23.8.10

Próximo governo deverá ter menos gasto para mais investimento

23 de agosto de 2010

Correio Braziliense (DF)

Economia

Todo governo sabe que o custo político de poupar é alto. Mas analistas avaliam que o próximo presidente brasileiro não terá outra saída: precisará gastar menos para poder investir em áreas estratégicas, como educação e infraestrutura, para tornar o crescimento sustentável. O diretor da Economist Inteligence Unit (EIU), Leo Abruzzese, disse que o atual crescimento do Brasil conta pontos a favor da candidata do governo (Dilma Rousseff) e que o país tem “posição orçamentária” razoavelmente saudável, mas deveria ficar atento a exemplos como o da Alemanha.

“Embora já fosse a economia mais forte da Europa, a Alemanha soube poupar ao longo dos últimos anos. É por isso que está passando bem por toda essa crise”, disse o diretor da consultoria britânica, em palestra na sede da Confederação Nacional dos Transportes (CNT), em Brasília, na última semana. Segundo ele, países como Grécia, Portugal, Itália, Espanha e Irlanda estão passando por problemas agora porque gastaram demasiadamente.

A chanceler alemã Ângela Merkel aceitou pagar o preço da sustentabilidade econômica e agora enfrenta uma onda de protestos contra o seu plano de austeridade fiscal, que prevê cortes de até 80 bilhões de euros em quatro anos para combater o deficit orçamentário.

Abruzzese afirmou que, em visita a grandes empresas brasileiras, ouviu dos executivos as mesmas queixas: de que os impostos são altos, a infraestrutura é ruim e o mercado de trabalho não é bom. “É muito crítica a situação dos investimentos para o próximo presidente do Brasil. O país tem que aproveitar este momento. Estaria se dando muito melhor se tivesse melhorado a infraestrutura e os impostos não fossem tão altos”, disse.

O diretor da EIU acrescentou que o país pode crescer de 6% a 6,5% ao ano de forma segura, “sem criar uma bolha”, se resolver essas questões. “Mas ele ou ela, quem quer que seja o novo presidente, tem que olhar essas coisas em tempo adequado. Não adianta esperar dois ou três anos”, alertou.

A EIU prevê um crescimento de 7,9% do Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro em 2010 e a situação da economia este ano favorece a candidata do governo, Dilma Rousseff, segundo acredita Abruzzese. “O índice de desemprego nos Estados Unidos é de 10%. Haverá eleição para o Congresso em novembro e os democratas serão varridos. O Brasil vai crescer 8%. Isso é muito bom para o partido que está no poder. Mesmo se eu não conhecesse nada da política brasileira, diria que o partido que está levando o país a um crescimento de 8% vai ganhar em outubro”, declarou.

Recuperação cíclica
Assessor econômico da candidata à Presidência Marina Silva, Eduardo Giannetti da Fonseca acredita que não se pode confundir recuperação cíclica com desenvolvimento sustentado: “Uma recuperação cíclica é um conhecimento baseado num estoque de capital já existente na economia. Quando as condições de demanda melhoram, essa economia pode aumentar a oferta de mão de obra, por exemplo. Esse crescimento de 7% do PIB não é algo que possamos projetar para o futuro da economia”, afirmou Giannetti em seminário sobre sustentabilidade promovido pelo Walmart este mês em São Paulo.

Segundo Fonseca, promover o crescimento sustentado não é utilizar a capacidade já instalada, e, sim, criar capital físico e humano. “É uma troca no tempo: não utilizar tudo no presente que poderia, para poupar, investir e criar meios de produção dos quais vai precisar futuramente”, definiu.

De acordo com o economista, o nível de investimento do Brasil é de cerca de 18,5% do PIB, enquanto o da China alcança 45% e o da Índia, 28%. “Nossa carga tributária chega a 36%. O Brasil gasta 2% a 3% do PIB mais do que arrecada. É esse o deficit nominal do estado brasileiro, e a capacidade de investimento do setor público continua sendo pífia: nosso investimento ao ano em capital fixo é de apenas 2,1% do PIB”, calculou. (MM)


Crescimento atrai trabalhadores estrangeiros, diz governo

No primeiro semestre, foram concedidas 22,1 mil autorizações para trabalho.
Isso representa crescimento de 18,8% sobre o mesmo período de 2009.

Do G1, em Brasília

O Ministério do Trabalho informou nesta segunda-feira (23) que foram concedidas, no primeiro semestre de 2010, 22,1 mil autorizações de trabalho para estrangeiros, o que representa um crescimento de 18,8% sobre o mesmo período do ano passado.

