3.11.09

Pesquisa reprova 60% das marcas de feijão consumidas no País


A Tarde

>>Confira as marcas de feijão avaliadas

O feijão, alimento comum no prato dos brasileiros, teve 60% de suas marcas reprovadas na pesquisa do Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (Idec). Das 33 marcas avaliadas, o principal problema foi o feijão apresentar uma qualidade inferior à divulgada na embalagem, além deste caso, 20% das marcas continham larvas e insetos.

Nas embalagens de feijão, é possível ver a classificação tipo 1, 2 ou 3. O tipo 1, de melhor qualidade, cozinha mais rápido e é mais caro. Vera Lucia Barral, sanitarista do Idec e coordenadora da pesquisa, alerta que esta informação presente no rótulo deveria ser fiel ao produto vendido. “Isto representa um prejuízo para o consumidor, já que não é bem aquilo que ele queria comprar”, argumenta Vera.

As 33 amostras analisadas foram recolhidas em nove estados, sem repetição de nenhuma marca para ampliar a perspectiva dos consumidores. Na Bahia, as três empresas recolhidas, Padim, Peg Pag e Tio Neco não passaram no teste. As três divulgaram um tipo de feijão no rótulo e comercializam outro tipo inferior.

Elas foram consideradas “desclassificadas”, pior do que o rebaixamento apenas do tipo. Nestes casos, elas não poderiam ser comercializadas por apresentarem defeitos graves na qualidade do grão. Na Padim e na Peg Pag, o Idec também encontrou insetos vivos nas embalagens.

Ao levar um produto inferior, já que o tipo 2 e 3 é um feijão mais velho, o consumidor também perde em qualidade nutricional. “Ele não vai ter o mesmo teor de ferro e não vai ser tão saboroso como o tipo 1”, explica Aline Lima, coordenadora do curso de nutrição da Universidade Salvador (Unifacs). Segundo Aline, o grão também ficará mais tempo de molho e precisará de mais tempo para cozinhar.


Senado aprova projeto que facilita crédito habitacional

A situação cadastral em instituições de proteção ao crédito, como Serasa e Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), de famílias com renda per capita igual ou inferior ao salário mínimo, não será mais considerada na análise do crédito habitacional. A novidade consta de projeto aprovado hoje pela Comissão de Assuntos Econômicos (CAE) do Senado.

Aprovado em caráter terminativo pela CAE, o projeto seguirá para análise da Câmara dos Deputados, sem passar pelo plenário do Senado, salvo se houver recurso no prazo de cinco sessões.

O autor da proposta, senador Sérgio Zambiasi (PTB-RS), argumentou que a exigência da "ficha limpa" em instituições de proteção ao crédito é "desnecessária e danosa", uma vez as famílias de baixa renda, "com orçamentos pressionados pelos altos custos dos aluguéis", são as que mais têm restrições cadastrais.

"Imposições desta ordem tornam ainda mais difícil o acesso à casa própria e acabam por distanciar os programas habitacionais de seus propósitos", justificou o senador. "Mantido o imóvel financiado sob hipoteca, o credor já estará suficientemente protegido contra possíveis inadimplências", acrescentou.

A proposta foi aprovada com parecer favorável do senador Antônio Carlos Magalhães Júnior (DEM-BA). "Não se pode ignorar o fato de que a maior parte do déficit habitacional do País está concentrada na faixa de renda mais baixa da população, justamente a que enfrenta maiores dificuldades financeiras, para cuja situação o Estado não deve fechar os olhos, até porque a moradia constitui um direito social da população e cumpre, também, à União, viabilizar o acesso à moradia para essa camada da população", disse o parecer.

Anvisa suspende fabricação de remédios e cosméticos

Correio da Bahia

A Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) determinou a supensão da fabricação, distribuição, comércio e uso, em todo o território nacional, do Moscainste Brasileira Indústria e Comércio Ltda., de Recife. A medida foi tomada por conta de empresa não possuir registro e autorização de funcionamento na Anvisa.

