014, mas diante dos dados catastróficos do país a Comissão Europeia (CE) disse recentemente que provavelmente concederá mais dois anos, até 2016, para que o governo cumpra a meta fiscal fixada no âmbito do procedimento por déficit excessivo.
A França também não conseguirá cumprir com seu compromisso de reduzir o déficit público.
O déficit será de 3,9% de seu PIB em 2013 e de 4,2% no próximo ano, disse Bruxelas. Em suas previsões de inverno, a CE havia previsto um déficit de 3,7% neste ano e de 3,9% em 2014.
O governo francês, por sua vez, prevê um déficit de 3,7% neste ano e de 2,9% em 2014.
Isto se deve ao fato de que o país fechará o ano em recessão, com uma queda de 0,1%, segundo as previsões, mais pessimistas que as do governo francês, que aguarda um crescimento de 0,1%.
A única boa notícia parece vir da Grécia, onde a crise teve início mais de dois anos atrás. O país retornará ao crescimento em 2014, com um PIB em alta de 0,6%, após seis anos consecutivos de recessão, confirmou nesta sexta-feira a Comissão Europeia.
O PIB grego cairá 4,2% neste ano e retornará ao crescimento em 2014, indicou a CE.
Fonte: www.globo.com/economia 

Indústria vive momento de recuperação, diz IBGE

indústria está em processo de recuperação, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). O somatório dos resultados na margem (ante o mês anterior) é de 1%, embora a comparação do acumulado do ano com igual período de 2012 seja de queda de 0,5%."A situação é melhor do que nos meses mais recentes. Calcado em evolução mais intensa de bens de capital", afirmou o gerente da Coordenação de Indústria do IBGE, André Luzi Macedo.
O destaque é de bens de capital, categoria de uso que avançou 11,7% no acumulado no ano na comparação sazonal. Entre os bens de capital, o avanço foi registrado nos segmentos de caminhões, agrícola e para fins industriais.
O resultado vem "na esteira de medidas tomadas pelo governo. É um indicador positivo na medida em que significa maior crescimento no setor industrial", enfatizou Macedo.
Alimentos
O setor de alimentos é o destaque negativo da indústria neste ano, segundo Macedo . Para esta avaliação, foi considerado o somatório dos resultados na margem, no período de janeiro a março de 2013.
Na comparação do acumulado do ano com igual período de 2012, o resultado do segmento não chega a ser o pior, mas está entre os destaques negativos. Nesta base de comparação, a queda do setor é disseminada, tendo contaminado 72% das atividades, taxa superior à da média da indústria (37%).
A explicação está na inflação e na redução das vendas para o mercado externo, sugeriu o gerente da Coordenação da Indústria, André Macedo. Entre os produtos voltados ao mercado interno, afetados pela alta de preços, ele deu o exemplo da queda da produção de molho de tomate e de margarina. Já entre os produtos cuja produção caiu porque a exportação diminuiu, estão a soja e o açúcar.Os alimentos, na comparação anual, contribuíram para a queda de 8,2% da produção da categoria de semiduráveis e não duráveis. Foi o pior resultado registrado pela categoria desde janeiro de 2009 (-8,6%).
Veículos
A produção de veículos automotores, que inclui automóveis e caminhões, avançou 5,1% na passagem de fevereiro para março, beneficiado por uma base de comparação negativa em fevereiro, de 8,1%, considerando a mesma base de comparação.
"O mês de fevereiro tinha sido marcado pela redução de jornada de trabalho, por férias coletivas e por plantas paralisadas para a ampliação do parque. É o comportamento do setor que vai se adequando à produção", destacou Macedo. Ele salienta que os estoques do setor de veículos automotores estão regularizados e não indicam problema.
Em contrapartida, o setor de outros equipamentos de transporte apresentou queda de 5% na passagem de fevereiro para março, após terem avançado 9,5% no mês anterior. A taxa positiva em fevereiro e o resultado da produção do segmento de motocicletas explicam a queda do grupo de outros equipamentos de transporte.