O presidente do Conselho Nacional de Imigração, Paulo Sérgio de Almeida, avaliou que o crescimento não tem relação com uma possível falta de mão de obra qualificada, mas que seria um reflexo do aumento dos investimentos no Brasil.

"A vinda desses profissionais está relacionada com a implementação de investimentos seja pela aquisição de máquinas e equipamentos importados, que demandam a vinda de técnicos para a montagem, instalação ou repasse da tecnologia; seja pela instalação de novas empresas estrangeiras, que demanda a vinda de profissionais estrangeiros para a fase de instalação; seja pela vinda de embarcações e plataformas estrangeiras para exploração de petróleo, que vêm ao Brasil com suas tripulações estrangeiras, e gradativamente contrata brasileiros para trabalho a bordo", disse Almeida.

Do total de autorizações concedidas para estrangeiros no primeiro semestre deste ano, o Ministério do Trabalho informou que 20.760 são temporárias e 1.428 permanentes. No mesmo período do ano passado, as permanentes somaram 1.335, e as temporárias, 17.334.

Setores
Entre as autorizações concedidas, 8.244 são para trabalhadores estrangeiros que atuam a bordo de embarcações ou plataforma estrangeira (no primeiro semestre de 2009, foram 6.670); 3.724 para assistência técnica por prazo de 90 dias, sem vínculo empregatício (2.858 no mesmo período do ano passado).

Também foram concedidas, no primeiro semestre de 2010, 3.270 autorizações para artistas e desportistas (2.903 em 2009); 2.532 para assistência técnica, cooperação técnica e transferência de tecnologia, sem vínculo empregatício (2.080 em 2009); e 770 para marítimos estrangeiros empregados a bordo de embarcação de turismo estrangeira que opera em águas brasileiras (933 nos primeiros seis meses do ano passado).

Ampliação da oferta de empréstimos traz riscos para clientes, alertam especialistas

22 de agosto de 2010

Estadao.com.br

Brasileiro já pode pegar dinheiro emprestado em caixas eletrônicos e na internet. Bancos também chamam atenção para consumo consciente do crédito

Roberta Scrivano, de O Estado de S. Paulo

SÃO PAULO - A contratação de empréstimos no caixa eletrônico, pela internet ou pelo telefone, sem o intermédio do gerente, cresce de forma robusta no País. Segundo a Federação Brasileira de Bancos (Febraban), a adesão por esses meios já responde por cerca de 40% de todo o Crédito Direto ao Consumidor (CDC) das instituições que oferecem a opção aos clientes. A tendência, dizem analistas, é a fatia expandir-se ainda mais nos próximos anos.

Se, de um lado, a modalidade dá mais independência ao cliente, de outro, demanda muito cuidado. Bancos e especialistas em finanças pessoais chamam a atenção para o consumo consciente do crédito. "Ter o empréstimo fácil pode ser um risco. Mas, se há consciência, essa é uma alternativa de grande valia para a evolução do sistema financeiro", afirma Liao Yu Chieh, professor de Finanças do Insper.

Na prática, o processo de contratação no caixa eletrônico, na internet ou no telefone ocorre de maneira simples. "Qualquer oferta passa pelos critérios de pré-aprovação do crédito e, assim, são adequadas ao perfil de cada cliente", informou o banco Itaú Unibanco por meio de comunicado.

O Itaú, assim como Banco do Brasil, Bradesco, Santander e HSBC, tem, em todas as agências e na maior parte dos caixas eletrônicos, cartilhas ou materiais informativos sobre o uso consciente do crédito.

"Temos de seguir a dinâmica social e o cliente não quer ir à mesa do gerente. Quer tomar as próprias decisões", diz Rogério Estevão, superintendente executivo de empréstimos do Santander.

Ione Amorim, economista do Instituto de Defesa do Consumidor (Idec), concorda que aderir a empréstimos de forma independente é uma tendência do mundo moderno. Mas pondera que, com a facilidade do processo, o consumidor precisa ter cuidado para não tomar o empréstimo por impulso. "A oferta é excessiva no caixa eletrônico e no telefone. Isso é muito arriscado", diz.

Ademiro Vian, diretor adjunto da Febraban, admite que, no tête-à-tête com o gerente, eventualmente o cliente pode conseguir melhores condições de pagamento e de taxas de juros. "De fato isso pode ocorrer, mas não é sempre", afirma.