Na resolução 4.826, a agência também determinou a suspensão da fabricação, distribuição, comércio e uso do produto Sabonete Líquido Blitz Floral, fabricado por Máster Química do Brasil Ltda., sediada em Aparecida de Goiânia (GO). A medida de interesse sanitário foi tomada por não existir registro e nem autorização de funcionamento para a fabricação de cosméticos.

Seminário Trabalho e Políticas Públicas

No dia 6 de novembro, sexta-feira, a Superintendência de Estudos Econômicos e Sociais da Bahia (SEI), autarquia da Seplan, em parceria com o Dieese, a Setre e a Ufba, vai realizar o Seminário Trabalho e Políticas Públicas, para divulgar os resultados regionais da Pesquisa Suplementar da PED “Informações para o Sistema Público de Emprego, Trabalho e Renda”.

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BC tem solução para bancos falidos

estadao.com.br
Edna Simão, BRASÍLIA

O Banco Central (BC) está finalmente perto de se livrar da massa falida de seis bancos liquidados extrajudicialmente há mais de uma década. São casos de falências históricas, nas crises financeiras dos anos 90, que juntaram quase R$ 60 bilhões de dívidas só com o BC.


A saída está em um projeto-piloto apresentado ao BC para abrir a fila das soluções com o caso Bamerindus. O banco paranaense, de propriedade da família Andrade Vieira, entrou em dificuldades em 1994 e foi incluído no Programa de Estímulo à Reestruturação e ao Fortalecimento do Sistema Financeiro Nacional (Proer).

Pela proposta em estudo no Banco Central, o Fundo Garantidor de Crédito (FGC), principal credor do Bamerindus, aceitou receber por último a sua dívida, que chega a R$ 4,6 bilhões. O FGC é um fundo bancado pelos bancos para dar garantia aos depósitos de correntistas.

Com o acordo, abre-se caminho para credores como o próprio Banco Central, os acionistas minoritários e os ex-empregados recebam antigas dívidas do Bamerindus.

Na fila para fechar acordos parecidos estão também os bancos Nacional, Econômico, Banorte, Mercantil de Pernambuco e BMD. A dívida total dessas seis instituições apenas com o BC somava R$ 57,319 bilhões em 31 de julho deste ano. Somente do Bamerindus, o BC tem a receber R$ 2,692 bilhões, além dos R$ 4,6 bilhões do FGC.

Após acordo com os principais credores do Bamerindus - basicamente Banco Central, Tesouro Nacional, BNDES e Caixa Econômica Federal - e retirada de ações judiciais contra o BC, seria iniciado o pagamento dos acionistas minoritários (donos de ações preferenciais). Entre os que estão no topo da lista está o Banco Central.

Se esse acordo vingar, o FGC conseguirá recuperar apenas entre 25% e 30% de seu crédito. Mas, mesmo assim, o diretor executivo do fundo, Antonio Carlos Bueno de Carvalho, considera a proposta um bom negócio.

"Essa é a chance que temos de receber alguma coisa", afirmou. Segundo ele, transformando a liquidação extrajudicial em ordinária, o Fundo poderá deixar os ativos do Bamerindus líquidos e depois vendê-los em leilão.

Além disso, com o fim da liquidação extrajudicial, o FGC terá mais facilidade para negociar com os antigos devedores da instituição. Poderá, por exemplo, dar desconto ou ainda parcelar o recebimento, o que atualmente não é possível.

Segundo Carvalho, as conversas entre FGC, Caixa e BNDES já foram iniciadas e estão adiantadas. A expectativa dos envolvidos é que as negociações estejam concluídas até o fim do ano para que o projeto definitivo seja apresentado para aprovação da diretoria colegiada do Banco Central.

À sombra dos laranjais

Raymundo Costa
Valor Econômico

A invasão da fazenda da Cutrale deixou o Palácio do Planalto e o PT sem discurso para barrar a comissão de inquérito do Congresso que investiga as contas do MST. Nada sugere que a CPI possa ter um fim diferente de outras CPIs sob o governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva. Mas o movimento sem-terra está em xeque, inclusive entre aliados que consideram que o MST perdeu o rumo e o sentido.

A relação do presidente com o MST é tensa, apesar dos panos quentes colocados pelo ministro Alexandre Padilha, novo coordenador político do governo e integrante do grupo que assessora a pré-campanha presidencial de Dilma Roussef.