Brasileiros gastaram R$ 15 bilhões em viagens ao exterior

Valorização do real e elevação da renda média da população contribuíram para ampliar gastos com turismo fora do Brasil

iG São Paulo | 23/08/2010 11:14 - Atualizada às 12:59

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As despesas de brasileiros em viagem ao exterior somaram US$ 8,586 bilhões - o equivalente a cerca de R$ 15 bilhões - no acumulado de sete meses do ano, informou nesta segunda-feira o Banco Central. Esse resultado supera o registrado em igual período de 2009 quando ficou em US$ 5,499 bilhões - cerca de R$ 9,5 bilhões.

A valorizaçãodo real sobre o dólar, o bom desempenho do mercado de trabalho, com a redução no nível de desemprego e a elevação na renda média da população, são fatores que têm estimulado os gastos dos turistas brasileiros no exterior.

Somente no mês passado, essas despesas cresceram cerca de 50% em comparação com o mesmo período em 2009 e ficara em US$ 1,536 bilhão, contra US$ 1,045 bilhão registrado em julho do ano passado.

Os gastos de estrangeiros no Brasil, por sua vez, somaram US$ 3,378 bilhões de janeiro a julho deste ano, contra US$ 3,012 bilhões observados em igual período de 2009. Em julho deste ano, esses gastos ficaram em US$ 438 milhões, contra US$ 445 milhões.

Déficit

O déficit da conta de viagens internacionais do balanço do pagamentos, que somou US$ 1,098 bilhão em julho, é o maior saldo negativo para todos os meses desde o início da série histórica do Banco Central (BC).

De acordo com os dados divulgados hoje pela instituição, essa foi a primeira vez que o rombo gerado pelos turistas brasileiros no exterior superou US$ 1 bilhão em um único mês. O recorde anterior era o de junho deste ano, quando o déficit foi de US$ 908 milhões.

(Com Agências)


INDICADORES ECONÔMICOS

Câmbio

moedacompravendavar. %
DOLAR1,76511,7656sobe0,42%
LIBRA2,74082,7416sobe0,31%
EURO2,23712,2378sobe0,25%

Bolsa de Valores

indicedataultimovar. %
BOVESPA23/08/201066268,01desce0,61%
DOW JONES23/08/201010187,88desce0,25%
NASDAQ23/08/20102172,57desce0,33%
  • Fonte: Thomson Reuter

Governo avalia rumos para o câmbio

23 de agosto de 2010

Estadao.com.br

ADRIANA FERNANDES E FABIO GRANER Agencia Estado

BRASÍLIA - O Tesouro Nacional acelerou as compras antecipadas de dólar destinadas ao pagamento da dívida externa para ajudar na política de contenção da valorização do real frente ao dólar, mas integrantes da equipe econômica avaliam que o governo precisa ser mais atuante no mercado cambial.

Há uma corrente dentro do Ministério da Fazenda que defende o uso do Fundo Soberano do Brasil (FSB) para a compra de dólares no mercado à vista. A regulamentação do FSB está pronta e a medida pode ser tomada tão logo haja o aval da Fazenda. Para isso, basta o Tesouro fazer nova emissão direta de títulos para o FSB. Com esses papéis, o Tesouro pode comprar os dólares.

Além do FSB, há na Fazenda os que defendem uma atuação mais agressiva por parte do BC no mercado futuro de câmbio. A avaliação é que, como o mercado futuro no Brasil determina o rumo do mercado à vista, o retorno das operações de swap cambial reverso - equivalentes à compra de dólares no futuro - ajudaria a depreciar o real ante o dólar, dando competitividade às exportações.

Na área técnica, acredita-se que o câmbio só terá um rumo mais claro após a capitalização da Petrobrás, quando se saberá o montante de dólares que entrará no País para comprar as ações da empresa. A expectativa dessa operação levou à montagem de elevadas posições vendidas (aposta na valorização do real) pelas instituições financeiras.

Para o médio prazo, depois de concluída a operação da Petrobrás, os técnicos veem uma tendência mais clara de desvalorização do real, refletindo o rápido crescimento do déficit em conta corrente - que reúne as transações de comércio e serviços do Brasil com o exterior. O aumento intenso do déficit externo é uma força para baixo na cotação do real, uma vez que significa uma fonte estrutural de saída de dólares do País.

A Fazenda entende que a economia continuará em crescimento e isso contribui para a aceleração do déficit externo. Até o momento, economistas do governo consideram que a situação está "em absoluto controle", mas estão preocupados em evitar que o déficit atinja o patamar 3% do PIB, interpretado como uma zona de risco. Atualmente, o déficit no ano está em 2,1% do PIB.