No governo federal, o ministro Guilherme Cassel (Desenvolvimento Agrário) politizou eleitoralmente a questão. Cassel comprou uma briga que nem Lula nem Dilma se dispuseram a comprar, ao preço do dia.

Lula até classificou de "vandalismo" a invasão da fazenda da Cutrale, em Iaras, no interior de São Paulo. As cenas da destruição dos laranjais é tudo o que o presidente e sua pré-candidata não querem associadas a eles na campanha de 2010.

Aliados históricos do MST, de outro lado, se declararam chocados ao saber que o "vandalismo" atingiu também empregados da fazenda. Alguns desses aliados disseram que o movimento perdeu o sentido. Pode ser. O que não se pode afirmar é que a invasão tenha isolado politicamente o MST.

Além de Cassel, que viu "criminalização dos movimentos sociais" em atos efetivamente criminosos, o MST ganhou o apoio de uma penca de intelectuais daqui e de lá de fora. Assinam, entre outros, o escritor uruguaio Eduardo Galeano, o professor Antonio Cândido e até o cientista político Chico de Oliveira, contumaz crítico dos desvios do PT no governo.

Vinte anos após a queda do Muro de Berlim, que se comemoram na próxima segunda-feira 9, os intelectuais veem na CPI "um grande operativo político das classes dominantes objetivando golpear o principal movimento social brasileiro, o MST". Segundo o manifesto dos pensadores, "prepara-se o terreno para mais uma ofensiva contra os direitos sociais da maioria da população brasileira".

Nem tanto ao chão, nem tanto à terra. É possível que o MST tenha se desviado do ideal que representava em sua origem. Mas é preciso registrar que o movimento sem-terra mais tradicional do campo brasileiro radicaliza à medida que perde a clientela para organizações rurais situadas ainda mais à esquerda do espectro ideológico.

No governo, Lula mudou seu modo de ver o MST, assim como mudou a maneira como encarava muitas outras questões nos duros tempos da oposição. Os sem-terra também mudaram e elegeram como prioridade a destruição do agronegócio, em vez da reforma agrária e da redistribuição das terras improdutivas.

A relação do presidente com o MST está há mais de dois anos desgastada, desde um jantar na Granja do Torto, em Brasília, quando Lula, após ouvir o que dirigentes sem-terra tinham a dizer (críticas contundentes à política agrária do governo), retirou-se e deixou-os falando sozinhos.

Deve-se, no entanto, ficar atento à medida exata deste desencontro. Lula, PT e o MST têm uma relação umbilical. Pode-se ter certeza que a fúria do movimento, na CPI, será dirigida contra os congressistas e nunca contra o presidente da República, apesar de Lula ter dado de ombros à criação da comissão mista do Congresso para investigar as contas dos sem-terra.

O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra já havia jogado a toalha em relação ao presidente. Integrantes do seu núcleo dirigente diziam que nada mais restava ao MST a não ser esperar o fim do governo Lula, uma vez que também não tinha como ficar contra um presidente da República ao qual sempre esteve aliado e dono de uma popularidade nas alturas.

Até o incidente da Cutrale.

No oficial, os dirigentes e afins do comando do MST vendem a versão de "armação"; no paralelo, que a invasão saiu de controle e "companheiros mais exaltados" tratoraram os laranjais.

A primeira desculpa é recorrente; a segunda, esfarrapada. Quem conhece a disciplina dos acampamentos sem-terra sabe que ninguém pega um trator e derruba laranjais por conta e risco próprios.

Antes quem andava zangado com o MST era Lula; hoje o MST é que se diz emburrado com o presidente. No Palácio do Planalto se diz que a CPI é contra o MST e não contra o governo. O MST rebate: a CPI começa em mim e termina em você.

Na avaliação do grupo que assessora Dilma, já foram desapropriados, no atual governo, 43 milhões de hectares, quase o que foi desapropriado sob Mao Tse-Tung, na China, e mais que os 20 milhões da revolução mexicana. O grupo discute reconciliar reforma agrária e meio ambiente.

Raymundo Costa é repórter especial de Política, em Brasília. Escreve às terças-feiras