Mas o fator Petrobrás adia o impacto do déficit externo no câmbio, porque representa um potencial importante de entrada de dólares. Persistem as divergências em torno do preço do barril do petróleo das reservas que serão repassadas pelo governo à petrolífera e os riscos de atraso na operação. As informações são do jornal O Estado de S. Paulo.


Brasil acompanha mais de perto o PIB global

23 de agosto de 2010


Estadao.com.br

A chamada correlação entre a expansão brasileira e do mundo aumentou fortemente a partir de 2008; tendência futura ainda é incerta

Leandro Modé - O Estado de S.Paulo

Depois de anos "descolado" do mundo, o Brasil parece ter entrado numa fase em que acompanhará mais de perto o desempenho da economia global. De 2008 para cá, a chamada correlação entre o crescimento do PIB brasileiro e do planeta aumentou significativamente.

Ainda que o movimento tenha diferentes intensidades, a direção é a mesma - no ano passado, por exemplo, o PIB global caiu 0,6% e o brasileiro, 0,2%. Em síntese, significa dizer que, quando o mundo avança, o Brasil também avança. Quando se retrai, o País também se retrai.

Essa é uma das razões que podem ter levado o Banco Central (BC) a reduzir o ritmo de alta da taxa básica de juros (Selic). Na reunião do mês passado do Comitê de Política Monetária (Copom), a taxa subiu de 10,25% para 10,75% ao ano. A decisão surpreendeu a maior parte dos analistas, que esperavam uma elevação da Selic para 11% ao ano.

A diferença aparentemente irrisória de 0,25 ponto porcentual provocou inúmeras especulações no mercado financeiro. Segundo uma delas, o BC teria decidido pisar mais levemente no acelerador depois de autoridades brasileiras terem participado de encontros internacionais da área econômica. Nessas reuniões, o quadro pintado sobre a atividade global teria sido bem pior do que se imaginava.

Especulações à parte, o fato é que, desde 2008, o desempenho da economia brasileira está mesmo muito interligado ao do mundo, segundo levantamento realizado pelo economista Fausto Vieira, da Rio Bravo Investimentos. Nos anos imediatamente anteriores a 2008, o mundo quase sempre crescia acima do Brasil.

Pouco antes do estouro da crise global, o desempenho começa a ficar mais similar. Quando a atividade no mundo praticamente para, após a quebra do banco americano Lehman Brothers, em setembro daquele ano, as linhas praticamente grudam. Ou seja, o PIB brasileiro despenca junto com o internacional.

Incerteza. A grande dúvida dos economistas, inclusive do próprio Vieira, é se essa correlação tão forte vai manter-se nos próximos anos. Por ora, não há trabalhos suficientemente profundos que permitam afirmar com segurança se a resposta é sim ou não.

O que existe são hipóteses. Vieira trabalha com algumas. A primeira delas está relacionada à presença cada vez maior de multinacionais estrangeiras aqui e de multinacionais brasileiras lá fora. A segunda diz respeito à formação de expectativas. Com a informação no mundo viajando na velocidade da luz, pessoas e empresas se ajustam mais rapidamente às mudanças do cenário econômico.

O economista Fernando Rocha, da gestora de recursos JGP, avalia que a correlação continuará relevante. Ele argumenta que a economia brasileira passou a ser mais "normal" após os ajustes sofridos nos últimos anos. Com isso, abriu-se espaço para que a taxa de juros acompanhasse a tendência global.

Rocha lembra que, pela primeira vez em décadas, o Brasil conseguiu reduzir os juros em meio a uma grave crise. Em janeiro de 2009, o BC iniciou um processo de queda da Selic que levou a taxa para o menor nível da história. "Até então, sempre que havia crise, o Brasil elevava o juro." Se o juro caminha como no resto do mundo, afirma, é natural que o crescimento do PIB também siga na mesma direção.

Outros especialistas preferem manter-se cautelosos. Um deles é o economista-chefe do Banco Santander e ex-diretor do BC, Alexandre Schwartsman. "Não há o que contestar em relação ao que ocorreu recentemente: estamos falando de um dado concreto", diz. "Mas o período recente é excepcional por causa da crise. Houve uma sincronização dos movimentos no mundo."

O economista-chefe do HSBC, André Loes, também acha cedo para cravar que se trata de uma nova realidade. "Estruturalmente, o Brasil tende a ter uma correlação relativamente baixa com o resto do mundo porque é fechado tanto do ponto de vista de comércio quanto do ponto de vista de entrada de capitais." A relação entre exportação e PIB, aqui, é de 11% aproximadamente. No México, beira os 40%.